Editorial

Editorial: Redução de vagas

O fechamento de vagas para o ensino em tempo integral vem ocorrendo ano após ano

Reportagem publicada por este jornal na edição do último domingo nos informa que em seis anos a Prefeitura de Sorocaba reduziu em 65,5% o número de vagas integrais para alunos do ensino fundamental 1 (da 1ª à 5ª série) da rede municipal de ensino. O Programa Escola em Tempo Integral, que tinha na Oficina do Saber o apoio para atividades complementares e suplementares, começou em 2012 e atendia 6.500 alunos de 31 escolas municipais. Hoje, segundo informações da Secretaria municipal da Educação (Sedu) estão matriculados somente 2.245 alunos em 17 unidades.

O fechamento de vagas para o ensino em tempo integral vem ocorrendo ano após ano. Conforme dados da Sedu, de 2012 a 2016 foram encerradas 2.500 vagas. Dois anos depois, ainda de acordo com a secretaria, mais 2.500 estudantes deixaram de permanecer durante o período integral na escola. Esse processo de esvaziamento fez com que não fossem abertas novas salas em tempo integral em escolas que não tiveram demanda. Os alunos que já eram atendidos pelo sistema integral continuaram frequentando a escola durante o dia todo. Essa situação prejudica os alunos que estão entrando em várias escolas atualmente e gostariam de frequentar o período integral, mas são impedidos porque não são abertas novas turmas. Muitos pais estão reclamando dessa situação.

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Há, entretanto, um fato bastante estranho e que precisa ser esclarecido com relação à suposta falta de interesse por parte dos alunos. Enquanto as escolas municipais fecham vagas integrais, elas aumentam nas escolas estaduais. De acordo com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a rede local tinha 2.254 alunos matriculados em 2016. No mês de maio deste ano, havia 3.033 estudantes frequentando o período integral, um acréscimo de 799 vagas. Na rede estadual são 2.438 alunos matriculados no ensino fundamental e 595 no ensino médio que ficam na escola nos períodos da manhã e da tarde. É curioso que exista interesse de estudantes da rede estadual em frequentar o período integral e falta de interessados na rede municipal.

Os benefícios da permanência de alunos durante todo o dia na escola já foram analisados por várias instituições. Algumas delas são facilmente mensuráveis. Os alunos em tempo integral têm melhor desempenho, pois passando o dia todo na instituição de ensino é mais fácil estudar e rever conteúdos, tirar dúvidas e receber acompanhamento profissional em várias situações. Outro benefício para os estudantes é que a escola integral não tem como foco apenas o ensino das disciplinas. Além do ensino das matérias tradicionais, ocorrem atividades extracurriculares, como música, educação artística, além da prática de esportes, atividades que favorecem o desenvolvimento de novas habilidades dos estudantes.

Mas o fator mais importante, principalmente no Brasil e especialmente em um momento de crise, é a necessidade que boa parte dos pais têm em trabalhar fora durante todo o dia. A escola em tempo integral é uma maneira de deixar as crianças ocupadas, em local saudável, seguro e aprendendo. Tanto que a própria Prefeitura de Sorocaba apresenta um sério problema para atender a demanda por creches em tempo integral, justamente por conta da necessidade que muitas mães têm de trabalhar. O período de ensino integral vem como um grande auxílio para a família em que pai e mãe trabalham durante o dia todo.

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Como se explica que munícipes recorram à Justiça para conseguir uma vaga em creche ou exista uma fila de mais de 3 mil crianças à espera de vagas e não exista procura para escolas em tempo integral no ensino fundamental, que atende crianças a partir de 7 anos de idade? Ou ainda, prefiram matricular seus filhos nas escolas de período integral mantidas pelo governo estadual e não procurem as municipais?

São questões pertinentes em um período em que a Sedu está usando as instalações do Projeto Oficina do Saber, criadas justamente para dar suporte ao ensino integral oferecendo atividades suplementares no contraturno escolar, justamente para criar novas creches. A Prefeitura de Sorocaba deve uma explicação para essa situação inusitada.

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