Encontros irresponsáveis
Ao atender grande número de denúncias de perturbação do sossego, provocada por música em volume muito alto durante toda a noite de sábado e madrugada de domingo, a Polícia Militar e órgãos de fiscalização de Prefeitura de Sorocaba, descobriram na manhã de domingo, em uma propriedade rural localizada na estrada de Aparecidinha, uma rave que reunia aproximadamente 2 mil jovens. O barulho da festa chamou a atenção de moradores de diversos condomínios residenciais existentes na área.
Pelo que se descobriu até agora, a rave começou às 14h de sábado e só deveria terminar às 20h de domingo, se não tivesse sido interrompida pela manhã. O encontro reuniu jovens de Sorocaba, da Região Metropolitana de São Paulo e cidades da região. Os convites individuais para o evento foram vendidos a R$ 80 e na página oficial do evento na internet, o organizador informou que a rave seria limitada a 300 pessoas e que seriam mantidas as regras de higiene para a prevenção da Covid-19. Imagens gravadas durante o evento e espalhadas pelas redes sociais, mostram que nem uma coisa nem outra aconteceu. Estiveram reunidos centenas de jovens, muitos sem máscara de proteção em um ambiente extremamente propício para a propagação da doença.
Esse evento, que contraria toda a orientação sanitária com relação à pandemia, entretanto, não foi o único do gênero a ser realizado em Sorocaba no mesmo final de semana. Imagens colhidas nas mídias sociais também mostram um baile funk que foi realizado na zona norte da cidade, onde os participantes também não respeitaram os protocolos sanitários que o momento exige. Os organizadores da rave foram multados. Segundo a Prefeitura, inicialmente receberam multa de R$ 5.500 por se tratar de um evento irregular, mas verificou-se que, por ser um evento de longa duração, será possível aplicar multa que pode chegar a R$ 150 mil e bloqueio da empresa para a realização de eventos por um período de quatro anos.
Denúncias desse tipo de encontro são frequentes e a Polícia e a fiscalização da Prefeitura de Sorocaba têm realizado operações nos finais de semana para coibir essas atividades que, além perturbar o sossego público devido ao alto volume do som, também são potencialmente perigosos para a transmissão da Covid-19. Semanalmente há ações em bairros diversos para impedir os chamados pancadões, que agora surgem também em bairros nobres, de acordo com reclamações de moradores. A região do Campolim, divisa entre Sorocaba e Votorantim, é uma delas, onde encontros de dezenas de jovens que se expõem à pandemia também tiram o sono dos moradores pelo barulho que se estende por toda a madrugada.
Todas essas aglomerações, verdadeiros abusos diante da pandemia, ocorrem quando todo o Estado regride para a fase amarela do Plano São Paulo, mais restritiva, diante do aumento considerável de casos e mortes. Depois de quedas acentuadas nos números da pandemia em outubro, com a liberação de uma série de atividades, o final de novembro e o início do mês de dezembro foram marcados pelo recrudescimento da doença. O resultado são hospitais lotados nos leitos clínicos e nos leitos de UTI, tanto na rede privada como na pública.
Essas raves, pancadões, bailes funk, independente do nome que se queira dar a esses gestos coletivos de irresponsabilidade, ocorrem justamente quando as autoridades sanitárias do Estado descobrem por meio de estatísticas que a propagação do coronavírus mais cresceu entre os jovens com até 29 anos, a faixa etária mais próxima das baladas. Em junho, segundo a Secretaria da Saúde, esse grupo representava 20% dos casos positivos para Covid-19 e, a partir de setembro, acumula 27% do total de infectados. Todas as outras faixas etárias diminuíram o porcentual de infecções no mesmo período. De 1,25 milhão de casos de Covid-19 confirmados até o dia 1º de dezembro no Estado, 307 mil correspondem ao grupo que vai de 0 a 29 anos, ao mesmo tempo em que essa é a faixa etária menos atingida pelos óbitos. Essa particularidade tem a característica de uma bomba relógio pela época do ano que atravessamos. Daqui até o final de ano, mesmo com a política restritiva de aglomerações, ocorrerão encontros de empresas, confraternizações entre amigos e, principalmente, as inevitáveis reuniões familiares. Os jovens que participaram dessas raves e pancadões, principalmente aqueles que pegaram o vírus e são assintomáticos, serão potencialmente perigosos nesses momentos, pois poderão ser portadores para suas famílias ou grupo de amigos do vírus mortal.
Combater esses encontros clandestinos ou mesmo as aglomerações em bares e casas noturnas é fundamental neste momento.