Editorial

Todos os dias são das mulheres

Originário da luta de trabalhadoras por melhores condições, Dia Internacional da Mulher lembra conquistas e evoca reflexão

Amanhã comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 — designado como Ano Internacional da Mulher –, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, culturais, econômicas ou políticas. Atualmente, o 8 de março é comemorado em mais de 100 países como enaltecimento e lembrança pelos avanços e direitos que as mulheres buscam e merecem.

Se a data foi oficializada em 1975, a ideia de criar o Dia da Mulher surgiu bem antes, no início do século 20. Ela apareceu nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho. As jornadas de 15 horas diárias, os baixos salários e a discriminação de gênero eram alguns dos pontos debatidos pelas manifestantes da época. De acordo com registros históricos, o primeiro Dia da Mulher foi celebrado nos EUA em maio de 1908, onde mais de 1.500 mulheres se uniram em prol da igualdade política e econômica.

Em 26 de agosto de 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhague (Dinamarca), a jornalista e política feminista alemã Clara Zetkin propôs uma celebração anual das lutas pelos direitos das mulheres trabalhadoras, sem contudo fixar uma data específica.

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A partir daí, vários acontecimentos levaram à criação de um dia especial. Um deles foi o incêndio na fábrica de camisas Triangle Shirtwaist, em 25 de março de 1911, em Nova York, que causou a morte de 146 pessoas, sendo 129 mulheres. O alto número de vítimas se explica pelas péssimas condições de trabalho e porque uma porta estaria fechada para impedir a fuga das trabalhadoras.

Em 8 de março de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, uma manifestação com mais de 90 mil mulheres russas foi às ruas por melhores condições de vida e trabalho. Conhecido como “Pão e Paz”, o protesto foi o marco para a escolha da data que seria oficializada depois. Também nas primeiras décadas daquele século, as mulheres começam a lutar pelo direito ao voto e à participação política.

Apesar disso, por muito tempo, a data foi esquecida e acabou sendo recuperada somente com o movimento feminista nos anos 60. Atualmente, além do caráter festivo e comemorativo, o Dia Internacional da Mulher ainda serve como conscientização para evitar as desigualdades de gênero em todas as sociedades.

Nem precisaria ser assim. Afinal, todos os dias devem ser das mulheres. Elas estão no princípio de tudo, da vida. Os bilhões de seres humanos que já viveram ou vivem na Terra — homens ou mulheres — nasceram de um ventre feminino.

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Que o Dia das Mulheres sirva de reflexão de como a nossa sociedade as trata, seja no campo familiar e afetivo quanto nas questões profissionais. Estudos comprovam que ainda hoje as mulheres sofrem com a desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens. Dados de 2018 apontam que, no mundo, apenas 48% das mulheres maiores de 15 anos estão empregadas, contra 75% dos homens.

As mulheres ainda sofrem prejuízos por engravidarem, uma vez que o número de mulheres que abandonam o seu trabalho por conta de seus filhos chega a 30%.

Para agravar essa situação, metade das que engravidam perdem seus empregos quando retornam da licença-maternidade. E ainda, em pleno século 21, existe quem defenda que mulheres devem ganhar menos. Isso, inclusive, é realidade no Brasil, pois as mulheres recebem, em média, 20% menos do que os homens.

Todas essas estatísticas demonstram como o preconceito de gênero prejudica as mulheres. E isso não ocorre apenas no mercado de trabalho, uma vez que a violência de gênero, o abandono que muitas sofrem de seu parceiro durante a gravidez e os assédios são realidades que muitas mulheres sofrem.

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É, portanto, um dia que serve para reflexão a respeito da a desigualdade e a violência que as mulheres sofrem no Brasil e no mundo. Um momento para repensar atitudes e tentar construir uma sociedade sem preconceito de gênero.

Para festejar essa data, o Cruzeiro do Sul traz nesta edição (e nos próximos dias) histórias de mulheres notáveis. Que todas as mulheres do mundo se sintam homenageadas por meio delas. Que todas as mulheres do mundo se sintam abraçadas e reverenciadas.

Parabéns, mulheres!

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