Editorial

Protejam as escolas municipais

Sem segurança, Centros de Educação Infantil (CEIs) se tornam alvos fáceis de furtos

Se tem uma notícia que nós, aqui do Cruzeiro do Sul, estamos cansados de dar são aquelas que relatam furtos e vandalismo em algum CEI (Centro de Educação Infantil) de Sorocaba e região. Parece até matéria repetida — de tantas são as vezes que isso acontece. Infelizmente não é notícia duplicada.

Na madrugada de ontem, o alvo da vez foi o Centro de Educação Infantil 27 — Professora Christina dos Reis, situado na Vila Barão, na zona norte da cidade. O CEI foi invadido mais uma vez. A equipe escolar encontrou dois cadeados quebrados. Um botijão de gás e a tampa do registro de um hidrante foram furtados.

Trata-se simplesmente da 11ª — isso mesmo que você leu, DÉCIMA PRIMEIRA — vez que a mesma unidade sofre com esse tipo de crime. É absolutamente inacreditável o descaso das autoridades para esses casos recorrentes e repetidos. A sensação que dá é que dia sim e no outro também alguma CEI é furtada, invadida, roubada.

Uma brevíssima busca no histórico de matérias publicadas sobre esse assunto parece até erro de sistema, de tanto conteúdo similar que aparece. Por exemplo, há quatro meses, dois homens furtaram a fiação elétrica do Centro de Educação Infantil Cecília Pereira Dini (CEI 132), na Vila Isabel, zona leste de Sorocaba.

Por meio de denúncia anônima pelo telefone 153, agentes da Patrulha Comunitária se deslocaram até o local e perceberam dois homens carregando sacos pretos. Na abordagem foram localizados cabos elétricos, dois alicates e três chaves de fenda.

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Segundo os homens, eles entraram na escola pulando o muro. Os cabos foram reconhecidos pela direção do CEI 132, visto que haviam sido instalados naquele mesmo dia. Que coincidência, não?!

O CEI 87 Doutor Cássio Rosa, que também foi invadido em meados do ano passado, ainda não recebeu a reposição dos materiais furtados. De acordo com funcionários, torneiras, portas de vidros e as portas de algumas salas de aula foram levadas da unidade.

Já em dezembro, dois homens, de 35 e 33 anos, foram detidos suspeitos de furtar a fiação elétrica do Centro de Educação Infantil Arminda da Conceição da Silva Telo (CEI 107), no Parque São Bento, em Sorocaba. O caso também ocorreu durante a madrugada.

Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), para violar a escola eles usaram uma chave de fenda e um pé de cabra. Um dia depois, nova ocorrência do mesmo tipo, dessa vez na escola municipal Edward Frufru Marciano da Silva, no Jardim Botucatu.

A fiação do poste padrão instalado na instituição foi furtada, por volta das 21h50. Ninguém foi achado no local. Na unidade de ensino, os guardas ainda encontraram dois cadeados de acesso ao pátio estourados.

Ou seja, não precisa ser um gênio para ligar os pontos e ver que boa parte dos roubos mira fiação e cabos. Não precisa ter QI alto para se tocar que deve haver algum esquema de receptação desses produtos.

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Por que a Prefeitura e a Polícia não fazem algo conjunto para coibir isso? Ou melhor, antes de visar os receptadores, por que não melhoram a segurança nessas escolas? Não deve ser difícil. São bandidos pé de chinelo, que praticam o furto somente pela absoluta falta de qualquer segurança.

A população precisa lembrar que esses vândalos inescrupulosos não estão roubando algo do Estado de SP, do município. Eles estão roubando todos nós, cidadãos que seguimos as leis, pagamos nossos impostos e tentamos fazer o possível para andar na linha.

E não são apenas furtos que estão acontecendo nas escolas públicas. No mês passado, quatro funcionárias da CEI 82 Professor Benedito Marçal foram agredidas no bairro Júlio de Mesquita, em Sorocaba. Um indivíduo, com o rosto coberto, invadiu a unidade na tentativa de furtar a creche.

O criminoso ainda tentou estuprar uma das vítimas. O crime aconteceu em plena luz do dia, por volta das 13h. Uma funcionária voltava do almoço quando encontrou um homem vasculhando armários da secretaria. Ele a ameaçou com uma tesoura no pescoço, arrastou-a para o banheiro dos fundos da creche e rasgou suas roupas. A mulher lutou para não ser estuprada.

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O criminoso agrediu a vítima e a enforcou até ela desmaiar. Com o barulho, outras três funcionárias tentaram barrar o homem, que revidou e feriu as servidoras. Uma delas, ainda foi agredida na cabeça e teve o celular roubado. O agressor fugiu e um suspeito foi preso dias depois.

Foi somente quando aconteceu algo mais grave como essa ocorrência com vítimas que o poder público decidiu se manifestar. À época, a Prefeitura de Sorocaba anunciou que tomaria medidas para garantir o monitoramento das escolas. Pelo visto, nada disso foi feito. Ou então, foi mal feito, visto que as ocorrências e os furtos seguem acontecendo quase que diuturnamente.

Para encerrar o tema com chave de ouro do desdém, um relato de cair o queixo. Uma servidora de uma dessas CEIs que foram palco de furto revelou ao Cruzeiro, mediante anonimato, que uma praxe comum entre os funcionários e a Prefeitura é postergar a reposição de peças e estruturas furtadas para quando as aulas forem retomadas. Motivo? Se fizer a reposição antes, os ladrões acabam roubando os equipamentos novamente.

Que vergonha!

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