Editorial

Distanciamento relativo

Cidades que aceitarem melhor o período de quarentena sairão dela mais rapidamente

O sorocabano não tem respondido bem aos apelos das autoridades sanitárias para manterem-se em isolamento social e sair às ruas somente quando for absolutamente necessário. Uma passagem pela porta de qualquer grande supermercado ou em frente a casas lotéricas, estabelecimentos autorizados a funcionar, vamos perceber que as orientações não são obedecidas.

É possível encontrar famílias inteiras fazendo compras, grupos com idosos e crianças, nem sempre usando máscaras, como se a pandemia fosse uma invenção e que não há perigo de contágio.

O movimento de veículos nas principais vias da cidade mostra que, durante boa parte do dia, praticamente voltou ao que era antes do decreto de isolamento.

Há ainda as enormes filas em frente às agências da Caixa Econômica Federal, também sem o distanciamento necessário entre as pessoas. Essas aglomerações são formadas por cidadãos que tentam desesperadamente receber o auxílio de emergência concedido pelo governo federal ou pessoas que precisam receber aposentadorias e pensões e não têm outra alternativa senão se dirigir ao caixa eletrônico do banco onde conseguem ajuda de funcionários para fazer a operação.

Quem precisa receber o auxílio emergencial vêm enfrentando problemas há várias semanas para conseguir o dinheiro.

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Primeiro foram as dificuldades para cadastramento, visto que a maioria tem dificuldade para utilizar a internet. Agora, são as filas para os que fizeram o cadastro receber a primeira parcela do dinheiro. Filas como essas se repetirão pelo menos pelos próximos dois meses.

Sorocaba tem ainda alguns casos surpreendentes, como casas noturnas funcionando em plena pandemia e bares atendendo em bairros da periferia.

A Guarda Civil Municipal deteve na noite do último domingo a proprietária de um estabelecimento que funcionava com mais de cem pessoas no bairro Bom Jesus. O mesmo estabelecimento havia sido fechado dias antes por estar funcionando durante o período de isolamento social.

Desde que a quarentena foi estabelecida no Estado de São Paulo no dia 24 de março, Sorocaba e as cidades da Região Metropolitana nunca alcançaram o índice ideal de isolamento, que é de 70%. Algumas delas tiveram índices satisfatórios, acima de 60% em domingos e feriados, mas, na média, o isolamento ficou próximo a 50%.

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No último domingo, dia 3, Sorocaba teve o pior índice de isolamento social entre as oito cidades da região que são medidas pelo Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo (Simi-SP). A cidade registrou 56% de isolamento.

Das cidades da região, Ibiúna foi a que obteve o melhor índice, com 67% no domingo. São Roque obteve 63%, Tatuí 61%, Votorantim e Itapetininga empataram em 59%, Salto registrou 58% e Itu 57%.

São Paulo também tem enfrentado problemas para atingir os índices ideais e por conta dessa situação, a prefeitura paulistana resolveu adotar a política de bloqueio de vias para desestimular a circulação de automóveis e pessoas.

A medida começou a ser implantada na última segunda-feira com a restrição do fluxo de veículos no horário de pico, das 7h às 9h, na tentativa de ampliar a taxa de isolamento social que está abaixo da linha de 50%.

Esses baixos índices estão sendo registrados a uma semana do prazo estipulado pelo governo para o início da flexibilização da quarentena.

Para reforçar o combate à propagação do novo coronavírus, Sorocaba adota a partir desta quarta-feira (6), assim como praticamente todos os municípios do Estado, a obrigatoriedade do uso de máscara protetora para quem sair às ruas, frequentar locais públicos, usar o transporte coletivo, transportes por aplicativo e táxis, e ainda se dirigir a repartições públicas e estabelecimentos comerciais.

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São esperadas medidas de abrandamento do isolamento social no próximo dia 11, quando termina o período de quarentena estipulado pelo Governo de São Paulo; mas, segundo o governador João Doria, as cidades com pior adesão à quarentena serão automaticamente excluídas da reabertura gradual da economia.

Se os índices de isolamento não melhorarem nos próximos dias, é possível que Sorocaba e outros municípios da RMS se enquadrem nessa situação, prorrogando ainda mais o fechamento do comércio, serviços e indústrias.

Como comentou a prefeita Jaqueline Coutinho (PSL), cabe a cada um a preocupação e a responsabilidade de manter o distanciamento. Ou seja, cidades que aceitarem melhor o período de quarentena sairão dela mais rapidamente. Quem não soube observar o isolamento, terá de aguardar mais um pouco.

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