Editorial

Por mais policiais na região

Dados divulgados pelo Monitor da Violência apontam que houve uma queda de 22% no número de mortes violentas

Pesquisas divulgadas recentemente mostram que há retração na criminalidade em praticamente todos os Estados brasileiros, sobretudo de crimes violentos. Dados divulgados pelo Monitor da Violência apontam que houve uma queda de 22% no número de mortes violentas no primeiro semestre deste ano.

Em seis meses, foram 21.289 assassinatos contra 27.371 no mesmo período do ano passado, 6 mil a menos. Mesmo assim, o número de homicídios ainda é bastante alto: é registrada uma morte violenta a cada 12 minutos, 118 por dia. A redução dos homicídios ocorreu principalmente em Estados do Nordeste, recordistas nesse tipo de ocorrência.

No Estado de São Paulo, segundo análise do Instituto Sou da Paz, a partir de dados da Secretaria de Segurança Pública, houve no ano passado uma redução de crimes violentos em 57% dos municípios do Estado. Os piores dados são de cidades do litoral.

O Estado de São Paulo se mantém como a unidade da federação com menor índice de homicídios do País, pouco acima de nove mortes por 100 mil habitantes e vem servindo de referência para as regiões que querem diminuir a criminalidade.

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Embora os números sejam favoráveis, é importante que a queda na criminalidade continue, pois ainda há muita violência nas ruas, como diariamente mostra o noticiário policial deste jornal. E para que isso aconteça, é primordial que as polícias Militar e Civil melhorem seu desempenho no combate à criminalidade.

Mas para que isso aconteça, há necessidade urgente do aumento do número de policiais, um problema que afeta várias regiões do Estado e a de Sorocaba é uma delas.

A situação mais grave parece ser a da Polícia Militar. Há vários anos setores solicitam o aumento do efetivo policial no município.

Recentemente, um cidadão representante de movimento político denunciou que Sorocaba possui um efetivo de policiais militares abaixo da média nacional e estadual. O efetivo também estaria abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O Ministério Público, com base nessa denúncia, abriu uma investigação. De acordo com documento apresentado ao MP, a cidade teria em média um policial para cada 814 habitantes. A ONU preconiza um policial para cada 250 habitantes.

O documento que serve de base para a investigação do MP mostra ainda que a média nacional é de um policial para 473 habitantes e a média estadual, de um para 488.

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A situação não é muito diferente no âmbito da Polícia Civil. Levantamento divulgado pela Associação dos Delegados de Polícia de São Paulo no mês de maio deste ano mostrava que havia déficit de 658 profissionais na região da Deinter-7 de Sorocaba, que abrange 78 municípios, com base em informações de 2018.

Há carência de delegados, investigadores, escrivães, papiloscopistas, agentes policiais e de telecomunicações. A falta de policiais se reflete, por exemplo, na morosidade com que a população é atendida nas delegacias e distritos policiais. Estaria também prejudicando a investigação criminal no Estado, por carência de profissionais.

Presentes em cerimônia festiva no CPI-7 na última sexta-feira, deputados que representam a região e o senador Major Olímpio (PSL), líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, engajaram-se na luta pelo aumento dos efetivos policiais na região.

O senador lembrou que há uma promessa do governador João Doria (PSDB) para a criação de um Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), que já existe em várias regiões e em municípios de menor porte que Sorocaba.

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Há uma mobilização da Secretaria de Segurança Pública para aumentar o efetivo das duas polícias. No mês de junho o governador autorizou a abertura de concursos para a contratação de 2.750 policiais civis e 189 técnico-científicos.

No dia 15 de agosto a Polícia Militar abriu inscrições para concurso em que serão selecionados 2.700 novos policiais militares. Os concursos, uma medida elogiável, possibilitarão a contratação de um número reduzido de policiais que terão de fazer cursos nas academias de cada corporação até serem integrados nos batalhões e delegacias.

Com número tão reduzido, os novos policiais serão espalhados por todo o Estado e dificilmente suprirão as carências na região de Sorocaba. A criação de um novo batalhão da PM na cidade, como acenou o governador, e o reforço imediato de pessoal na Polícia Civil são fundamentais para o combate ao crime nesta região do Estado. Um retrocesso na queda da criminalidade agora seria um erro injustificável.

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