Editorial

Novembro Azul

Não é sem motivação justa que o Cruzeiro do Sul tem insistido em ressaltar a necessidade de todas as pessoas manterem os cuidados habituais com a saúde, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. Lamentavelmente, as estatísticas vêm demostrando que, desde o mês de março de 2020, quando começaram a ser adotadas as medidas de isolamento social, grande parte da população — por conta do desconhecimento ou de informações infundadas — abandonou exames preventivos, suspendeu acompanhamentos clínicos e descontinuou terapias regulares. Os resultados indesejáveis dessas práticas equivocadas são detectados desde então. Primeiro, por meio do agravamento de enfermidades normalmente controláveis e — pior ainda — pelo crescimento do número de óbitos. O rastro do descontrole segue nos dias de hoje, com a superlotação dos leitos hospitalares não destinados a pacientes da Covid-19.

Por conta do sinal vermelho que se vislumbra nesta reta final do penúltimo mês deste ano incomum, vale o alerta contundente transmitido pela oportuna campanha Novembro Azul. O movimento mundial, surgido na Austrália, em 2003, reforça a relevância do Dia de Combate ao Câncer de Próstata. Em vários países, o 17 de novembro representa mais do que uma simples campanha de conscientização. Reportagens, depoimentos, explicações e orientações divulgadas por todos os meios de comunicação ressaltam que, não obstante a enfermidade seja de elevada gravidade e com probabilidade de atingir grande parte dos humanos do sexo masculino em idade mais avançada, a prevenção e o diagnóstico precoce são caminhos eficientes para a cura.

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Em nosso País, embora a campanha anual alcance razoável engajamento midiático, os números são reveladores quanto aos efeitos insuficientes da informação farta. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença não vem apresentando sinais de retrocesso entre os brasileiros. Ao contrário disso, os dados oficiais registram ampliação do número de casos em quase 9% na última década, passando de 60 mil para 65 mil confirmações anuais. Os dados mais recentes apontam que, apesar de todas as advertências, o câncer de próstata se mantém na vice-liderança do ranking dos tumores malignos mais letais entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Conforme o Inca, a enfermidade mata um brasileiro a cada 38 minutos no País.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apresenta informação mais incisiva. Pesquisas com base em dados coletados junto a milhares de pacientes de todos os Estados, durante três anos — entre 2016 e 2019 –, permite concluir que após os 50 anos, 42% dos homens apresentam alterações compatíveis com câncer de próstata em achados de autópsias. No entanto, como geralmente se trata de um tumor indolente (sem dor), apenas 9,5% terão esta doença diagnosticada e 2,9% morrerão da mesma.

Felizmente, como acontece na maioria das contingências no âmbito da saúde pública, a questão do câncer de próstata também tem seu lado positivo. E, neste caso, a alternativa faz toda a diferença: quando detectado precocemente, o tumor maligno na próstata apresenta chance de cura em mais de 90% dos casos. Para isso, são necessários apenas a adoção de procedimentos simples, como os exames periódicos de toque retal e da dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA). Por essa razão, tanto a o Inca como a SBU recomendam que homens a partir de 50 anos, mesmo que não apresentem sintomas, procurem um profissional especializado para realizar uma avaliação individualizada e faça um acompanhamento anual. Já aqueles que integram o grupo de risco — de acordo com as duas instituições, aqueles de raça negra, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata — devem iniciar o acompanhamento sistemático cinco anos antes.

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O último e mais importante fator para solucionar essa equação simples é a conscientização. Em pleno século 21, grande parte dos homens reluta em abandonar a ideia de que se cuidar é uma atitude relacionada apenas às mulheres. Pelo menos no que se refere ao câncer de próstata, esse pode ser um engano fatal, já que a doença é praticamente assintomática nos estágios iniciais. Além disso, muitos ainda associam o exame do toque retal à perda da virilidade e masculinidade.

É justamente para reverter esse panorama que as ações do Novembro Azul multiplicam em importância. Em Sorocaba, a campanha conquistou reforços de peso em 2020, como as parcerias do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp Sorocaba), da Regional Sorocaba do Serviço Social da Construção (Seconci-SP) e da Associação Comercial de Sorocaba (Acso). Um dos eventos previstos é uma palestra gratuita, agendada para as 11h de sexta-feira (27), com transmissão on-line pelo site do Ciesp (http://www.ciespsorocaba.com.br). Assistir ao evento é uma boa alternativa para os homens que querem se livrar das crendices e adotar a ciência como forma de cuidar da própria saúde.

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