Editorial

Valorização da nossa memória

Restauração de locomotiva Perseverança é exemplo de como é importante cuidar da história e do passado

Em um país que cuida tão mal de sua história como o Brasil, devemos tirar o chapéu para atitudes que mostram a importância de tratar bem o passado. Afinal, preservar a história significa valorizar a identidade.

Mais um desses exemplos está ocorrendo bem aqui. Exposta na entrada da sede do Cruzeiro do Sul, no bairro Alto da Boa Vista, em Sorocaba, a locomotiva a vapor Perseverança está sendo recuperada para se manter conservada pelos próximos anos.

O trabalho de conservação é fruto de uma parceria da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), mantenedora do jornal, com a Associação Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana (Sorocabana — Movimento de Preservação Ferroviária).

O trabalho está sendo feito em etapas. Na primeira, ocorreu a limpeza externa com detergente industrial e sabão. Depois, foi realizado o polimento da locomotiva e revitalização das peças de bronze, como apito, válvula de emergência, cintas em volta da chaminé e placas.

Com o tempo, as peças ficam escurecidas, mas após a aplicação de produtos específicos, voltam a ter a coloração original. “A restauração é feita com base na experiência que a associação tem nesse trabalho”, resume o vice-presidente da Sorocabana, Abílio Medeiros.

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A técnica é a mesma aplicada nos itens do acervo da associação e também na Locomotiva 58, utilizada como trem turístico em Sorocaba. O próximo passo na restauração da Perseverança será a pintura das placas com o símbolo da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e o nome da máquina.

“O objetivo é preservar o patrimônio. Por mais que ela não seja tombada, é importante você manter um acervo histórico preservado. Com essa pequena manutenção, ela fica conservada”, explica Medeiros.

Encomendada pela extinta Companhia Cal junto à Baldwin Locomotive Works, dos Estados Unidos, no início do século 20, a locomotiva foi efetivamente utilizada pela Fábrica de Cimento Rodovalho, na atual cidade de Alumínio — onde uma pequena ferrovia em “bitolinha” de 0,80m interligava as jazidas de cal da região de Inhaíba e a fábrica.

Anos depois, essa empresa viria a ser adquirida pelas Indústrias Votorantim, que adaptou a locomotiva para a bitola de 1,00m. Após ser doada pelo historiador Otto Wey Netto, a maria-fumaça foi incorporada ao patrimônio da FUA no início da década de 1980.

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Restaurada, recebeu o nome de Perseverança, em homenagem ao pioneiro do transporte ferroviário Luís Mateus Maylasky (1838-1906), um dos fundadores da Estrada de Ferro Sorocabana (1875) e da Loja Maçônica Perseverança III (1869).

Foi por iniciativa de 21 integrantes dessa loja maçônica que a FUA foi instituída, em 31 de julho de 1964. Desde 2014, a locomotiva, de quase 11 toneladas, passou a ocupar a área em frente ao jornal Cruzeiro do Sul. Ela pode ser vista pelos visitantes que passam pela avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes.

Não custa lembrar que o transporte ferroviário faz parte da história de Sorocaba. E valorizar a história faz parte da vida da FUA. Prova disso é que a poucos metros de onde está a locomotiva Perseverança fica localizado o Memorial Cruzeiro do Sul, que reúne a história do jornal por meio de fotos, textos, vídeos e equipamentos.

Todos esses itens mostram a trajetória do centenário veículo de comunicação e estão expostos em um prédio também localizado na entrada da sede do Cruzeiro, bem em frente à Prefeitura de Sorocaba. A exposição permanente mostra a história do jornal, desde a sua fundação até os dias atuais.

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