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Editorial

Crescimento vertiginoso

O crescimento da região do Éden só é comparável ao da zona norte, que explodiu demograficamente com a implantação de loteamentos populares

O bairro do Éden, que faz parte de uma das regiões que mais cresceram em Sorocaba nos últimos anos, sobretudo por conta de instalações industriais, completa 70 anos. Para celebrar a efeméride foi realizada uma sessão solene na Câmara de Municipal na última sexta-feira, com a presença de representantes da comunidade. A história daquele bairro, que antes não passava de um pequeno agrupamento rural chamado Pirajibu do Meio, tem a particularidade de ter se desenvolvido inicialmente após uma intervenção do Estado. A região tinha muitas áreas devolutas, pertencentes ao governo estadual, que foram doadas a pequenos agricultores em 1949, durante o segundo governo de Adhemar de Barros, o primeiro em que foi conduzido ao cargo por meio de eleições. Antes havia sido interventor em São Paulo, de 1938 a 1941, nomeado por Getúlio Vargas durante o Estado Novo. O nome do novo bairro é uma homenagem à esposa do deputado estadual Antonio Sílvio da Cunha Bueno, que trabalhou pela doação de terras para os agricultores, chamada Edey.

O núcleo habitacional continuou com crescimento modesto e com economia baseada na agricultura das pequenas propriedades até que a Prefeitura de Sorocaba, após o desmembramento de Votorantim, sua grande fonte de arrecadação por conta das empresas do grupo do mesmo nome, criou um novo zoneamento com o objetivo de atrair empresas para a cidade. Criou também a Comissão Municipal de Desenvolvimento Industrial, presidida pelo empresário Laelso Rodrigues, um cargo sem remuneração, que começou um périplo pelas principais indústrias do País em um momento que muitas fábricas planejavam deixar São Paulo e cidades da região metropolitana da Capital, para se fixar e poder crescer no interior do Estado. O resultado foi uma pujante Zona Industrial que recolocou Sorocaba entre as cidades mais industrializadas do Estado e proporcionou seu crescimento vertiginoso nas últimas décadas. A arrecadação perdida com as indústrias que ficaram nos limites de Votorantim foram mais que superadas pelo novo parque industrial, bastante diversificado e fundamental para o progresso da cidade quando a indústria têxtil, o setor industrial mais tradicional da cidade, entrou em colapso no final do século passado pela falta de modernização e pela avassaladora concorrência de produtos estrangeiros.

O bairro do Éden conta com mais de 60 mil moradores e forma junto com os bairros de Aparecidinha, Cajuru do Sul, Iporanga, entre outros, uma grande mancha urbana que mescla grandes instalações industriais com núcleos urbanizados e, mais recentemente, condomínios residenciais. O crescimento rápido, a existência de quase 1.500 empresas, o grande potencial de arrecadação e a atenção nem sempre proporcional do poder público para com aquela região, já levou parte dos moradores, em mais de uma ocasião, a pensar em emancipação política, com a criação de um novo município. O Instituto de Geografia e Cartografia (IGC), responsável pela análise do processo, deu parecer desfavorável ao desmembramento daquela região, baseado principalmente em não apresentar distância suficiente entre seu perímetro urbano e o município de origem, no caso a malha urbana de Sorocaba.

O crescimento da região do Éden nos últimos anos só é comparável ao da zona norte da cidade, que explodiu demograficamente com a implantação de loteamentos populares. Mas a situação do Éden é mais complexa, por conta do grande número de indústrias em seu território. Moradores pedem a criação de um Plano Diretor da Zona Industrial, para disciplinar seu crescimento. O Éden, assim como os bairros em seu entorno, têm problemas sérios que precisam de maior atenção da Prefeitura, a começar pelo sistema viário que precisa ser ampliado e melhor sinalizado diante do movimento intenso de veículos, principalmente caminhões e carretas que atendem as empresas daquela região. A segurança também é crítica, como mostrou recentemente reportagem deste jornal, em que os moradores se sentem intimidados diante do crescimento da criminalidade. Em resumo, o poder púbico precisa olhar com maior atenção para aquela parte da cidade que se reinventou nos últimos 50 anos e hoje concentra as maiores empresas do município e boa parte de seus funcionários.

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