Editorial

Furtos nas escolas

Praticamente todas as semanas uma ou mais unidades são alvos de ladrões ou vândalos

A frequência com que Centros de Educação Infantil, escolas municipais e Unidades Básicas de Saúde de Sorocaba são furtados é assustadora. Praticamente todas as semanas uma ou mais unidades são alvos de ladrões ou vândalos. No início deste mês, ladrões invadiram o CEI 106 localizado no Jardim São Guilherme duas vezes em menos de uma semana.

Da escola que atende crianças daquele bairro levaram computador, monitor e impressora da sala da diretoria, além de ferramentas de operários que trabalhavam na reforma da unidade. Na invasão anterior levaram um aparelho de TV da creche que atende 238 alunos. Pior sorte teve o CEI 105 que a Prefeitura de Sorocaba mantém no Jardim Nova Ipanema que foi invadido nada menos que quatro vezes em uma semana.

Da unidade foram furtados alimentos, utensílios de cozinha e aparelho de DVD utilizado para atividades pedagógicas da unidade que atende 169 crianças. Nessa unidade, segundo funcionários, os itens da merenda escolar são os alvos mais comuns das ações criminosas. No dia 9 deste mês, o alvo dos ladrões foi o CEI 95 localizado no Jardim Califórnia onde foram destruídas janelas e portas e furtado um aparelho de som. Em janeiro a mesma unidade já havia sido furtada.

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No último final de semana, três furtos ocorreram em prédios de unidades da Prefeitura. Os alvos foram uma escola municipal, um centro de educação infantil e uma unidade de saúde. Da Escola Municipal Leda Therezinha Borghesi, do bairro Ipanema Ville foram furtados uma filmadora, uma máquina fotográfica, um notebook e três caixas de som, além de rádios portáteis e uma quantia em dinheiro da Associação de Pais e Mestres.

Do CEI 41 do Jardim Maria Eugênia, também invadido, furtaram ventilador e retroprojetor e da UBS canos de cobre que ligavam aparelhos médicos. Em muitas das invasões, os ladrões levam também a fiação, deixando as unidades sem energia. Houve casos de uma unidade de saúde que perdeu estoques de medicamentos e vacinas por terem ficado um período sem refrigeração.

Quando ocorre furto de alimentos das escolas e creches, segundo os próprios funcionários, a reposição por parte da Secretaria da Educação é rápida, mas quando se trata de aparelhos eletrônicos, a reposição é difícil e demorada.

Quando ocorrem furtos de fios e cabos, os reparos são realizados pela Prefeitura, mas em todas as situações, os grandes prejudicados são os alunos que ficam sem aulas, as crianças das creches que muitas vezes precisam voltar para casa, e os pacientes dos centros de saúde que acabam sem consultas e até sem alguns medicamentos.

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Quando os furtos afetam as Casas do Cidadão, prejudicam todos os munícipes que procuram resolver seus problemas nessas unidades descentralizadas.

Segundo a Secretaria de Educação, somente no primeiro semestre deste ano foram registradas 158 ocorrências de furto em escolas e creches do município. No ano passado foram 329 casos e no primeiro semestre deste ano. Ainda segundo a Sedu, a Prefeitura gastou R$ 1,4 milhão com reparos nas escolas por conta dos atos de vandalismo e furtos.

Em abril deste ano a Câmara de Vereadores aprovou projeto que trata do licenciamento de empresas do ramo de sucata, ferro-velho e desmanche para coibir a venda de fiação elétrica furtada de escolas e unidades da saúde do município. É um caminho correto. Se fios e outros materiais são furtados é porque há quem os compre. Se a polícia identificar quem está lucrando com material furtado será um desestímulo a furtos semelhantes. Mas ainda é pouco.

Temos uma Guarda Civil Municipal que foi criada com o objetivo de cuidar dos próprios municipais. A falta de efetivos policiais na cidade fez com que, aos poucos, a GCM assumisse outras funções que deveriam ser exclusivas das polícias Militar e Civil, como a prisão de pequenos traficantes de drogas.

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Esse desvio de função não resolve o problema da criminalidade e impede que a rede municipal de escolas e unidades de saúde seja devidamente protegida. Há ainda a questão do monitoramento por câmeras e outras tecnologias que precisam ser bem analisadas pelo volume do investimento. Fato é que alguma coisa precisa ser feita. Chegamos a quase um furto de escola por dia e esse número é uma prova inconteste de incompetência e de que algo está muito errado na vigilância dos próprios municipais.

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