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Editorial

Alô Brasil

A privatização resultou na entrada de muitos recursos no setor, o que proporcionou a modernização do sistema

O Brasil atingiu este ano, de acordo com um trabalho de pesquisa sobre uso de tecnologia da informação nas empresas, realizado pela Fundação Getúlio Vargas, 230 milhões de smartphones ativos. A esses celulares se somam, segundo o trabalho, mais 180 milhões de computadores, notebooks e tablets em uso em todo o País.

Desde 2018 o Brasil já tem mais de um aparelho celular por habitante. No caso dos computadores são seis máquinas para cada sete habitantes. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em agosto a região de Sorocaba, que usa o DDD 15, ganhou 200 mil novas linhas, totalizando 2,3 milhões de usuários.

Com esse resultado de agosto, a região de Sorocaba, composta por 48 municípios, passou a figurar como a 15ª com maior densidade de aparelhos celulares do país, com 116,34 aparelhos para cada grupo de 100 habitantes. Essa densidade da região supera, de acordo com dados da Anatel, DDDs que incluem 19 capitais brasileiras, inclusive o DDD 21 usado no Rio de Janeiro.

Na atualidade, grande parte das pessoas acredita que não conseguiria sobreviver sem seu celular. Fazer e receber chamadas telefônicas há tempos ficou em segundo plano, uma vez que foram substituídos por aplicativos de mensagens. As redes sociais se tornaram uma mania internacional e vieram para transformar definitivamente a maneira das pessoas se comunicarem e receberem informação.

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Dos vários aplicativos à disposição no mercado, o WhatsApp é certamente o mais popular, com mais de 1 bilhão de usuários em mais de 180 países. Esse aplicativo usa dados da internet e possibilita além do simples envio de mensagens, a troca de mensagens gravadas e ainda oferece chamadas de áudio e vídeo, sempre utilizando a internet.

A evolução da telefonia celular afetou também a telefonia fixa e praticamente colocou os orelhões na lista de extinção. O Brasil possuía 35,17 milhões de domicílios atendidos por telefonia fixa no último mês de agosto, segundo a Anatel, menos 281,87 mil unidades em relação ao mês anterior e redução de 3,1 milhões de domicílios nos últimos 12 meses. Um levantamento realizado no ano passado mostrou que Sorocaba registrou em três anos uma queda de aproximadamente 35% nas linhas ativas de telefonia fixa.

De 201 mil linhas em janeiro de 2015, caiu para 131 mil em setembro do ano passado. E essa tendência continua.

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Todas essas transformações eram inimagináveis há pouco mais de 20 anos. E pouca gente se lembra de que, além da evolução da tecnologia, que proporcionou essas mudanças, elas só ocorreram após a privatização do sistema de telefonia do país, que completou 21 anos no mês de julho, quando foi privatizada a Telebrás. As atuais gerações não têm a menor ideia da dificuldade que era adquirir — e instalar — uma simples linha de telefone em uma residência.

Em algumas regiões do país, a espera para fazer a aquisição podia variar de dois a cinco anos. Quem precisasse de uma linha de imediato necessitava adquiri-la de particulares e o preço era salgado, às vezes muito próximo de um carro popular, dependendo da região. Em uma época de escassez de linhas telefônicas, havia também aqueles que conseguiam comprar uma grande quantidade de linhas e viviam do aluguel desses telefones.

Hoje, a praticidade do smartphone coloca os telefones fixos em segundo plano, o que justifica a diminuição de linhas. O próprio mercado de aparelhos digitais está próximo da saturação, dizem os especialistas. Isso porque a maioria da população já tem seus aparelhos. Acredita-se que o número de smartphones não deverá ultrapassar 240 milhões no Brasil e as vendas devem cair, uma vez que só serão feitas as reposições, um fenômeno que aconteceu também com os aparelhos de TV.

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A privatização resultou na entrada de muitos recursos no setor — calcula-se que os investimentos superaram R$ 100 bilhões –, o que proporcionou a modernização do sistema e a universalização de uma linha telefônica fixa ou de celular. Houve, é verdade, aumento substancial nas tarifas e o serviço ainda é um dos campeões das reclamações dos usuários, mas não há como não perceber a gigantesca evolução.

Se há erros e abusos, sempre é possível corrigir as imperfeições e reprimir infrações, o que seria quase impossível se o setor ainda fosse público. De acordo com a Anatel, em 1998 a soma de telefonia fixa, móvel, TV por assinatura e banda larga fixa somava 28 milhões de acessos em 1998. No final de julho do ano passado, ultrapassou a casa dos 325 milhões de acessos a serviços de telecomunicações. Uma evolução e tanto em duas décadas.

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