Editorial

Sinal de alerta

Leitores mais atentos deste jornal devem ter percebido que com uma frequência absurda são publicadas notícias sobre acidentes de trânsito na rodovia Raposo Tavares, principalmente no trecho que corta a região urbana de Sorocaba e suas marginais. Os exemplos são muitos. No último sábado, por exemplo, foram duas mortes em menos de cinco horas. O primeiro acidente ocorreu no final da noite de sexta-feira no quilômetro 107 na pista sentido interior. Um motorista atropelou uma pessoa que tentava atravessar a via. A segunda morte ocorreu na manhã de sábado, na pista sentido São Paulo, onde um motociclista foi atingido por um carro que trafegava na contramão. Dois dias antes foi noticiado que um acidente entre um ônibus e caminhão complicou o trânsito na pista marginal da rodovia no quilômetro 102. No dia 11 de setembro foi noticiada a colisão entre um carro e uma moto que congestionou o trânsito no quilômetro 95 durante o horário de pico da manhã. E no dia 4, também no início da manhã, dois acidentes provocaram congestionamentos: um carro bateu na lateral de um caminhão carregado de madeira e em outro trecho, quilômetros dali, um caminhão tombou no canteiro central.

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Esses foram apenas alguns dos acidentes registrados em um período de dez dias, o que mostra que a rodovia e suas marginais além de perigosas estão ficando congestionadas em virtude do volume de trânsito. São colisões, engavetamentos, atropelamentos e congestionamentos que tornam a rodovia extremamente perigosa e prejudicam milhares de pessoas que precisam utilizar essa via nos seus deslocamentos diários.

A rodovia Raposo Tavares (SP-270) é uma das mais antigas do País. Ao contrário de rodovias modernas como a Castelo Branco ou Bandeirantes, fruto de um trabalho elaborado de engenharia, com traçado reto, curvas suaves, a Raposo Tavares foi construída sobre antigos caminhos indígenas, posteriormente utilizados por bandeirantes paulistas e mais tarde por tropeiros que cortavam o país com suas mulas. Por esse motivo tem um traçado sinuoso, com curvas acentuadas e muitos aclives e declives. Pesquisadores dizem que seu traçado original foi um dos ramais do Peabiru, mítica trilha indígena que cortava o continente antes da chegada dos europeus. Originalmente seu nome era Caminho do Sertão ou Caminho dos Pinheiros, mais tarde Caminho de Sorocaba. Com o início do funcionamento da Estada de Ferro Sorocabana, em 1875, a ligação com a região oeste do Estado passou a ser feita predominantemente pela ferrovia. A rodovia só começou a ter mais importância a partir da década de 20 do século passado, quando foi alargada e denominada Estrada São Paulo-Paraná. A partir de 1954 a estrada começou a ser asfaltada. A grande alteração na região de Sorocaba foi a construção da chamada “variante”, que desviava o tráfego já pesado do centro da cidade para seu traçado atual.

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Construída a alguns quilômetros da região central da cidade e cruzando somente áreas rurais, o traçado da “variante” com sua pista única, foi logo engolido pela malha urbana. A duplicação de suas pistas se tornou uma prioridade e demorou mais de uma década para ser concluída na região de Sorocaba, mesmo sendo privatizada e com cobrança de pedágio. Nem toda a rodovia, entretanto, tem pista dupla. Ainda há trechos que a benfeitoria ainda precisa ser concluída. Com o crescimento de Sorocaba na região leste e a inevitável conurbação com Votorantim, as pistas duplas passaram rapidamente a não dar conta do recado e foi necessária nova pressão junto ao governo estadual para a construção das marginais no trecho sorocabano. Os primeiros trechos duplicados foram concluídos em 2011. Outros trechos foram sendo inaugurados em datas posteriores. Quem se utiliza da rodovia na atualidade já percebeu que a quantidade de veículos, que trafega diariamente, principalmente nos horários de pico, está tornando o local extremamente perigoso — como mostram os acidentes quase que diários — e de tráfego lento. É preciso que o DER e a Urbes, que é responsável pelo trânsito no município, estudem esse caso com urgência. Acessos e saídas das marginais são muito criticados. Seu traçado e talvez largura possam ser alterados, enquanto se criem alternativas para o trânsito. Está evidente que a rodovia e a criação de alternativas precisam ser estudadas desde já. Tanto a pista principal como as marginais se aproximam perigosamente de um ponto de saturação. A sequência de acidentes é um sinal de alerta.

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