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Editorial

Problemas recorrentes

Ajudaria muito se a população perdesse o hábito de jogar lixo e embalagens plásticas na rua

Como acontece todos os anos, muitos sorocabanos têm enfrentado problemas com os temporais típicos do verão.

Chuvas em grande quantidade e de maneira frequente provocam uma série de transtornos em todas as cidades do mundo, embora algumas sejam mais preparadas para enfrentar as intempéries do que outras.

Em Sorocaba, não é diferente, e os problemas provocados pelas chuvas fortes repetem-se, há décadas, mais ou menos nos mesmos lugares.

Bairros como Jardim Maria do Carmo, Parque Vitória Régia, avenidas Dr. Afonso Vergueiro e 15 de Agosto, Vila São João, Jardim Abaeté frequentam o noticiário sobre chuvas e alagamentos há muito tempo.

Em comum, eles têm fato de ou estarem às margens do rio Sorocaba, muitas vezes no mesmo nível do rio, ou ficarem em fundos de vale, junto a córregos que ganham rapidamente volume durante as tempestades e que encontram dificuldades para escoamento.

A tendência é de aumento desses problemas em virtude da cada vez mais aumentar o grau de impermeabilização do solo.

Com a cidade praticamente toda impermeabilizada, a água da chuva transforma-se rapidamente em enxurradas que se deslocam com velocidade para as partes mais baixas da cidade.

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Nas décadas de 1960 e 1970, Sorocaba registrava todos os anos alagamentos na praça da Bandeira, em seu desenho original, na avenida Dr. Afonso Vergueiro, ainda com pista simples, de paralelepípedo, e a parte baixa de várias ruas perpendiculares como a Professor Toledo, Miranda Azevedo e Padre Luiz.

Jardim Abaeté e Vitória Régia eram ainda regiões rurais, e, se alagamentos ali ocorressem, somente o proprietário da área ficava sabendo.

O problema nessa região baixa da Afonso Vergueiro foi resolvido em parte com a canalização do córrego Supiriri, que hoje passa sob o canteiro central da avenida.

A canalização deu resultado por muitos anos, mas com o aumento da malha urbana e consequentemente das áreas impermeabilizadas, o local voltou a apresentar problemas.

A avenida sofre alagamentos frequentes, mas, o problema mais sério, o Saae está tentando resolver com uma obra de vulto: o aumento da vazão do córrego que há anos causa enchentes na Vila São João, um bairro localizado entre a Vila Santa Terezinha e ferrovia.

O Saae está trocando as linhas de tubos de 1,5 m de diâmetro por aduelas retangulares de concreto, cada uma medindo 4 metros de comprimento por 2 metros de altura.

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As linhas de tubo eram insuficientes para a drenagem do local e causavam as enchentes.

Em outras regiões, dificilmente algum tipo de obra poderá resolver o problema das enchentes, a não ser a limpeza de galerias e bocas de lobo.

Ajudaria muito se a população perdesse o hábito de jogar lixo e embalagens plásticas nas ruas, responsáveis por boa parte dos alagamentos e entupimentos de bueiros.

Como se sabe, as várzeas que acompanham o curso dos rios são locais de expansão natural do curso d’água.

Quando o volume de água excede a capacidade do leito do rio, ela espalha-se pela várzea, até que o rio volte a seu nível normal.

Ocorre que o homem tem por hábito ocupar essas várzeas com construções.

Em Sorocaba, a avenida Dom Aguirre e outras que margeiam o rio Sorocaba estão exatamente sobre as áreas de expansão do rio e, eventualmente, são tomadas pelas águas.

Há pouco a fazer nesses casos, a não ser desviar o trânsito e impedir acidentes.

O Parque das Águas nada mais é que uma ocupação inteligente de uma área alagadiça.

Com a construção do parque, evitou-se que o local se mantivesse como um brejo insalubre com eventuais ocupações irregulares para moradias.

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Como os equipamentos do parque não se deterioram com as enchentes, ele pode ser utilizado a maior parte do ano.

O problema mais sério para o poder público municipal é a criação de loteamentos em áreas inundáveis, ou mesmo a ocupação irregular dessas áreas.

Muita gente comprou lotes em bairros da zona norte da cidade que estavam praticamente abaixo do nível do rio Sorocaba.

Os compradores só perceberam o problema após a primeira cheia do rio.

Quando há moradias construídas, o problema fica sério, pois há vidas humanas em risco.

Em várias oportunidades, a prefeitura desapropriou esses imóveis e depois os demoliu para que as famílias em situação de risco mudassem para lugares mais seguros.

Há loteamentos, que hoje sofrem com enchentes, que foram aprovados pela prefeitura e tornaram-se fonte inesgotável de problemas.

É muito importante que a aprovação de loteamentos nessas condições não se repita.

A fiscalização sobre a ocupação criminosa de locais próximos às margens do rio ou de córregos precisa ser rigorosa, para que não surjam loteamentos clandestinos e ocupações irregulares que estarão sujeitos a inundações no próximo período de chuvas.

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