Editorial

O melhor e o pior do brasileiro

Bastou a cidade Serrana, no interior de SP, ser anunciada como local do experimento de vacinação em massa, para a malandragem começar

Você certamente já ouviu as expressões “o melhor do Brasil é o brasileiro” e também “o pior do Brasil é o brasileiro”. Ambas se justificam. São muitos os exemplos. No campo da personalidade, o melhor do Brasil aparece na forma de um povo receptivo, aberto, festeiro, risonho. O melhor do Brasil é o brasileiro também aparece na música, literatura, artes, esportes e em tantos outros segmentos.

Uma das principais características desse melhor do Brasil é a criatividade do brasileiro. Talvez forjada por 520 anos enfrentando e driblando dificuldades, o brasileiro é um dos povos que mais conseguem se adaptar a qualquer situação. Somos criativos por natureza. Muitas vezes, até diante de golpes e malandragens absolutamente impensáveis, ouvimos a frase “ah, se o brasileiro usasse essa criatividade para o bem em vez da malandragem…”.

No campo profissional, essa criatividade resultou em dezenas de Leões de Ouro conquistados pela publicidade verde e amarela nos Festivais de Cannes, por exemplo. Ou nas manifestações artísticas, nas novelas tipo exportação, no gingado do futebol e em praticamente todas as áreas.

Mas daí surge, infelizmente, “o pior do Brasil é o brasileiro”. A mais recente constatação disso vem de Serrana (SP), município do interior de São Paulo localizado na região metropolitana de Ribeirão Preto, com cerca de 45 mil habitantes.

A cidade foi escolhida para um teste de vacinação em massa contra a Covid-19, no qual serão analisados as consequências de uma imunização em larga escala. Até abril, ao menos 30 mil moradores devem ser imunizados nesse estudo que quer avaliar a eficiência da vacina na diminuição da transmissão da doença.

Leia mais  As redes sociais e o cancelamento

Pelas regras da pesquisa, todos os adultos acima de 18 anos moradores da cidade que não tenham doenças graves podem participar da imunização. Mulheres grávidas estão excluídas, pois as doses ainda não foram testadas nesse grupo.

Pois bem, o anúncio da escolha de Serrana para tal experimento foi feito no último sábado (6). E já na segunda-feira (8), a cidade se deparou com ese “pior do brasileiro”. Nem bem amanheceu e os telefones das imobiliárias do município começaram a tocar sem parar.

Do outro lado da linha, clientes do Brasil inteiro, sobretudo do estado de São Paulo. Todos querendo alugar moradia, comércio ou qualquer coisa na região. Motivo? Tentar dar um drible nas regras e conseguir ser vacinado contra o coronavírus.

Felizmente, ao menos na teoria, há um controle quanto a isso. A Secretaria Municipal de Saúde de Serrana informou que as pessoas que se mudarem para a cidade nos próximos dias não poderão tomar a vacina contra a Covid-19. Um censo da saúde já foi feito na cidade em 2020 e moradores que não participaram do levantamento só serão cadastrados mediante apresentação de documentos.

Leia mais  Valorização da nossa memória

Segundo o Butantan, Serrana foi escolhida para o projeto inédito por ter passado por um inquérito sorológico para saber a prevalência do novo coronavírus na população. Os resultados apresentaram números elevados. Em uma das fases, ficou demonstrado que 5% dos moradores estavam ativos para a Covid-19.

Além disso, o município tem cerca de 10 mil habitantes que se deslocam diariamente para a região por conta de trabalho, o que pode favorecer a propagação do novo coronavírus, de acordo com a metodologia da pesquisa. Por fim, Serrana fica próxima a Ribeirão Preto, importante polo de saúde do estado, que fornece estrutura de apoio para o estudo.

Os imunizantes destinados a Serrana são exclusivos para o estudo e não interferem na distribuição pelo País. O projeto pretende iniciar a vacinação em massa no próximo dia 17 de fevereiro.

MANGA E BOLSONARO

Leia mais  Um exemplo que precisa ser imitado

Repetindo o que já foi escrito neste espaço, uma das obrigações do jornalismo é criticar o que está errado, cobrar quando algo precisa ser cobrado e elogiar quando isso é merecido.

E assim como aconteceu quando conseguiu articular e pressionar o governo estadual a rever a fase vermelha de Sorocaba e região no Plano SP de combate à pandemia, mais uma vez o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) merece elogio.

Goste ou não de Manga, goste ou não de Bolsonaro, o encontro que o prefeito de Sorocaba teve com o presidente da República, anteontem em Brasília, foi mais um gol anotado por Manga.

Independentemente de partido político, de ideologia, de concordar ou não com pensamentos e atitudes, um prefeito ser recebido pelo presidente é sinal de prestígio pessoal, político e também da cidade — lembrando que o País possui nada menos do que 5.570 municípios. E sem juízo de valor, o que importa é o resultado prático desse contato. Nesse sentido, o apoio do governo federal pode significar atenção e frutos para Sorocaba e região.

Comentários