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Desatenção no trânsito

24 de Outubro de 2019 às 00:01

A desatenção do sorocabano no trânsito, principalmente o descaso em dar seta quando vai mudar de faixa de rolamento, encostar o veículo ou fazer uma conversão, é fácil de ser constatada.

Basta observar durante alguns minutos o trânsito de uma via movimentada para ver o insistente desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro, praticado tanto por motoristas como por motociclistas.

De tão frequente, a “barbeiragem” já virou “meme” nas redes sociais e até adesivos de automóveis. Mas não sinalizar mudança de direção pode acarretar acidentes e atropelamentos, uma vez que os outros motoristas ou os pedestres não têm como saber a intenção do motorista relapso.

A Urbes - Trânsito e Transportes, que gerencia o trânsito e o transporte público na cidade, atendendo solicitação da reportagem deste jornal, fez um levantamento por meio do qual foi possível constatar que a quantidade de multas para esse tipo de infração é a maior dos últimos dez anos.

As multas para quem não dá seta aumentaram 343% em relação a 2009. Ou seja, foram 154 multas há dez anos e 682 de janeiro a outubro deste ano.

Infrações semelhantes, que envolvem a sinalização da manobra do veículo, também aumentaram. Em 2009 não foi aplicada nenhuma multa para quem parou o veículo sem sinalizar e neste ano já foram aplicadas 13 multas.

Motoristas que mudaram de faixa sem sinalizar -- talvez a infração de trânsito mais comum nas nossas ruas -- receberam este ano 124 autuações.

A soma de todas as modalidades de infrações em que condutores não dão seta até o dia 18 de outubro foi de 829. Se o volume de multas é alto e se considerarmos que para cada infração é preciso ter um agente de trânsito anotando os dados do infrator, é fácil perceber que o desrespeito às leis de trânsito de uma maneira geral é altíssimo.

O ideal seria que os motoristas se conscientizassem da necessidade de obedecer ao que estabelece o Código de Trânsito Brasileiro e sinalizassem todas as suas manobras. Certamente o número de acidentes seria bem menor e o País não estaria entre os que mais provocam mortes no trânsito.

Mas a multa não deixa de ter um lado pedagógico. Quem sabe que com o pagamento frequente de multas e a perda temporária do direito de dirigir, por acúmulo de pontos na carteira, muitos aprendam a necessidade de sinalizar suas manobras ao volante ou pilotando uma moto.

Mas a Urbes, que conta com bom número de agentes de trânsito e aparato eletrônico para aplicar multas, precisa aproveitar melhor esse potencial e observar e eventualmente punir outras infrações de trânsito tão comuns.

É preciso que a empresa pública use todo seu potencial também para punir motociclistas que andam acima dos limites de velocidade nos “corredores” formados pelos carros e passam no sinal vermelho como se eles não existissem, colocando a vida de muitos em risco.

É preciso também uma fiscalização rigorosa para tirar das ruas veículos em péssimas condições de conservação, muitas vezes sem faróis, lanternas e, certamente, sem documentação em dia.

Há ainda aqueles que trafegam com veículos com motor desregulado ou queimando óleo, expelindo fumaça tóxica pelas ruas, sem o menor constrangimento.

Também é preciso que as autoridades de trânsito punam com rigor aqueles que param em fila dupla, geralmente perto de escolas, atrapalhando o trânsito da cidade, bem como veículos de carga caindo aos pedaços que trafegam com visível excesso de peso, um risco para os demais motoristas e pedestres.

A Urbes realiza algumas campanhas educativas, mas o número de infrações mostra que talvez sejam insuficientes ou dirigidas a público errado.

O número de acidentes no Brasil, a quantidade gigantesca de mortos e feridos em consequência de acidentes recomendam uma atenção especial sobre o assunto.

A educação para o trânsito deve começar nos primeiros anos escolares, assim como precisam ser cada vez mais eficientes as aulas ministradas nas autoescolas e exigentes os exames para a obtenção da carteira nacional de habilitação.