Editorial

Paixão por animais

Agressões contra animais, infelizmente, ainda acontecem com frequência

Imagens gravadas por câmeras de vigilância, que mostravam um cãozinho sendo abandonado dentro de um saco de pano em uma região onde existem vários condomínios no Jardim Novo Eldorado, comoveram os sorocabanos. Divulgadas pelo Cruzeiro on-line, foi possível ver quando o animal foi deixado sozinho. O carro das pessoas que queriam se desfazer do animal chegou a passar por cima de uma de suas patas. O cão foi socorrido por moradores do bairro que, bastante revoltados, se mobilizaram para conseguir alguém que se interessasse em ficar com o cãozinho.

Notícias como essa mobilizam a opinião pública. A morte a pauladas da cachorrinha Manchinha por um segurança de um hipermercado de Osasco foi impactante. A agressão, também gravada por câmeras de segurança, causou comoção nacional, provocou protestos em várias cidades e fez com que a rede de supermercados adotasse uma série de medidas e parcerias para amparar e reduzir animais abandonados.

Agressões contra animais, infelizmente, ainda acontecem com frequência. Durante uma conferência realizada no mês passado pela OAB de Sorocaba para debater os maus-tratos contra animais, a representante da Ouvidoria Geral da Prefeitura informou que durante o ano passado 626 registros dessa natureza chegaram à administração municipal. Nos três primeiros meses deste ano foram computadas 232 ocorrências desse tipo nos canais de comunicação da Prefeitura, o que inclui as linhas diretas 156 e 153. Para aproximadamente 200 ocorrências foram encaminhadas respostas ou providências e, até aquela data, em 32 as providências estavam em andamento. O município de Sorocaba tem legislação atualizada com relação à crueldade contra animais. Em novembro do ano passado foi aprovada uma lei de iniciativa de um vereador que especifica 34 formas de maus-tratos e altera legislação que já existia. A nova lei prevê multas severas e novas tipificações para esses casos. Em casos de maus-tratos que provoquem a morte de animal, o infrator está sujeito ao pagamento de multa de R$ 4 mil; em caso de lesões decorrentes de maus-tratos, a multa é de R$ 3 mil e no caso de maus-tratos que não causem lesões a multa é de R$ 1 mil. Está prevista também multa de R$ 3 mil para abandono de animal sadio ou doente. Também na Câmara de Sorocaba foi arquivado a pedido do autor o projeto que pretendia alterar a legislação municipal, permitindo a prática de modalidades esportivas com cavalos e muares no município. A venda de animais silvestres, embora continue ocorrendo, é crime e tem legislação federal específica.

Sorocaba tem hoje mais de 200 mil animais domésticos, entre cães e gatos e há que se destacar o trabalho que vem sendo realizado pela Prefeitura com os mutirões de castração gratuita de animais domésticos, que garante o controle populacional desses animais e diminui a probabilidade de várias doenças. As feiras de adoção de animais promovidas quase que semanalmente e que contam com o auxílio de entidades que se dedicam à causa também são iniciativas elogiáveis. Animais domésticos despertam paixões. Muita gente se lembra da mobilização provocada pela descoberta de um canil que funcionava clandestinamente em Piedade em fevereiro deste ano. Dezenas de voluntários se apresentaram para abrigar os animais enquanto eram realizadas as investigações. Como se trata de um assunto pelo qual as pessoas se apaixonam, é preciso sempre manter o bom senso e evitar radicalizações. Criar movimentos proibindo a criação e comercialização de animais é uma iniciativa, no mínimo, discutível. Sem que muitas pessoas se dediquem à criação de animais, mesmo que para o comércio, várias raças de cães e gatos, por exemplo, podem ficar ameaçadas. Não podemos esquecer que o cão, o primeiro animal domesticado segundo os pesquisadores, passou por aprimoramentos genéticos supervisionados pelo homem para chegar ao que é hoje, inclusive com essa variedade de raças com aptidões diferentes. Adotar um vira-lata abandonado é extremamente louvável, mas não há nada de errado em uma pessoa querer ter um cão de guarda de determinada raça ou um cãozinho de companhia. O que é preciso é que os criadores de animais sejam orientados e fiscalizados com rigor, para que os animais sejam tratados de maneira correta.

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