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O dilema das barreiras sanitárias

30 de Março de 2021

É absolutamente compreensível que, numa época de exceção como a atual, as mais diversas táticas e iniciativas sejam tomadas para tentar minimizar os devastadores efeitos da pandemia.

Quando o Covid surgiu, por exemplo, ninguém poderia prever que duraria tanto tempo, nem que causaria a morte de tanta gente ao redor do mundo, além de afetar sobremaneira a economia.

Chega um momento, portanto, em que lançamos mão de tudo o que é possível, até mesmo medidas cuja eficiência prática é discutível.

Um desses exemplos podem ser as barreiras sanitárias montadas por várias prefeituras no Estado de São Paulo, sobretudo em cidades litorâneas e em algumas do interior.

Em Sorocaba, elas entraram em ação na quinta-feira (25), às vésperas do megaferiado antecipado na capital paulista. Foram montadas barreiras sanitárias em cinco pontos da cidade.

Em cinco dias, elas abordaram 19.613 veículos, principalmente aqueles com placas de outros municípios. Nesse período, 37.085 pessoas, entre motoristas e passageiros, também tiveram a temperatura corporal aferida e foram orientadas a evitar circulação desnecessária na cidade. As barreiras vão funcionar até o dia 4 de abril.

Por um lado, as barreiras podem ter ajudado. Do ponto de vista de ocorrências de aglomerações, foi o fim de semana mais tranquilo deste ano em Sorocaba, segundo o secretário de Segurança Urbana, coronel Vitor Gusmão.

É preciso destacar, contudo, que o principal papel delas é o preventivo, para tentar inibir o acesso de moradores de outras cidades. A questão é que as barreiras sanitárias ainda têm pouco poder de ação.

O trabalho de orientação é bem importante, claro, mas elas acabam não podendo exercer o papel de efetivamente barrar alguém ou um grupo de pessoas suspeitas.

O empenho das equipes da Guarda Civil Municipal (GCM), de agentes de trânsito, profissionais da área da saúde e da Polícia Militar (PM) na abordagem dos veículos é válido e merece ser elogiado.

Casos de pessoas em estado febril ou com suspeita de Covid-19, identificados nas barreiras sanitárias, são orientados a seguir até uma unidade de saúde.

Mas mesmo situações suspeitas ou evidências de possíveis aglomerações não podem sofrer uma intervenção mais rígida. As pessoas podem até ser orientadas a retornar para o município de origem, mas é apenas uma orientação, nada além disso.

O problema é que diante da insistente desobediência de parte dos brasileiros que não respeitam leis e regras, talvez tenhamos chegado a um ponto em que a orientação já não resolve mais.

Acontece o mesmo nas barreiras sanitárias de algumas cidades litorâneas. No caso delas, o que mais desestimula a chegada de turistas é a fila que a barreira impõe.

Além disso, em alguns municípios, como São Sebastião, no litoral norte, são feitos testes rápidos da Covid. Mesmo com todo esse protocolo, as praias do litoral do Estado apresentaram razoável movimento no final de semana.

Diante de tudo isso, os comentários feitos pelos internautas em todas as matérias sobre o tema nas redes sociais do Cruzeiro do Sul refletem bastante qual é o pensamento generalizado.

A enorme maioria se mostra indignada com a falta de respeito às regras para se tentar diminuir o contágio. Muitos invocam atitudes mais duras aos furões de isolamento e sem educação que insistem em se aglomerar e fazer reuniões, festas etc.

É consenso entre os opinadores de plantão que muitas pessoas só vão respeitar as medidas se sentirem na pele alguma consequência.

Mesmo sendo praticamente impossível colocá-la em prática por conta de uma série de direitos pessoais, uma delas seria “fichar os furões” e aplicar uma punição justa e exemplar. Fica a sugestão!