Editorial

Novas vacinas trazem alento

Butanvac e vacina desenvolvida em Ribeirão Preto são novas apostas contra a Covid-19

Em meio à dor e às dificuldades causadas pela pandemia no Brasil — e em todo o mundo –, começam a surgir sinais positivos que nos trazem esperança na superação dessa tragédia global. Nesta sexta-feira (27), duas notícias serviram como alento.

Protagonista até agora da vacinação no Brasil, sendo responsável por 85% de todas as doses aplicadas no País, o Butantan, de São Paulo, nos brindou com uma novidade da ciência que renova a esperança na luta contra o novo coronavírus.

O instituto confirmou o desenvolvimento de uma nova fórmula de vacina para combater a Covid. Desenvolvida em parceria com pesquisadores do Instituto Mount Sinai, de Nova York, ela será batizada de Butanvac.

A entidade informou que iria pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a testagem. A solicitação de autorização para testes clínicos em voluntários contempla as fases 1 e 2 dos estudos, que analisam a segurança e a capacidade de promover resposta imune.

Se a Anvisa autorizar, os testes podem começar na semana que vem. A fase da eficácia, na qual as vacinas podem requerer o uso emergencial ou o registro definitivo, é a terceira.

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Se tudo caminhar corretamente, a produção da Butanvac poderia ter início em maio. O objetivo é entregar cerca de 40 milhões de doses a partir de julho e até o final de 2021.

Um outro diferencial da vacina do Butantan: como a tecnologia utilizada é a mesma da vacina da gripe, ela seria mais barata do que os outros imunizantes contra Covid que existem atualmente no mercado.

Além disso, a expectativa é a de que a Butanvac apresente imunidade maior do que dos imunizantes atuais.

Atualmente, o Butantan atua na vacinação contra a Covid-19 no Brasil com a Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O instituto conduziu a testagem do imunizante no País e é o responsável pelo envase do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), importado da China.

Diferentemente da Coronavac ou da vacina de Oxford, em que os parceiros nacionais — no caso, Butantan e Fiocruz, respectivamente — podem produzir uma capacidade limitada de doses, a Butanvac seria uma vacina de produção própria.

E como o Butantan é o principal desenvolvedor dentro de um consórcio, ele poderá produzir a maior parte dos imunizantes. A vacina já foi cadastrada no sistema da Organização Mundial da Saúde (OMS), com as empresas Dynavax e PATH como parceiras.

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E horas depois de o governo de São Paulo anunciar a Butanvac, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, divulgou que uma outra candidata a vacina contra a Covid, apoiada pelo governo federal, solicitou ontem mesmo a autorização para testes em voluntários.

Pontes afirmou que o governo federal apoiou 15 protocolos de pesquisa de novas vacinas contra a Covid-19 e uma delas, desenvolvida a partir de pesquisa, está em estágio mais avançado.

Segundo o ministro, a candidata a vacina contra a Covid-19 que já solicitou autorização para testes em voluntários é a desenvolvida por empresas do setor em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).

O nome do imunizante é Versamune®-CoV-2FC, e, segundo o governo, a pesquisa é coordenada pelo pesquisador Célio Lopes Silva, da FMRP-USP, em parceria com a brasileira Farmacore Biotecnologia e a PDS Biotechnology Corporation, dos Estados Unidos.

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A Versamune utiliza a tecnologia da “proteína recombinante”, a mesma utilizada, por exemplo, na vacina Novavax. Portanto, além da promessa do recebimento de grandes quantidades de Coronavac e Astrazeneca para acelerar a vacinação a partir de abril, o Brasil tem boas perspectivas no desenvolvimento de suas próprias vacinas. O caminho é justamente esse, unir forças e trabalhar para derrotar o vírus o quanto antes.

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