Buscar no Cruzeiro

Buscar

Ônibus Rápido quase parando

29 de Janeiro de 2019 às 09:13

A implantação do sistema BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) em Sorocaba é a principal obra da atual administração municipal. Seu objetivo é modernizar o sistema de transporte público da cidade facilitando o deslocamento de pessoas e melhorando as condições gerais do trânsito. O investimento para essa obra é vultoso: R$ 384 milhões. Para isso foi formado um consórcio do qual participam duas empresas de grande porte, um grande financiamento do governo federal por meio do Ministério das Cidades (R$ 133 milhões), uma pequena contrapartida da Prefeitura (R$ 6,6 milhões). O restante do investimento ficará por conta das empresas que participam do consórcio. São 68 km de vias, três terminais integrados, quatro estações de integração e uma garagem. O prazo de concessão para o consórcio será de 20 anos e este terá que adquirir 125 ônibus entre veículos do tipo Padron e articulados, todos equipados com ar-condicionado e Wi-Fi para os usuários.

Dotar a cidade de um sistema moderno de transporte coletivo também foi o objetivo do ex-prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). Por uma série de problemas, sendo o mais sério deles a crise econômica que atingiu o país, com consequente queda de receita no município, o projeto só andou no seu aspecto burocrático, ou seja, os encaminhamentos junto a organismos oficiais para a liberação dos recursos. O projeto do BRT de Sorocaba prevê a implantação de três corredores principais, acompanhando as avenidas Itavuvu, Ipanema e Armando Pannunzio e faixas exclusivas em outras vias. Como trecho inicial os técnicos optaram pela avenida Itavuvu, pois representa uma região bastante povoada e que deverá ser o mais movimentado do sistema.

No dia 21 de setembro do ano passado, em solenidade realizada no local, com a presença do prefeito José Crespo (DEM), secretários e autoridades, a Prefeitura deu por iniciadas as obras do BRT naquela avenida. O trabalho inicial consistia na preparação do canteiro de obras e remoção de interferências da via exclusiva dos ônibus: postes, fiação, guias etc. O secretário de Mobilidade e Acessibilidade e presidente da Urbes, Luiz Alberto Fioravante, disse à época que as interdições seriam divididas em trechos de 300 metros, o que não aconteceu. Na solenidade foi anunciado que as obras no Corredor Itavuvu durariam cinco meses e que trechos do canteiro central seriam interditados e cercados por tapumes para a realização dos remanejamentos necessários. Atualmente a Prefeitura não estabelece mais prazos para a conclusão daquele corredor. Informa que a implantação de todo o sistema vai durar 18 meses, com conclusão prevista para 2020.

A reportagem deste jornal esteve na semana passada na avenida visitando os pontos isolados por tapumes onde deverão ser construídas três estações (Dr. Pitico, Lauro Sanches e Vila Carol), locais onde os trabalhos deveriam estar acontecendo. Constatou que nesses locais não há máquinas nem funcionários de empreiteiras trabalhando. Em alguns pontos cresce mato e há roupas espalhadas, sinal de que os tapumes estão servindo para dar privacidade a moradores de rua. A situação provoca críticas de moradores e comerciantes da via e imediações, sem contar que vários trechos da ciclovia de grande movimento foram fechados.

Note-se que esses canteiros de obras praticamente abandonados, representam a parte preparatória e inicial da implantação do primeiro dos três corredores previstos. Além de adequar a via exclusiva e construir estações ao longo da avenida Itavuvu, será preciso ainda a adaptação de faixas exclusivas para o sistema nas ruas Hermelino Matarazzo e Comendador Oeterer. Em termos de obras, nada foi feito para a implantação do BRT nos outros corredores, bem mais complicados, diga-se de passagem. Além de estações e pistas exclusivas nos outros dois grandes eixos (avenidas General Carneiro/Armando Pannunzio e avenida Ipanema), serão necessárias adequações significativas em avenidas como a Antônio Carlos Comitre, Pereira Inácio e Washington Luiz. Ou seja, muito provavelmente a atual administração sequer conseguirá concluir as obras do primeiro corredor com todas as estações e intervenções viárias necessárias, ou então vai acelerar as obras ao máximo para concluí-las até a próxima eleição. No ritmo em que as obras avançam atualmente, o projeto completo só será concluído pela próxima administração municipal. Um trabalho extremamente lento para uma obra considerada prioritária e que poderia ser vitrine da atual administração.