Editorial

O cão labrador de Bush

Sully é um cão treinado e foi levado para a casa do ex-presidente assim que a ex-primeira-dama Barbara Bush faleceu

A foto do cão labrador Sully deitado em frente ao caixão do ex-presidente norte-americano George H. W. Bush foi talvez a imagem mais reproduzida no mundo nos últimos dias. Foi capa de jornais, inclusive do Cruzeiro do Sul, ilustrou noticiário televisivo e inundou as redes sociais. A história do cão é emocionante. Sully é um cão treinado e foi levado para a casa do ex-presidente assim que a ex-primeira-dama Barbara Bush faleceu. Bush pai, além da idade avançada, sofria de algumas doenças, entre elas um tipo de Parkinson que o obrigava a utilizar uma cadeira de rodas. O cão sabe atender a vários comandos, como atender telefone, buscar itens, abrir e fechar portas e, mais que tudo, fazer companhia àquele que foi o 41º presidente dos Estados Unidos.

Com a morte de Bush pai, o cão foi levado de avião do Texas a Washington, junto com o caixão, e após as homenagens fúnebres e o sepultamento, será doado ao Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, em Maryland, para poder ajudar outras pessoas.

Há pesquisadores de diversas áreas tentando descobrir qual a razão da atual onda de paixão da população mundial pelos animais domésticos, os pets. Tal paixão se reflete inclusive nos negócios, com o surgimento de inúmeras clínicas especializadas, lojas de ração e equipamentos e até hotéis para os bichos. Uma cena de maus-tratos contra animais, se captada por um celular, imediatamente viraliza nas redes sociais e o responsável corre sério risco de linchamento moral e até físico, tamanha a revolta que provoca na população.

Essa onda mundial de amor pelos animais trouxe com ela ações importantes para o convívio entre seres humanos e animais de estimação. Sorocaba, por exemplo, sempre teve nos bairros da periferia um grande número de animais abandonados. As feiras de adoção de animais são dessas iniciativas que vieram para amenizar o problema e impedir que muitos filhotes sejam abandonados nas ruas e se transformando em um problema de saúde pública. A Secretaria do Meio Ambiente de Sorocaba, por meio da Seção de Proteção e Bem-estar Animal realiza periodicamente feiras de adoção. Os responsáveis pelos filhotes de cães e gatos precisam fazer um cadastro antecipado junto a essa repartição pública. A próxima feirinha será realizada neste final de semana, no Campolim, e os interessados em doar ninhadas têm até amanhã para fazer o cadastro. Durante a feira os animais doados ou mesmo resgatados pela Prefeitura e mantidos sob a guarda do setor, são entregues para os chamados tutores que, necessariamente devem ser da cidade. Os animais, com até três meses, são entregues a essas pessoas já se alimentando de ração sólida, livres de parasitas e vermifugados. Interessados também podem se dirigir diretamente ao canil municipal, no Jardim Zulmira, para adotar cães e gatos.

Há um trabalho também importante de castração de animais domésticos realizado durante mutirões que percorrem bairros em datas pré-estabelecidas. Com a castração, donos de animais evitam ninhadas indesejáveis. Não fossem iniciativas como essas e entidades que recolhem animais abandonados nas ruas, a cidade, que já conta com muitos animais abandonados, estaria um caos. A Secretaria de Saúde de Sorocaba encerrou no último sábado a Campanha Antirrábica em 33 postos fixos. Até então, em vacinações anteriores, já haviam sido imunizados mais de 32 mil animais, sendo 27 mil cães e 5 mil gatos. A raiva é possivelmente a mais perigosa das doenças que podem ser transmitidas pelos animais domésticos, mas há muitas outras e que atacam principalmente animais abandonados. São doenças causadas por parasitas, fungos, vírus e bactérias e cães e gatos podem se transformar em transmissores.

Infelizmente, cães e gatos abandonados não são levados para receber vacina, mas o trabalho de imunização e os eventos de doação responsável de animais contribuem para que esse número não cresça ainda mais. Animais abandonados devem ser encaminhados, sempre que possível, para a Seção de Proteção e Bem-estar Animal, onde inclusive poderão encontrar quem os leve para casa.

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