Editorial

O efetivo dos bombeiros

Com frequência os veículos de comunicação publicam que há uma carência de policiais militares em Sorocaba e na região. Com um único batalhão para uma cidade que tem quase 700 mil habitantes, o argumento principal dos reclamantes é que o contingente não aumenta há anos, apesar do crescimento acelerado do município. Essa defasagem força Sorocaba a aumentar cada vez mais o número de guardas municipais, equipar a GCM com viaturas e armamentos para atuar em uma área — a da segurança pública — que é obrigação do governo estadual. Dias atrás, um relatório elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) informa que o efetivo do Corpo de Bombeiros em Sorocaba é quatro vezes menor do que o necessário para atender a população. O relatório do tribunal se baseia na média dos países membros da Associação Internacional de Fogo e Salvamento (CTIF) que registra efetivo de 0,0493% para o total de habitantes. Levantamento que teve por base dados oficiais do Comando Geral do Corpo de Bombeiros, a cidade de Sorocaba conta com 91 bombeiros em seu efetivo, o que representa 0,0139% da população. Por seu lado, o Corpo de Bombeiros contesta essas informações e afirma que não reconhece a metodologia usada no estudo como sendo oficial. O CB informa que a mensuração de seu efetivo é feita por norma interna.

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O estudo do TCE-SP mostra ainda que, das 27 cidades da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), somente 10 têm unidades operacionais dos bombeiros. Com isso, dos 2,05 milhões de habitantes da RMS, mais de 490 mil estão desassistidas pela corporação. O levantamento da Corte de Contas é mais amplo e envolve todo o Estado, onde o déficit seria de, pelo menos, 13 mil profissionais, uma vez que conta com apenas 39% do efetivo necessário para atender a população. O efetivo atual seria de 8,6 mil bombeiros militares, incluindo profissionais de carreira, parciais e voluntários, para atender uma população de mais de 44 milhões de habitantes. Segundo a entidade internacional, o ideal é a presença de um bombeiro para cada mil habitantes.

As reclamações sobre o baixo número de bombeiros para atender Sorocaba e cidades da região não são propriamente uma novidade. Em fevereiro de 2012, por exemplo, o Cruzeiro do Sul publicou uma reportagem informando que, de acordo com critérios estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), Sorocaba tinha três vezes menos bombeiros do que era recomendado. Os 600 mil habitantes de Sorocaba à época eram atendidos por 172 integrantes da corporação, distribuídos em três sedes na cidade: Cerrado, ao lado do quartel do CPI-7, no bairro de Santa Rosália e no bairro do Éden, junto à zona industrial. O curioso é que Sorocaba tinha mais bombeiros do que tem hoje, se os números foram divulgados corretamente, e mostrava que naquela época não havia uma unidade dos bombeiros em 507 dos 645 municípios paulistas. A disparidade entre o número de bombeiros preconizado pela ONU e os existentes no Estado de São Paulo — o Estado mais rico e industrializado do País — foi levada por vários parlamentares para a Assembleia Legislativa onde foi tema de debates acalorados, mas que não surtiram efeito, se analisarmos a situação atual.

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O Corpo de Bombeiros de Sorocaba teve sua primeira unidade inaugurada em Sorocaba há 58 anos. A criação da unidade havia sido aprovada em 1950 quando aqui ainda existia o 7º Batalhão de Caçadores da Força Pública de São Paulo, antecessor do 7º BPM-I. Incêndios que ocorreram em Sorocaba no final dos anos 1950 — em uma fábrica de velas e em uma papelaria no Centro — assustaram a população que viu as chamas serem combatidas com baldes por soldados da Força Pública e da Guarda Civil. O Corpo de Bombeiros foi inaugurado em 1962 pelo então prefeito Artidoro Mascarenhas, o Dr. Pitico, que construiu a primeira unidade, no bairro do Cerrado, ao lado do quartel. Com o crescimento da cidade foram necessárias outras unidades como a de Santa Rosália, do Éden e da zona norte da cidade. A distribuição dos bombeiros em várias regiões tem como objetivo diminuir o tempo de atendimento das unidades. É deslocada a equipe que estiver mais próxima do incêndio, por exemplo. A grande modernização dos equipamentos da unidade, como a compra da primeira escada Magirus e novos carros auto bomba ocorreu no início dos anos 1980, melhorando as condições técnicas dos bombeiros em combater incêndios e outros tipos de incidentes.

O 15º Grupamento de Bombeiros, com sede em Sorocaba, atende dezenas de municípios da região.

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Além da atualização de equipamentos, a corporação que sempre realizou trabalhos importantíssimos, precisa ter pessoal suficiente e treinado para atender as demandas de uma região de grandes dimensões. Perder a qualidade de atendimento por falta de pessoal seria uma situação inadmissível.

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