Editorial

Queimadas

A nossa região está particularmente vulnerável às queimadas por estar em uma área de transição entre dois biomas, Mata Atlântica e Cerrado

Começou na última segunda-feira em Sorocaba a celebração da Semana do Meio Ambiente. Como acontece todos os anos, o período está sendo marcado por atividades relacionadas ao tema, como exposições, visitas monitoradas a parques, plantio de árvores, doação de mudas entre outras ações, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da conservação das áreas verdes e da biodiversidade regional. Essas comemorações coincidem com a aproximação do inverno, período de acentuada estiagem na região, quando são comuns as queimadas em Sorocaba e cidades vizinhas, um dos maiores problemas ambientais da região.

Não é de hoje que a Prefeitura de Sorocaba e o Corpo de Bombeiros realizam campanhas para evitar as queimadas que aumentam consideravelmente neste período, quando um pequeno foco de incêndio conta com a ajuda do vento e do mato seco para se transformar em uma queimada de grandes proporções, que não só pode levar perigo às comunidades próximas, como provocar sérios problemas ambientais. Segundo levantamento realizado pelo 15º Grupamento de Bombeiros foi registrado um aumento de mais de 32% no número de queimadas de 2017 para 2018 em Sorocaba e 11 municípios da região. Foram 1.194 casos em 2017 e 1.581 ocorrências no ano passado. E as queimadas continuam a ocorrer. Do início do ano até meados de maio deste ano, a corporação já atendeu 211 ocorrências. Sorocaba detém certo pioneirismo na criação de brigadas especializadas em combater queimadas, que atendem principalmente pequenos focos em ambiente urbano para evitar que eles se propaguem. Este ano não vai ser diferente e uma equipe foi montada com funcionários do Saae para atender casos com viatura própria. Mas é importante que a população fique atenta e evite essas pequenas queimadas, pois para atender esses focos de incêndio, o Corpo de Bombeiros desloca equipes que poderiam estar atendendo outras ocorrências por solicitação da população.

A nossa região está particularmente vulnerável às queimadas por estar em uma área de transição entre dois biomas, Mata Atlântica e Cerrado. No período de estiagem o risco aumenta, pois o ar fica mais seco e a vegetação mais suscetível à ocorrência de incêndios naturais ou intencionais. Em bairros periféricos e no entorno da cidade, região chamada pelos pesquisadores de áreas rurais e de expansão urbana, ainda sobrevive o antigo costume de queimar lixo ou restos de vegetação após o corte, o que facilmente pode se transformar em focos de queimadas incontroláveis e de grandes proporções. Esses focos e essas queimadas que pioram a qualidade do ar são responsáveis pelo aumento de doenças respiratórias nas cidades, além de alergias que afetam os olhos e pele.

Mas a Semana do Meio Ambiente em Sorocaba não traz apenas informações preocupantes. Pesquisa realizada por ambientalistas mostra que a cidade possui aproximadamente 2.300 espécies em sua fauna e flora. Essas informações serão reunidas em publicação especializada que atualizará os dados sobre a biodiversidade do município. Os dados obtidos pelos pesquisadores foram divulgados no 2º Workshop Biodiversidade de Sorocaba, promovido pela Universidade Paulista (Unip) e pela Secretaria de Meio Ambiente de Sorocaba. A última publicação desse tipo foi feita há cinco anos. Com as novas informações cresce em 30% o número de espécies conhecidas no município.

Em um ambiente global particularmente agressivo ao meio ambiente com frequentes investidas contra as florestas naturais por pressão de interesses econômicos, é importante que a população se conscientize da necessidade de preservação do verde que ainda resta nas cidades e seus arredores. Mais que isso, para preservar ou melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, é preciso que se empenhe na reabilitação de ecossistemas comprometidos e cobre sempre das autoridades uma postura firme em defesa do meio ambiente.

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