Editorial

Um País assustado. Um País fracionado

Diferenças ideológicas devem ser tratadas no campo das ideias e nas urnas. Paixões políticas não justificam violência ou desrespeito
Jair Bolsonaro foi esfaqueado na tarde desta quinta-feira (6) em Juiz de Fora. Crédito da foto: AFP

Um golpe súbito. Uma facada dada no candidato à presidência Jair Bolsonaro surpreendeu até mesmo seus adversários e aqueles que não concordam com as propostas do candidato. No centro da discussão, a violência, a intolerância e a insegurança que atinge a todos.

A violência em campanhas é fato na nossa história e no mundo, mas jamais foi aceita sem repúdio. O país está envolvido na pequenez de divisões partidárias que recrudesceram com a prisão de muitos políticos e de um candidato da esquerda. Intolerância e ódio passaram a fazer parte de muitos dos discursos, iniciados há vários anos incitando a separação para conseguir-se o isolacionismo das pessoas e, mais que isso, comparando-se feitos e não feitos como se fossem obras únicas e de autoria solo.

Nada disso tem ajudado na construção da democracia. Ao contrário, irmãos têm-se predisposto entre si, levando a efeito àqueles indivíduos desequilibrados cometer atos de violência, de forma isolada ou não. A mando ou como se diz em termos de terrorismo, de lobo solitário.

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As recentes perdas do patrimônio histórico num incêndio, a morte da vereadora carioca, a violência diárias e muitas vezes domésticas, diante de um cenário de desemprego e desespero empurram as pessoas para a intolerância. Vamos ficando intolerantes sem perceber. E o pior de tudo, mais que intolerantes conosco, ficamos intolerantes com nossa família, com nossos amigos, com nossos colegas, com os amigos da mídia social. E com isso perdemos em inteligência e afeto.

O país não pode admitir a violência contra qualquer indivíduo e da mesma forma contra candidatos a cargos eletivos. Diferenças ideológicas devem ser tratadas no campo das ideias e nas urnas. Paixões políticas não justificam violência ou desrespeito. Não se trata de ser desta ou daquela ideologia, trata-se de defender o direito de discordar, ter outras soluções e até propostas que confrontam as nossas com serenidade. Não se justifica a violência como forma de impedir ou calar diferenças ideológicas.

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O jornal Cruzeiro do Sul repudia, condena e afasta qualquer fanatismo, extremismo ou violência contra as pessoas ou as ideias.

Respeitamos as pessoas, suas propostas e atitudes desde que equilibradas, morais, éticas e serenas. Não somos inimigos disputando ideologias, somos uma nação querendo a democracia e a prosperidade.

Esperamos a ação firme das autoridades e dos partidos na condição de lideranças — federais, estaduais e locais — para acalmar seus eleitores até a eleição por respeito ao maior interessado na paz: o povo brasileiro.

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