Editorial

Sexta-feira de compras

O varejo on-line brasileiro faturou R$ 3,2 bilhões entre quinta e sexta-feira, um aumento superior a 23% em relação a 2019

Além do segundo turno das eleições nas capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores, há outro assunto dominando as conversas neste final de novembro: as ofertas e preços mais em conta da Black Friday, uma promoção do comércio varejista inspirada em promoção do mesmo nome realizada nos Estados Unidos e que, a cada ano, cresce em importância no calendário de vendas do Brasil.

Aumento de vendas e faturamento, reaquecimento da economia, antecipação de compras do Natal, é tudo o que o comércio quer neste ano cheio de problemas em que lojas físicas tiveram que permanecer fechadas por meses por conta da política de distanciamento social imposta pela pandemia do novo coronavírus.

Introduzida no Brasil há dez anos, inicialmente somente para vendas com descontos na internet, a Black Friday está se transformando em uma das datas mais importantes para o comércio, inferior somente às compras de Natal e do Dia das Mães.

Essa data comercial, como tantas outras, tem sua origem nos Estados Unidos. Pesquisadores dizem que o termo “Black Friday” começou a ser usado por policiais da Filadélfia, nos anos 1960, à data que sucede ao Dia de Ação De Graças, a data nacional dos Estados Unidos.

Os comerciantes aproveitavam a sexta-feira posterior às comemorações para liquidar seus estoques, oferecendo descontos generosos. Mas as promoções ficaram mais conhecidas na década de 1990 e com o surgimento do e-commerce.

Leia mais  Uma rasteira contra a saúde

Tornou-se então uma tradição nas grandes redes de comércio dos Estados Unidos as grandes liquidações da Black Friday que iniciam a temporada de compras para o Natal.

A cada ano a promoção ganha força e consumidores entusiasmados. No ano passado, segundo levantamento de uma empresa especializada de consultoria, houve um recorde de faturamento do comércio eletrônico no Brasil.

O varejo on-line brasileiro faturou R$ 3,2 bilhões entre quinta e sexta-feira, um aumento superior a 23% em relação ao ano anterior.

Neste ano, o faturamento desse setor deve ser ainda maior, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, com uma previsão de crescimento de 77% nas vendas em relação ao ano passado e poderá se aproximar de R$ 7 bilhões. As previsões consideram o período que vai da quinta-feira anterior até a segunda-feira pós-evento.

Leia mais  Espera por atendimentos nas UPHs aumenta de forma geral na cidade

A Black Friday começou no Brasil incrementando o comércio eletrônico. As grandes redes de lojas e de supermercados perceberam o potencial da data e investiram na divulgação do evento, que passou a beneficiar também o comércio das lojas físicas.

Tanto que a projeção da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP) é moderadamente otimista, com a previsão de crescimento de cerca de 3% nas vendas neste ano em relação a 2019. A própria entidade explica que esse pequeno aumento no volume de vendas é positivo diante do ano complexo que tivemos.

Com a política de distanciamento social adotada desde o mês de março, houve um crescimento inesperado do e-commerce durante o ano. Pessoas que não tinham qualquer habilidade ou informação sobre compras on-line, principalmente as mais velhas, aprenderam a trabalhar com o celular e aderiram a essa modalidade comercial.

Pesquisas revelam até os produtos que serão mais procurados este ano pelos consumidores e, mais uma vez, os smartphones abrem a lista, seguidos por aparelhos de TV e notebooks. Não há uma regulamentação nem organização que centralize o dia de promoções.

Leia mais  O importante papel do CVV

São iniciativas de cada comerciante ou de cada rede de lojas que torna o período de compras atraente tanto nas vendas virtuais como físicas. Essa informalidade também pode gerar alguns problemas.

Como boa parte da movimentação comercial nessa data ocorre on-line, já estão se tornando comuns alguns golpes e muita propaganda enganosa nesta época do ano. Os especialistas recomendam algumas medidas simples para evitar problemas e a primeira delas é conferir a reputação da empresa vendedora antes de fechar negócio.

Se o desconto estiver também muito maior que a concorrência pode ser um indicativo de fraude, que precisa ser checado. Pesquisa antecipada dos preços ajuda a ter parâmetros nessa hora e ajudam a identificar um desconto falso.

Há sites especializados para consultar a reputação das lojas e que ajudam os consumidores. Tomar cuidado para evitar clonagem de cartão também é importante e por isso não é recomendável comprar em computadores compartilhados ou em rede wi-fi pública, onde dados podem ser capturados.

São pequenos cuidados necessários para evitar dores de cabeça num período de grande movimentação comercial.

Comentários