Editorial

Unanimidade municipal

Sem plano para a construção de uma nova rodoviária, resta cobrar da prefeitura melhores condições para a atual

Poucos equipamentos urbanos de Sorocaba são tão mal avaliados como a Rodoviária da cidade. Há uma espécie de unanimidade na avaliação negativa desse local que deveria ser uma espécie de cartão de visitas da cidade, como se dizia antigamente ou, no mínimo, um local que oferecesse um mínimo de conforto e segurança para os viajantes e para aqueles que aguardam a chegada ou se despedem de amigos ou parentes.

A Rodoviária atende um grande número de linhas, inclusive interestaduais, e por esse motivo atrai centenas de passageiros ou acompanhantes diariamente e não cumpre seu papel.

Construída na década de 1970, a Rodoviária ocupa, desde sua fundação, o andar térreo de um prédio construído para ter um supermercado no andar superior. Tornou-se ultrapassada em pouco tempo. Ela foi construída para atender uma cidade que tinha um terço da atual população e uma frota de veículos muitas vezes menor.

Foi uma evolução para a época, pois os pontos das linhas intermunicipais eram espalhados pelo Centro. Os ônibus para São Paulo saíam da rua Brigadeiro Tobias, ao lado da agência da Viação Cometa localizada na rua 15 de Novembro.

Os ônibus para Campinas e outras cidades saíam da rua Monsenhor João Soares e próximos ao Mercado Municipal funcionavam outros pontos para atender linhas de outras cidades da região. A concentração da maioria das linhas em um único local foi certamente uma evolução, mas que se transformou rapidamente em foco de problemas.

A localização da Rodoviária é imprópria. Fica na parte central da cidade e tem em seu entorno ruas estreitas que não oferecem boas condições de tráfego de ônibus intermunicipais cada vez maiores, mais altos e mais difíceis de manobrar em espaços reduzidos.

Não dispõe de estacionamentos nem para os veículos dos passageiros ou acompanhantes, muito menos para ônibus. Há muito tempo cidades do porte de Sorocaba ou até menores transferiram suas rodoviárias para locais mais amplos, mais distantes do Centro e próximos às rodovias.

Durante a campanha eleitoral e nos primeiros meses de mandato o prefeito cassado José Crespo (DEM) acenou com a possibilidade de construir um terminal intermodal na rua Padre Madureira, em área onde funcionou a antiga Siderúrgica Aparecida.

A intenção de Crespo era juntar, em um único local, terminal de ônibus intermunicipais, de ônibus urbanos, parada do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que ele sonhava em implantar utilizando a linha férrea. Em entrevista concedida à rádio Cruzeiro FM 92,3 no último dia 17, o secretário de Planejamento e Projetos de Sorocaba, Fábio de Castro Martins, informou que não há qualquer previsão para a construção de uma nova rodoviária.

O terminal intermodal da rua Padre Madureira também está fora de questão, assim como a implantação do VLT. O secretário que disse ter “os pés no chão” e também não poupou críticas à Rodoviária atual que ele classificou como uma vergonha.

Como não existe qualquer plano para a construção de outra rodoviária pela atual administração municipal, que por sinal está em seu último ano de mandato, resta cobrar da Prefeitura um esforço concentrado para, ao menos, melhorar as condições da que temos.

A administração da Rodoviária passou a ser responsabilidade da Urbes no ano passado. Os usuários reclamam de vários aspectos, além de sua localização. Há fortes críticas quanto à higiene dos banheiros, a mendicância em seu entorno e verdadeiros acampamentos de moradores de rua nas proximidades.

A segurança também é um aspecto bastante criticado, principalmente no período noturno e durante a madrugada, quando praticamente não há policiamento no local. Os pontos de ônibus que atendem linhas de alguns municípios da região, que ficavam na rua Pandiá Calógeras e avenida Juscelino Kubitschek foram removidos em agosto do ano passado quando ocorreram alterações no trânsito naquela região.

No total mudaram de local o ponto inicial de 37 linhas de ônibus que foram transferidas para as ruas Cônego Januário Barbosa e Joubert Wey. Esses pontos ficam em local de pouco movimento, não têm iluminação adequada e não há a mínima infraestrutura para atender os passageiros nos horários de pico. No período noturno e nos finais de semana essas ruas ficam desertas, aumentando a sensação de insegurança.

Como não teremos uma nova Rodoviária no curto prazo, pelo menos que sejam feitas melhorias nas suas instalações, nos serviços oferecidos à população e na segurança do local. Seria uma demonstração de respeito aos milhares de usuários que pagam taxa de embarque e não recebem um atendimento à altura.

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