Editorial

Surtos e epidemias

A baixa cobertura vacinal é apontada como principal fator do retorno do sarampo ao País

Em um momento em que o número de casos confirmados de Covid-19 se aproxima de 170 mil e o número de mortos atinge 12 mil, há várias outras doenças atacando um número cada vez maior de brasileiros. A pandemia provocada pelo novo coronavírus, praticamente inimaginável cinco meses atrás quando foram diagnosticados os primeiros casos na China, hoje domina praticamente todo o noticiário e é o assunto mais comentado nas redes sociais.

Essa tragédia de proporções mundiais provocou o isolamento compulsório de mais da metade dos seres humanos e está longe de acabar, uma vez que ainda não dispomos de vacinas nem de tratamentos comprovadamente eficientes.

Mesmo com todas as atenções voltadas para a Covid-19, outras doenças continuam a atacar sem trégua a frágil saúde dos brasileiros. Algumas das doenças que avançam sobre o País ou têm vacina que garante a prevenção ou podem ser evitadas por conta do comportamento da população.

 

O fator que complica o crescimento de casos de outras doenças é a superlotação e possível colapso do sistema de saúde do País, uma vez que grande parte das vagas será utilizada para atender casos de pessoas com Covid-19.

A dengue, nossa velha conhecida, voltou a crescer em muitas regiões do País nos últimos meses, especialmente no Estado de São Paulo. Desta vez está se espalhando com velocidade a dengue do tipo 2, uma cepa diferente daquela que causou uma epidemia em Sorocaba em 2015 e contaminou 53 mil pessoas e matou perto de 30 pacientes.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, em 15 dias os casos de dengue subiram 14,12%. No dia 22 de abril a cidade registrava 1.388 casos e, em duas semanas, passou para 1.527, 189 novos casos no período.

O que assusta é que mesmo uma pandemia amedrontando o mundo e em uma curva ascendente no Brasil, não leva as pessoas a se preocuparem com a limpeza de quintais, terrenos baldios ou mesmo áreas públicas, onde ocorre a proliferação do mosquito.

 

Não existe vacina contra a dengue, mas sabemos que se eliminarmos os focos do Aedes Aegypti interrompemos a propagação da doença. Mesmo assim, a Divisão de Zoonoses informa que até a última quinta-feira seus funcionários haviam retirado mais de 220 toneladas de criadouros de mosquito da cidade este ano.

Também prossegue a visitação domiciliar de imóveis, principalmente aqueles localizados ao redor de casos positivos da dengue, com equipes nas ruas diariamente. Mais de 23 mil imóveis que se localizam próximos a moradias de pessoas doentes também receberam nebulização.

Devido à pandemia da Covid-19, os agentes estão visitando somente a parte externa das moradias e sempre usando máscaras, para reduzir o risco de contaminação.

A Ouvidoria Geral do município recebeu 71 reclamações sobre a presença de focos de dengue no mês de abril. Os bairros com maior registro de reclamações foram o Centro, Santa Rosália, Parque São Bento e Brigadeiro Tobias.

Além da dengue, o sarampo avança no Brasil. O País havia recebido da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2016 o certificado de erradicação da doença, mas dois anos depois ela voltou a fazer vítimas nos Estados do Amazonas e Roraima e depois se espalhou por quase toda a federação.

 

Hoje temos a transmissão ativa do sarampo em 19 Estados e cinco deles concentram 96% dos registros: Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

O sarampo é altamente contagioso. Enquanto na Covid uma pessoa infecta de duas a cinco pessoas, o sarampo vai de 16 a 18.

Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 2.805 casos confirmados da doença, um crescimento de 18% em apenas uma semana. Existe vacina eficaz contra o sarampo, o problema e que muitos pais têm deixado de levar seus filhos para vacinar, o que abre uma janela para a expansão da doença.

A baixa cobertura vacinal é apontada como principal fator do retorno do sarampo ao País.

Mas se houve um descuido nos últimos anos na vacinação contra o sarampo, a vacinação contra a gripe, que é destinada a alguns grupos de risco, está sendo bem aceita pela população, que entendeu ao apelo das autoridades da área da Saúde.

A meta para a vacinação dos idosos em Sorocaba, por exemplo, superou as expectativas, e atingiu até agora 111% das pessoas esperadas nos postos de vacinação.

 

O mesmo tem acontecido com outros grupos. A vacinação vai até o dia 5 de junho. A vacinação contra a gripe deixa imunes boa parte das pessoas que pertencem ao grupo de risco e elimina a necessidade de internações por problemas respiratórios, deixando os leitos para os enfermos com Covid-19.

Seguir as orientações das autoridades da área da Saúde continua sendo uma maneira mais segura de evitar não só a Covid-19 como outras doenças que ainda não conseguimos eliminar.

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