Editorial

População mais velha

Os dados divulgados mostram que a população de Sorocaba continua crescendo e atingiu a marca de 679.378 habitantes

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como faz rotineiramente, atualizou a projeção de crescimento populacional do Brasil e divulgou o resultado há alguns dias. Os dados têm como base o Censo de 2010, uma vez que somente no ano que vem será realizado um novo Censo de abrangência nacional. Os dados divulgados mostram que a população de Sorocaba continua crescendo e atingiu a marca de 679.378 habitantes, o que a coloca como o 31º município mais populoso do País que, em sua totalidade somou mais de 210 milhões de habitantes, com uma taxa anual de crescimento de 0,79%. A projeção oficial mostra que o Estado de São Paulo continua sendo a mais populosa unidade da federação, com 45,9 milhões de habitantes e concentrando 21,9% da população total do Brasil, seguido por Minas Gerais (21,2 milhões) e Rio de Janeiro (17,3 milhões), os três localizados na região Sudeste do país.

O Censo, assim como projeções de crescimento são essenciais para a elaboração de políticas públicas, é uma forma de orientar as autoridades para os setores que mais precisam de investimentos nas áreas de saúde, educação, segurança, entre outros. Apesar de apresentar crescimento populacional desde que foi feito pela primeira vez, em 1872, quando a população totalizava 9,9 milhões de habitantes, o Censo Demográfico vem apontando que o crescimento populacional tem desacelerado, isto é, a cada ano a população cresce menos. Os especialistas nessa área apontam alguns motivos para a desaceleração do crescimento e o principal deles é a redução da taxa de fecundidade. Outro agravante é que as mulheres estão engravidando mais tarde, principalmente por conta de sua inserção no mercado de trabalho, e a relação entre idosos e jovens está diminuindo. Há que se considerar também a melhora na expectativa de vida da população na última década, coincidindo com a queda gradativa da fecundidade. A expectativa de vida em 2060 será de 81 anos para os brasileiros. Em 2018 era de 76,2 anos.

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O próprio IBGE calcula que a população ainda crescerá pelos próximos 29 anos, até 2047, quando o Brasil atingirá, segundo projeções do instituto, 233,2 milhões de habitantes. Nos anos seguintes a população vai diminuir até atingir 228 milhões em 2060, quando o país terá mais idosos que jovens. Nesse mesmo ano o país terá 736 óbitos a mais do que nascimentos, ainda segundo estimativas do IBGE.

Esse inevitável envelhecimento da população, um fenômeno que avança com mais velocidade em alguns países do primeiro mundo, precisa ser encarado como um alerta, um desafio para que o País se prepare para essa nova realidade. O número de idosos com mais de 60 anos vai dobrar em três décadas e deverá triplicar até 2100, segundo a ONU. Em Sorocaba, no Censo de 2010 a população de idosos já era bastante significativa. Tínhamos, quase dez anos atrás, mais de 64 mil pessoas com mais de 60 anos. E é á própria ONU que afirma que o envelhecimento da população está para se tornar uma das transformações sociais mais significativas deste século, com implicações em todos os setores da sociedade. Será preciso investir na saúde dos idosos, mercado de trabalho, demandas por bens e serviços, planejar transportes, residências e abrigos e serviços de proteção social. Ou seja, repensar toda a infraestrutura urbana que será oferecida à população, com ênfase no acesso aos serviços de saúde, uma questão fundamental para os idosos.

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Não é por acaso que foi realizado na semana passada em Sorocaba, um simpósio promovido pela Associação de Geriatria de Sorocaba (Ages), reunindo geriatras, neurologistas, clínicos e psiquiatras, entre outros profissionais, para uma série de palestras e troca de experiências sobre os efeitos do envelhecimento, com ênfase no controle de possíveis doenças que os idosos possam ter, nas palavras de um dos organizadores. A tendência é que eventos como esse, nos mais diversos setores, sejam realizados com maior frequência para o debate e troca de experiências. E é de vital importância que o poder público também realize seminários desse tipo ou encontros com especialistas para discutir o futuro da cidade e os desafios que teremos pela frente.

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