Editorial

Obras do BRT

O projeto deverá atender os corredores das avenidas Itavuvu, Ipanema e Armando Pannunzio, além de faixas exclusivas em outras vias

Com alguns anos de atraso, começaram as primeiras intervenções para a implantação em Sorocaba do sistema BRT (Bus Rapid Transit), um sistema de transporte coletivo já testado em várias cidades brasileiras e que se distingue pela rapidez e eficiência proporcionados pela linha exclusiva de circulação e ônibus de grande porte ou articulados. O BRT foi uma das grandes bandeiras do governo de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), que conseguiu avançar com o projeto, mas por conta de contratempos técnicos e, principalmente, efeitos da crise econômica, não conseguiu dar início às obras.

A primeira intervenção para a implantação do sistema, que precisa de corredores exclusivos de trânsito e sem interferências, começou na rua Atanázio Soares, que vem recebendo uma rede de distribuição de água da avenida Itavuvu, retirada para a troca de pavimentação.

O BRT Sorocaba é um consórcio formado pelas empresas CS Brasil e MobiBrasil, responsável pelas obras civis do projeto, e que terá a concessão para operar o sistema durante 20 anos. Serão 68 quilômetros de vias, três terminais integrados, quatro estações de integração e uma garagem. A previsão é que circulem 125 ônibus divididos em 73 do tipo padron, 11 de 15 metros de comprimento e 41 ônibus articulados, todos equipados com ar-condicionado e wi-fi, um padrão bastante superior ao que temos hoje. O projeto deverá atender os corredores das avenidas Itavuvu, Ipanema e Armando Pannunzio, além de faixas exclusivas em outras vias.

A implantação do BRT requer um investimento alto de alterações no conceito de transporte coletivo só comparável à implantação do sistema de terminais ocorrido no primeiro governo de Antonio Carlos Pannunzio (1989-1992) e que tinha como presidente da Urbes e responsável pelo projeto o atual prefeito José Crespo (DEM). Serão investidos, segundo informações oficiais, R$ 384 milhões dos quais R$ 133 milhões serão repasses do Ministério das Cidades, por meio de financiamento e R$ 6,6 milhões de contrapartida do município. O restante do investimento deverá ser obtido pelo consórcio por meio de financiamento privado.

O prefeito Crespo está dando continuidade ao projeto de seu antecessor, pois o mesmo já estava adiantado e alguns contratos encaminhados. Na realidade, Crespo sempre demonstrou preferência pela implantação do sistema conhecido com VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, que fez parte de seus compromissos de campanha. No início do mês de agosto a Prefeitura de Sorocaba lançou o edital de chamamento público para atrair empresas interessadas na elaboração de estudo para implantação operação e manutenção do sistema VLT.

A intenção é implantar um sistema semelhante a um metrô de superfície aproveitando a ferrovia já existente para ligar as regiões oeste e leste da cidade, formando um corredor entre George Oeterer, em Iperó, e Brigadeiro Tobias, com potencial para transportar entre 150 mil e 200 mil pessoas por dia, segundo a Prefeitura. O projeto, entretanto, ainda patina. A intenção do governo municipal é colocar em funcionamento o primeiro trecho — de George Oeterer ao Centro de Sorocaba — até agosto de 2020, um prazo, convenhamos, difícil de cumprir.

Embora aparentemente o VLT tenha uma implantação mais simples, uma vez que a linha férrea está lá, há necessidade de autorização e um complexo plano de coordenação do uso das linhas; construção de estações de embarque e desembarque com passarelas para os passageiros passarem de um lado para outro da linha e interligações com o transporte de ônibus. Certamente um trabalho muito complexo para o pouco tempo que resta de mandato do prefeito.

Obras que exigem intervenções em avenidas de grande movimento são sempre complicadas. A previsão das adequações na avenida Itavuvu, que já começaram, é de cinco meses, mas mesmo assim o BRT terá implantação mais rápida que o projeto usando a malha ferroviária. O poder público tem a obrigação de investir seus recursos e esforços no modal que traga maiores benefícios para a população com menor custo e no prazo mais curto. O sistema de transporte atual — e a queda no número de usuários é uma prova disso — já não atende plenamente seu objetivo.

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