Editorial

Estiagem que preocupa



Depois de 26 dias sem chuvas e previsão de mais estiagem pela frente, é extremamente preocupante a situação das represas que abastecem Sorocaba. A situação não é diferente no restante do Estado, onde os mananciais sofrem igualmente com a falta de chuvas. O longo período de estiagem e a queda rápida dos níveis das represas remetem à crise hídrica que, de 2014 a 2016, colocou o Estado de São Paulo, principalmente a Região Metropolitana de São Paulo, em estado de alerta e submetida a forte racionamento de água.

A situação do clima e das represas fez com que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) entrasse em alerta. Na última terça-feira, a autarquia distribuiu material fotográfico sobre a situação das represas que abastecem Sorocaba e pediu à população que economize água para evitar medidas mais incômodas para enfrentar a estiagem. A falta de chuvas fez com que a represa de Itupararanga, que abastece Votorantim e 80% dos bairros de Sorocaba, chegasse a 45,9% de seu volume útil. A Votorantim Energia, administradora da usina de Itupararanga, informa que suas operações priorizam o abastecimento dos municípios de Votorantim e Sorocaba e a vazão do rio Sorocaba.

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Além da água proveniente da represa de Itupararanga, que é tratada na ETA do Cerrado, o Saae de Sorocaba utiliza eventualmente água da pequena represa de Ipaneminha, localizada na zona oeste da cidade. No outro extremo do município, onde está localizada a ETA do Éden, a água consumida pela população vem das represas da Castelinho e do Ferraz, ambas de pequeno porte e suscetíveis a períodos de estiagem. Tanto que, para preservar o nível desses mananciais, o Saae conseguiu fazer a ligação entre as duas estações de tratamento da cidade e, no período noturno, envia água disponível na ETA do Cerrado para a do Éden, evitando assim o esgotamento dos reservatórios daquela região da cidade que atende vários bairros e a Zona Industrial. Não fosse esse tipo de manobra, só possível depois de um investimento grande, a região do Éden em pouco tempo estaria sujeita a problemas de abastecimento.

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Foi uma medida, guardadas as proporções, semelhante à adotada pela Sabesp para socorrer o sistema Cantareira. Como se recorda, na crise hídrica de 2014-2016, esse sistema, responsável pelo abastecimento da maior área da Grande São Paulo, entrou em colapso. Seu volume morto foi utilizado durante um período até praticamente ser esgotado. Em março deste ano, com vários meses de atraso e um investimento de R$ 555 milhões, foi feita a interligação do conjunto de represas do sistema Cantareira com o rio Paraíba do Sul. A obra permite que, em caso de necessidade, a água possa ser utilizada para o abastecimento da capital. A intervenção permite ainda que a água faça o caminho inverso e socorra o Vale do Paraíba em caso de necessidade. Hoje, todas as represas que abastecem o Estado de São Paulo, inclusive o sistema Cantareira, já sentem os efeitos da falta de chuvas e começam a preocupar as autoridades. Pelos dados disponíveis, a atual crise está longe de ser comparada com a de 2014-2016, mas a recomendação de economia de água continua válida.

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No auge da crise hídrica, empresas de distribuição e tratamento de água e meios de comunicação criaram campanhas educativas sobre economia de água e, em pouco tempo, conseguiram mudar hábitos da população que sentiu o problema de desabastecimento de perto. Pesquisas oficiais mostram que a partir da crise, 77,5% dos brasileiros ajustaram o consumo de água e 70% passaram a tomar banhos mais rápidos. As mesmas pesquisas mostram que além de restringir o tempo e a frequência dos banhos, os moradores das regiões mais afetadas evitaram o desperdício encontrando formas de reutilizar a água dentro de casa. O resultado foi que 83,4% dos cidadãos garantem que nunca deixam a torneira aberta enquanto escovam os dentes.

Diante do quadro atual, com a queda rápida do nível dos reservatórios, é esse compromisso de uso racional da água e de reúso doméstico que se espera da população. Se essas boas práticas forem adotadas pelo maior número de pessoas, aumentarão a possibilidade de atravessarmos um longo período de estiagem sem grandes contratempos.

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