Editorial

Dilema das fases e conscientização

Sorocaba pode liderar bloco de cidades para pedir uma fase vermelha mais amena ao Governo do Estado

Sabe aquele ditado “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come?”. Pois é mais ou menos isso que está acontecendo com os brasileiros diante da nova onda da pandemia de Covid-19 que vem assolando o mundo em mais uma onda de destruição, medo e mortes.

Isso porque, de uma lado, há a necessidade do isolamento social para aliviar os sistemas de saúde públicos e privados, que estão sofrendo com o aumento do número de casos. Há uma urgência em conter o contágio a fim de evitar o colapso da saúde que foi visto em Manaus e que começa a aparecer em Porto Velho, capital de Rondônia.

Por outro lado, é praticamente impossível a sobrevivência de grande parte da população sem que haja atividade econômica, emprego, geração de renda. Portanto, estamos diante de uma sinuca de bico.

E se já estava difícil sair desse dilema, a situação ficou ainda mais complicada com o anúncio, feito anteontem pelo governo estadual, de que grande parte do Estado de São Paulo irá regredir para a fase vermelha do plano de contingência da epidemia do novo coronavírus.

No caso de Sorocaba, essa nova reclassificação do Plano SP significa recolocar todas as 48 cidades integrantes do Departamento Regional de Saúde (DRS-16) na fase mais restritiva do plano de flexibilização econômica a partir de amanhã (25).

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A situação é tão complexa que a Prefeitura de Sorocaba convocou uma reunião emergencial para hoje (24), a partir das 11h, a ser realizada no Parque Tecnológico da cidade. Com o tema Saúde e Desenvolvimento Econômico da Região, a Prefeitura está convidando cidades da região para participarem.

Tudo indica que o objetivo é montar uma frente conjunta para tentar pressionar e convencer o Governo do Estado a rever a fase vermelha estipulada para as 48 cidades da região. Até a noite de ontem, por exemplo, São Roque, Votorantim, Salto de Pirapora, Porto Feliz, Boituva, Iperó, Ibiúna e Araçoiaba, entre outros municípios, já haviam confirmado participação.

Um indício de que o pedido de uma fase vermelha mais branda deva mesmo ocorrer já havia sido dado horas antes, quando duas cidades da DRS-16 informaram que não irão voltar para a fase vermelha do Plano São Paulo a partir de segunda-feira (25). Ao menos nos moldes da fase vermelha original.

A Prefeitura de Piedade, por exemplo, já informou que o comércio poderá funcionar todos os dias da semana na cidade, até as 20h. No entanto, irá manter as outras recomendações do Governo do Estado, inclusive a da implantação das regras da fase vermelha entre 20h e 6h.

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Em Araçariguama, segundo o Executivo, o comércio estará autorizado a abrir até as 20h entre domingo e quinta-feira, e até as 21h nos fins de semana. Já os supermercados poderão ficar abertos até meia-noite.

Portanto, algo similar pode vir a acontecer em Sorocaba e região. Tudo isso deve ser decidido em reunião já agendada do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) e do secretário de saúde da cidade, Vinícius Rodrigues, com o secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi.

O encontro está marcado para amanhã, às 9h, na capital. A ideia será expor ao governo estadual as medidas de combate à Covid-19 que o município vem tomando e, provavelmente, mostrar a posição conjunta do bloco de cidades que vão se reunir amanhã.

De qualquer maneira, é uma situação de extrema complexidade e que precisa ser analisada e decidida da forma mais criteriosa possível. Certamente, se houvesse a conscientização de toda a população, talvez fosse possível encontrar uma saída razoavelmente satisfatória.

Mas, infelizmente, o que tem sido recorrente observar é a aglomeração voluntária de pessoas, sobretudo em bares, casas noturnas e nos famigerados pancadões. Tanto na sexta (22) como ontem, talvez até como uma forma irresponsável de “aproveitar” os últimos dias da fase laranja, foi possível constatar bares lotados pela cidade, com centenas de jovens interagindo sem máscaras, como se nada tivesse acontecido.

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O triste é saber que muitos deles podem — e vão — se tornar transmissores da doença para parentes, sobretudo os de mais idade, levando a uma situação de risco que poderia ser evitada.

Nesse sentido, após seguidas reclamações de moradores sobre pancadões, ao que parece as autoridades estão conseguindo, ao menos, minimizar tais absurdas manifestações de desordem pública, arruaça e incômodo ao sossego alheio.

Na madrugada de ontem, por exemplo, em nova operação conjunta envolvendo a Guarda Civil Metropolitana, a Polícia Militar e a Vigilância Sanitária, cinco estabelecimentos comerciais foram fechados e 198 veículos foram autuados, sendo que 13 acabaram apreendidos.

Além disso, cerca de 150 jovens foram dispersados de um estabelecimento no bairro Wanel Ville, após denúncia anônima. Na semana passada, operação similar já havia feito barreiras policiais em bairros e locais com esse tipo de concentração, autuado veículos e apreendidos 11 deles.

Ou seja, sair dessa pandemia exige trabalho, sacrifício e consciência para se cuidar e cuidar do próximo.

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