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Editorial

Estado de alerta

Para auxiliar no trabalho de vigiar as diversas regiões de Sorocaba, foram criados os Núcleos Comunitários de Defesa Civil

A Defesa Civil de Sorocaba tem trabalho extra durante o verão. A possibilidade de tempestades ou chuvas fortes é constante e a cidade tem muitos pontos vulneráveis, que podem ser fortemente afetados e colocar moradores em situação de risco.

Levantamento recente, realizado pela Defesa Civil e revelado por reportagem publicada por este jornal, mostra que Sorocaba tem mapeadas 88 áreas que podem ser consideradas de risco e que precisam ser monitoradas permanentemente nos períodos de chuva.

Desse total, 41 locais têm risco de alagamento, 21 podem sofrer inundação e 26 têm risco de deslizamento. Mesmo sendo uma cidade com topografia diversificada, deslizamentos não ocorrem com frequência, vários pontos precisam ser monitorados para se evitar surpresas.

Tecnicamente, alagamentos ocorrem quando há ineficiência no escoamento da água, por problemas de drenagem ou outros, e que pode impedir o tráfego de veículos em algumas vias e até mesmo fazer com que a água invada residências ou empresas. Já a inundação acontece quando há transbordamento de rio ou outro curso d’água, atingindo ruas, avenidas e imóveis.

Alagamentos e inundações ocorrem com frequência em Sorocaba. Em locais suscetíveis a alagamentos, em boa parte das vezes, existe a possibilidade de melhorar a drenagem com obras. É o que vem sendo feito no córrego do Supiriri atualmente, e que vai beneficiar os moradores da Vila São João, afetados pelos alagamentos registrados no bairro em decorrência da baixa vazão do córrego canalizado.

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Com o aumento dessa vazão o problema deverá ser sanado naquela área. Os casos de inundação são mais graves e difíceis de serem evitados, pois ao transbordar o rio volta a ocupar as várzeas, áreas naturais de expansão de seu leito.

Nesses casos, o mais importante é impedir que sejam erguidas construções, principalmente moradias nessas áreas inundáveis. No Parque Vitória Régia, lembra um dirigente da Defesa Civil, há várias ruas que sofrem com alagamentos e inundações.

O problema já foi pior, pois até há pouco tempo haviam construções em áreas inundáveis no Parque São Bento 2 e Santo André 2. As moradias foram demolidas e seus ocupantes, transferidos para projetos como o Conjunto Carandá, onde puderam adquirir imóveis com prioridade por serem moradores de áreas de risco. O problema agora é vigiar essas áreas constantemente para que não voltem a ser ocupadas.

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O Sistema Municipal de Defesa Civil foi criado por decreto em 1977 e 20 anos depois foi criada a Comissão Municipal de Defesa Civil, formada por representantes de todas as secretarias municipais, sob a coordenação da Secretaria de Governo.

Para auxiliar no trabalho de vigiar o que ocorre nas diversas regiões da cidade, houve a criação dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil, com voluntários cadastrados e treinados para colaborar com a Prefeitura. Existem núcleos em bairros como Parque das Laranjeiras, Vitória Régia, Parque São Bento, Cajuru, Jardim Abaeté, Jacutinga e Brigadeiro Tobias, locais onde há áreas de risco. São 77 pessoas treinadas que têm capacidade de monitorar as regiões onde vivem quando há ameaças de tempestades.

O verão deste ano trouxe chuvas acima do previsto em dezembro e neste início de janeiro. Na semana passada, um temporal causou alagamentos e a queda de muros e árvores em Sorocaba, mas em algumas cidades da região os problemas foram mais graves. Em Piedade, o rompimento de uma barragem deixou desabrigados e levou a prefeitura a decretar estado de emergência. Em Alambari, o temporal destruiu duas pontes.

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Há dois anos a Defesa Civil do Estado, que trabalha de maneira coordenada com as unidades municipais, usa a tecnologia para tentar minimizar os efeitos das chuvas fortes de verão. Ela monitora a previsão do tempo em tempo real e conta com um sistema de envio de alertas por SMS aos celulares dos moradores com descrição dos locais onde podem ocorrer chuvas intensas e com potencial para inundações e deslizamentos.

Se algum tipo de alerta existisse há três décadas, o número de vítimas e de perdas materiais talvez tivesse sido menor na grande enchente que atingiu Votorantim no dia 6 de fevereiro de 1982. Uma tempestade no município 38 anos atrás inundou bairros como Curtume, Barra Funda e Chave, deixando perto de 300 famílias desalojadas.

A enchente danificou a antiga igreja São João Batista e devastou a fábrica de tecidos do Grupo Votorantim. Hoje, a aproximação de uma chuva dessa intensidade teria sido captada pelos serviços de meteorologia que emitiria alertas para as Defesas Civis da região que teriam tempo para informar e preparar a população. Tecnologia e voluntários treinados podem fazer a diferença para se enfrentar tempestades.

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