Editorial

Vencer a Covid exige união de todos

Para virar essa guerra a nosso favor, precisamos direcionar toda a energia e nossa força ao enfrentamento do inimigo comum

Domingo, 14 de março de 2021. Poucas horas antes do nascer do 368º dia da era pandêmica, o placar da Covid-19 registrava 119.187.414 pessoas infectadas em todo o mundo.

Desse total, 2.641.707 seres humanos das mais variadas raças, credos e níveis sociais — de empresários multimilionários a trabalhadores paupérrimos — já haviam perdido definitivamente as suas batalhas contra o novo coronavírus.

Lamentavelmente, o território brasileiro concentrava cerca de 10% do cataclismo planetário: até este sábado (13) foram 11.363.380 enfermos, dos quais 275.115 não conseguiram se curar.

As cifras são, inegavelmente, assustadoras. No entanto, mais apavorantes ainda se apresentam o potencial destrutivo do Sars-CoV-2 e a sua incrível capacidade de adaptação, de evolução rápida para driblar os esforços dos cientistas em debelá-lo.

Novas cepas surgidas aqui e ali, portadoras de variações genéticas capazes de acrescentar resistências até então inexistentes aos medicamentos, atrasam a produção dos imunizantes.

A boa notícia é que a humanidade reúne integrais condições de inverter a situação. Para virar essa guerra ao nosso favor precisamos, em primeiro lugar, direcionar toda a nossa energia e a nossa força ao enfrentamento do inimigo comum.

Não obstante os erros recorrentes cometidos até o momento pela maioria de nós — dos mandatários aos cidadãos comuns, daqueles que perderam tempo precioso tentando obter vantagens políticas aos que saíram de casa sem máscara ou não evitaram aglomerações –, assim como o sentimento de pesar que se abate sobre toda a sociedade, a reação exige foco, determinação, planejamento e, acima de tudo, união.

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Por mais que pareça natural, essa não é hora de caça às bruxas ou de ganhar votos para as próximas eleições. Também é indispensável enterrar o desânimo e recuperar a autoconfiança.

Tudo isso, somado ao início da tão aguardada vacinação e ao indispensável respeito aos protocolos sanitários definidos há mais de um ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS), nos levará, indubitavelmente, à vitória.

O caminho será mais tortuoso e demorado do que se previa, os custo em vidas e os prejuízos econômicos serão muito mais elevados do que o aceitável, porém, no final, a vida vencerá.

Uma síntese do método que deve ser adotada para superar a pior crise sanitária já enfrentada pelo Homo sapiens foi apresentada pelo papa Francisco, há menos de um mês, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade de 2021: a superação das divisões e o consequente diálogo entre todos como pressupostos.

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Segundo o chefe da maior igreja do planeta, esse é o paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro. É na base desta renovada cultura do diálogo que as medidas conhecidas para combater a transmissão do vírus se baseiam: conscientização individual, modificação de hábitos e um desejo coletivo de união.

Na contramão desse propósito, o cansaço provocado por um ano inteiro de isolamento sobrepujou o discernimento, levando muitas pessoas a supervalorizar a voltar ao normal, ou o novo normal, extrapolando a capacidade de respeitar os protocolos fartamente divulgados.

O resultados imediatos foram o aumento progressivo de exames positivos, a insuficiência de leitos clínicos e de terapia intensiva e, por fim, o crescimento exponencial de mortos, até chegarmos ao cenário atual de pré-caos.

A duras custas, o processo demonstrou na prática que a solução para a atual crise não é individual. Ao contrário, corrobora um problema de toda sociedade.

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Hoje, quem perdeu alguém para a Covid-19 pode estar lamentando não ter ficado em casa, se arrepende de ter ido a uma festa, lastima não ter se mantido afastado dos colegas ou deixado de usar máscara ao sair. Infelizmente, essa dúvida já perdeu seu significado.

Chegou o momento de olhar para o futuro, para a sobrevivência. Agora, as palavras de ordem, como já ficou fortemente demonstrado, são união, responsabilidade, solidariedade e apoio coletivo. É hora de pensar no todo, mas cada um fazendo a sua parte.

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