Editorial

Memória sorocabana

A exposição começou no dia 15 de agosto do ano passado

Duas iniciativas importantes e em áreas distintas mostram o interesse do poder público e dos sorocabanos na preservação da memória do município. Uma delas tem relação com o mundo esportivo. O bom número de visitantes, inclusive de grupos de estudantes, está levando a Secretaria Municipal de Esportes a buscar a oficialização do Museu do Esporte de Sorocaba (Semes), que funciona hoje como uma mostra de acervo limitado na sede da secretaria, no histórico Palacete Scarpa, na região central da cidade. A exposição começou no dia 15 de agosto do ano passado, reunindo uniformes, troféus, fotos e objetos relacionados com a rica história do esporte sorocabano. O que era para ser um evento da semana de aniversário da cidade ganhou corpo, se tornou permanente e agora o próximo passo, segundo a Semes, é oficializá-lo como museu. A exposição funciona hoje no andar térreo do prédio em uma posição privilegiada, pois além de estar na região central da cidade, fica em frente ao Museu da Estrada de Ferro Sorocabana e próximo ao Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs).

A Secretaria de Esportes tem recolhido doações para o museu. Há fotos e objetos que lembram, por exemplo, os garotos campeões mundiais de futsal do Magnus; faixa do time sorocabano de vôlei Leite Moça, tricampeão brasileiro da modalidade; e fotos da jogadora Hortência, campeã de basquete, do tempo em que ela defendia as cores da equipe da Minercal. Há muita coisa a ser feita para transformar a mostra em um museu de verdade, mas os primeiros passos já foram dados. Espera-se que com o aumento do acervo, o local que hoje só funciona de segunda a sexta-feira das 9h às 16h, amplie seu funcionamento para os finais de semana, uma forma de atrair mais visitantes.

Outra iniciativa digna de registro é o projeto “Conversa pra boi dormir” que vem acontecendo na Biblioteca Infantil Municipal Renato Sêneca de Sá Fleury. O evento começou no último dia 3 e prossegue até o dia 30 deste mês e foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba (Linc). A ideia do historiador e jornalista Sergio Coelho de Oliveira é apresentar à população uma amostra do patrimônio material do tropeirismo, um dos ciclos mais importantes de nossa história, e revelar a herança dos nossos antepassados tropeiros no cotidiano dos sorocabanos. Os visitantes podem participar gratuitamente de oficinas sobre artesanatos típicos daquele período como cestaria, bordado livre, tear manual, artesanato em couro, além de assistir a palestras com a temática tropeira. Foi montado um “pouso” tropeiro nas instalações da Biblioteca Infantil, onde estão expostos utensílios de cozinha e apetrechos que eram transportados no lombo das mulas nos deslocamentos dos tropeiros. As palestras, ministradas pelo historiador, têm temática interessante para quem quer conhecer a história de Sorocaba e da Feira de Muares, realizada na cidade entre os séculos 18 e 19. São temas como Tropeirismo, definição e origem; O tropeirismo e folclore, e Vestígios da Sorocaba tropeira nos dias de hoje.

Apesar da elogiável iniciativa para relembrar o Tropeirismo neste mês de maio — as feiras anuais de muares eram realizadas geralmente nesta época do ano, antes do inverno — a Prefeitura ainda está devendo um espaço amplo e definitivo para um museu temático sobre o Tropeirismo. Existe o Centro Nacional de Tropeirismo que funciona no Casarão de Brigadeiro Tobias, mas que é formado por coleção de objetos pertencentes a um particular. A Prefeitura vem tentando transferir a gestão do espaço para a iniciativa privada, mas não vem obtendo sucesso. Não custa lembrar que enquanto o Casarão, que foi sede da Fazenda Passa Três, pertencente à família do brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar, passava por reformas, anos atrás, praticamente todo o acervo que estava depositado no prédio do antigo Matadouro foi furtado. Eram celas, tralhas de pouso, facões, arreios, bruacas, entre outros objetos de valor histórico. Nada foi recuperado. Há ainda iniciativas particulares elogiáveis como o Centro de Estudos Históricos Caminho das Tropas que está, pouco a pouco, reunindo um acervo valioso. A Prefeitura quer transformar o entorno do Casarão de Brigadeiro Tobias em um Parque Histórico. Um projeto objetivo e detalhado sobre a preservação da memória tropeira seria uma iniciativa importante para resgatar esse período histórico, como já acontece em muitos municípios histórica e economicamente ligados ao caminho das tropas, mesmo sem ter a tradição e importância de Sorocaba nesse ciclo.

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