Editorial

Torre de controle finalmente inaugurada

O início das operações da torre de controle do Aeroporto Estadual Bertram Luiz Leupolz, na semana passada, representa a efetivação de mais um pré-requisito — seguramente, um dos tópicos essenciais — para o melhor aproveitamento do seu potencial como fomentador do desenvolvimento em toda a Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Contudo, o processo é muito mais amplo e precisa ter continuidade.

A menos de dois anos de festejar seu 80º aniversário, o simples campo de aviação inaugurado em 27 de março de 1943, na então longínqua Vila Angélica, virou referência como um dos maiores centros de manutenção de aeronaves da América do Sul. Porém, suas aptidões natas — se adequadamente conduzidas –, tanto no âmbito da aviação geral como na executiva, podem gerar significativos reforços para toda a cadeia da economia local, além de benefícios em diversos aspectos sociais.

A modernização do sistema de monitoramento do tráfego aéreo regional inaugurado na quarta-feira (1º) — agora com aval do Departamento Aeroviário do Estado (Daesp), da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Serviço Regional de Proteção ao Voo (SRPV) — contribuirá como facilitador dos próximos passos evolutivos do aeródromo, sobretudo no que se refere à privatização e internacionalização. Como salientou o secretário estadual de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto — presente à solenidade de entrega da torre de controle –, a nova metodologia de pousos e decolagens coloca o aeroporto sorocabano na vanguarda de sua categoria.

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O upgrade recém-conquistado é capaz, igualmente, de agregar vantagens para Sorocaba — além da localização estratégica — na acirrada concorrência pelo capital privado, visto que as exauridas fontes públicas se mostram incapazes de financiar as imensas carências do setor. No entanto, vale lembrar que o setor aeroviário atravessa um dos piores momentos de sua história em todo o planeta. Não obstante a crise avassaladora dos últimos seis meses, decorrente da pandemia de Covid-19, o sistema aeroportuário brasileiro já enfrenta o desafio da reciclagem há décadas. Somente o Estado de São Paulo está empenhado na concessão de 22 aeroportos regionais simultaneamente — um deles é o Bertram Luiz Leupolz.

Na prática, isso significa que o tempo necessário para percorrer o caminho entre a intenção e a consumação das propostas de desestatização e internacionalização do aeródromo sorocabano pode ser diretamente proporcional ao envolvimento de Sorocaba e de toda a região metropolitana no encaminhamento dos processos. O momento e a relevância do êxito de ambas as empreitadas exigem a participação de toda a sociedade — em particular, dos agentes políticos e das entidades representativas dos setores produtivos — no acompanhamento das consultas públicas e dos procedimentos licitatórios.

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Assim, o nível de engajamento dos representantes locais na empreitada já pode ser medido. O primeiro teste coincide com o próximo passo previsto no regulamento de privatização, que é o lançamento do edital de chamamento de interessados — para empresas nacionais ou estrangeiras, consórcios, instituições financeiras e fundos de investimentos — na concessão. A agenda da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), gestora do processo, prevê a publicação do documento em meados do segundo semestre de 2020. Na sequência, vêm o leilão no final do ano e a assinatura do contrato no início de 2021. Lamentavelmente, mesmo antes da entrega da torre de comando, a Artesp já acenava com a possibilidade de adiar o início dos procedimentos para o ano que vem, sob a alegação de dificuldades supostamente resultantes do alastramento do novo coronavírus pelo País.

As lições deixadas pelo longo histórico de protelamentos, de paralisações e até de cancelamentos de obras e demais iniciativas públicas de relevância para a população regional devem servir de alerta neste ponto crucial do projeto de transformação do aeroporto sorocabano. Para evitar a repetição de contratempos recorrentes, é imperativo acionar imediatamente todos os mecanismos e adotar a proatividade total. Os poderes Legislativo e Executivo sorocabanos, assim como as demais lideranças políticas locais, devem unir forças aos parlamentares que representam a RMS no sentido de fazer cumprir o cronograma preestabelecido. Pelo que se sabe, todas as etapas do processo de concessão podem ser desenvolvidas por meios eletrônicos, sem qualquer prejuízo para a sua formalidade ou legalidade. Portanto, qualquer movimentação em sentido contrário deve ser encarada como mera desculpa.

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