Editorial

Evitando enchentes

É preciso reconhecer que houve falha no planejamento, décadas atrás, que não previu a grande urbanização em duas bacias

A Prefeitura de Sorocaba, por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), está agindo em duas frentes durante este Inverno para enfrentar problemas de alagamentos e enchentes típicos do Verão, provocados por dois córregos da bacia do rio Sorocaba que cruzam bairros importantes da cidade. A primeira frente, cujos trabalhos foram iniciados há alguns anos, tenta evitar os transtornos causados durante as chuvas mais fortes pelas águas do córrego Água Vermelha. A segunda frente, que tem início nesta semana, visa eliminar as inundações provocadas pela falta de escoamento do córrego Supiriri, na Vila São João, quando começa o trecho canalizado desse curso d’água. O Saae ampliará a canalização que começa nas proximidades do Centro Comercial Cheda, ainda em construção, e vai até a rua Rio Grande do Sul, com intervenções na avenida Dr. Afonso Vergueiro.

Nos dois casos é preciso reconhecer que houve falha no planejamento, décadas atrás, que não previu a grande urbanização nas duas bacias, com aumento da área impermeabilizada do solo, o que leva muito mais água e em velocidade maior para os fundos de vale durante os temporais. As intervenções junto ao córrego da Água Vermelha começaram há vários anos e é bastante complexa. O córrego começa nos altos do Cerrado, próximo à avenida Armando Pannunzio, onde está localizado o Parque da Água Vermelha e segue cruzando os Jardins Europa, América, dos Estados, Vila Jardini e Mangal e prossegue até cruzar a avenida Washington Luiz, a avenida Comendador Pereira Inácio e, mais à frente, desembocar no rio Sorocaba.

Essa área foi intensamente urbanizada nos últimos anos e alagamentos se tornaram frequentes nos cruzamentos das avenidas Washington Luiz com Capitão Bento Mascarenhas Jequitinhonha; Washington Luiz com Comendador Pereira Inácio e no cruzamento da avenida Barão de Tatuí com rua Abrão Mahuad. Para evitar as enchentes estão sendo concluídos dois Reservatórios de Detenção de Cheias (RDC), os populares “piscinões”. Um está localizado no final da avenida Washington Luiz e o segundo reservatório em área localizada atrás da Etec Fernando Prestes, no Mangal. São dois reservatórios de contenção grandes e, além do sistema de drenagem construído com aduelas de grandes dimensões, precisam passar por um processo de urbanização, sob a responsabilidade de duas secretarias municipais, que construirão playgrounds, arborização, paisagismo e iluminação. A primeira bacia de contenção, com 12.500 m2 já foi concluída e a segunda terá uma área de quase 30 mil m2. Uma obra de alto custo que, ao seu final, formará o Parque dos Estados com as duas bacias interligadas, com ciclovia e outros equipamentos de lazer.

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No caso da bacia do Supiriri, o trabalho consistirá em ampliar a vazão da atual canalização que passa sob uma área que começa na Vila São João, vários edifícios e um shopping center. O sistema de canalização hoje existente é composto por duas linhas de tubos de 1,50m de diâmetro, evidentemente mal dimensionada, e que não dá vazão às águas do córrego durante chuvas mais fortes, causando alagamentos no bairro. Esses tubos serão trocados por aduelas de concreto retangulares com 4 metros de largura por 2 de altura, numa extensão de 340 metros. As aduelas serão instaladas em sua maior extensão sob o canteiro central da avenida Dr. Afonso Vergueiro, mas com necessidade de intervenção na pista de rolamento.

O córrego do Supiriri foi responsável por grande número de enchentes registradas na cidade até o final dos anos 1970, quando a avenida Dr. Afonso Vergueiro foi duplicada e o córrego canalizado sob o canteiro central. Antes disso, eram comuns as inundações de bom trecho da própria avenida, praça da Bandeira e parte baixa das ruas transversais, como Miranda Azevedo, Padre Luiz e Francisco Scarpa. Com a canalização do córrego, que antes era também usado para escoamento de esgoto, ficou uma feia cicatriz urbana naquela região: o antigo leito do córrego, com traçado paralelo à avenida, que certamente ainda recebe descarga de esgoto clandestino. Como o Saae se propõe a eliminar o problema de enchente naquela região, precisa investir na revitalização do leito do antigo córrego. Ele precisa ser urbanizado e despoluído, pois hoje serve apenas como depósito de lixo e para a proliferação de insetos e roedores em região central da cidade.

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