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Editorial

Em busca de alternativas

O trecho da rodovia Raposo Tavares que corta o perímetro urbano de Sorocaba voltou a ser destaque no noticiário do Cruzeiro do Sul.

O movimento intenso que é registrado diariamente no trecho, que vai do km 91, proximidades do bairro de Brigadeiro Tobias, até o km 109, divisa com o município de Araçoiaba da Serra, é palco constante de congestionamentos, acidentes e trânsito difícil.

Boa parte desse trecho conta com avenidas marginais, dispositivos construídos para facilitar o acesso aos bairros e à rodovia, mas que se mostram, em determinados períodos do dia, subdimensionadas diante do volume de trânsito.

A região cortada pela Raposo Tavares e suas marginais registrou crescimento acelerado nas últimas décadas. Além do trânsito natural e pesado da rodovia — que já foi uma das poucas vias de ligação com o sul do país — a estrada corta uma área de forte expansão imobiliária com shopping centers, indústrias, universidades e condomínios.

Para compreender a situação crítica desse trecho da rodovia é preciso recuar algumas décadas no tempo. Até a metade do século passado a rodovia Raposo Tavares, uma das primeiras a serem asfaltadas no Estado de São Paulo, era a principal ligação rodoviária entre a Capital e a região Sudoeste do Estado e o Paraná.

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Nesse tempo o transporte ferroviário tinha maior peso e o tráfego de automóveis e veículos de carga era proporcionalmente menor.

A essa época, o traçado da rodovia passava por dentro de Sorocaba, utilizando as avenidas São Paulo, ruas Dr. Álvaro Soares e Sete de Setembro e avenidas General Carneiro e Armando Pannunzio (que tinha à época o nome de avenida Curitiba).

Com o aumento do tráfego, o governo estadual construiu o traçado atual da rodovia, contornando a cidade, a chamada “Variante”, retirando o trânsito pesado da região central de Sorocaba.

Com o passar dos anos e a expansão da mancha urbana, a cidade se mobilizou pela duplicação da rodovia e construção da Celso Charuri.

Antes da construção desta última rodovia não havia ligação entre a Castelinho e a Raposo Tavares e os veículos, inclusive muitos caminhões, sem alternativa, trafegavam pela avenida Dom Aguirre, a Marginal do rio Sorocaba, até atingir a Raposo Tavares na altura do chamado “trevo da morte”, causando inúmeros inconvenientes.

O passo seguinte foi a construção das avenidas marginais no trecho urbano da Raposo, que hoje apresentam problemas pelo excesso de veículos e certamente por alguns equívocos técnicos e de sinalização.

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Duplicar uma rodovia já existente e na sequência criar avenidas marginais é mais difícil do que criar uma rodovia nova, afirmam os técnicos da área.

O traçado não pode ser muito alterado, por conta da quantidade de desapropriações; pontes e viadutos precisam ser aproveitados e os acessos necessitam se adequar ao traçado da malha urbana. É, na verdade, uma adaptação para otimizar o que já existe e fora uma ou outra adequação e uma revisão completa na sinalização, não há muito mais o que fazer.

Uma das maneiras para minimizar os problemas desse trecho é encontrar alternativas para o grande número de veículos que dele se utilizam. Há muitos anos se fala na Prefeitura de Sorocaba — o tema foi analisado por vários prefeitos — na conclusão do Anel Rodoviário de Sorocaba.

Seria uma maneira de proporcionar o contorno da cidade sem sobrecarregar demasiadamente esse trecho da Raposo. No mês de março do ano passado, o prefeito cassado José Crespo resgatou o projeto do Anel Rodoviário Oeste da cidade.

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Esse trecho do anel rodoviário consiste na construção de uma estrada que faça a ligação da região da Cruz de Ferro, na rodovia Emerenciano Prestes de Barros, com a Raposo Tavares, nas proximidades do antigo hospital Vera Cruz.

Está também no projeto a duplicação do trecho da Emerenciano Prestes de Barros até a Castelo Branco. Estaria criada com isso, uma nova alternativa para motoristas que trafegam pela Raposo e pretendem chegar à Castelo Branco, desafogando o trecho urbano da rodovia, onde o tráfego é intenso.

Essa ligação teria um papel semelhante à Celso Charuri, desviando o trânsito e fazendo a ligação entre as duas rodovias paralelas, Castelo e Raposo. A obra, para ser concretizada, precisa de esforços conjuntos entre a Prefeitura de Sorocaba e o governo estadual.

Com a cassação do prefeito José Crespo e a mudança de praticamente todos os secretários, difícil saber onde anda esse projeto e se a prefeita Jaqueline Coutinho tem noção da importância dessa iniciativa. Dar prosseguimento ao projeto e conseguir o apoio do governo estadual será um passo decisivo para assegurar melhoras no trânsito da cidade nos próximos anos.

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