Editorial

A Liberdade de Imprensa. A Liberdade do Cidadão

Ontem mais de 300 jornais americanos trouxeram aos seus leitores editoriais sobre a liberdade de imprensa. Dos menores aos maiores jornais dos EUA, entre eles os mais importantes do mundo, a mensagem comum que se leu foi: a imprensa não é a inimiga.

Essa iniciativa inédita no ambiente político-social onde mais se pratica a liberdade de expressão, garantida por uma das mais estáveis Constituições que o mundo conhece, é uma resposta a Donald Trump, um homem de negócios e produtor/apresentador de shows de televisão que conseguiu ser eleito presidente dos Estados Unidos. Como conhecedor do meio televisivo, tem criado frases de efeito como a conhecida Fake News para apropriar-se de conceitos tão antigos como notícias falsas, jornalismo marrom, de aluguel, proteção jornalística, ou simplesmente boatos.

Quem tem o hábito da leitura de jornal, um hábito de cultura que se adquire em casa, na escola e na busca pelo conhecimento sabe que a liberdade de imprensa é antes de tudo um direito inalienável do ser humano. É seu direito à busca de informação, de cultura e lazer. Quem lê jornal, como fazem diariamente os leitores deste Jornal, atualmente o maior do interior de São Paulo, sabe como distinguir a informação falsa da errada. Sabe diferenciar a informação tendenciosa, com viés, da informação neutra e fidedigna, correta na sua fonte. Exatamente por esta palavra, a fonte: quem está dando a informação.

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Esse direito que tem o cidadão livre de informar-se onde quiser, pelo meio que desejar só é possível se existir a imprensa livre que lhe traga notícias desvinculadas de interesses político-partidários e com a maior neutralidade possível. Não se deve iludir, no entanto, que exista informação sem viés, sem uma determinada ideologia. O simples fato da escolha desta ou daquela informação, de maior importância em texto ou títulos é uma escolha que identifica uma linha editorial de um veículo de informação. E isso deve ser claro para o leitor. Sempre. É isso que traz a identificação entre leitor e o jornal, revista, rádio ou TV. Ou mais modernamente, com portais de notícias. Mas sempre, sempre, que essa informação seja correta em sua origem e se possível, dentro de todas as variáveis, que seja justa na apresentação do fato. Isso implica ouvir os lados envolvidos. Ou, ainda pior para quem trata com informação e procura dar “o fato em primeira mão”, em relatar aquilo que se tem certeza. E ter certeza implica conferir os fatos, as fontes, os acontecimentos. Como faz a equipe do Cruzeiro do Sul. Diariamente.

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É isso que cria o conceito de um jornal responsável, de confiança com seus leitores. E é esse o grande diferencial do tal de fake news: notícias e não boatos; notícias e não rumores ou ouvi-dizer. Ou pior, opiniões sem fundamentos, sem solidez embasada na busca pelo fato.

A liberdade de imprensa é um direito não apenas de uma organização que tem um jornal ou um meio de informação. É acima de tudo, o direito básico do cidadão de buscar onde quiser — e para tanto é preciso haver escolhas, caso contrário como poderia avaliar o que lhe é apresentado? — a linha editorial que confia, que acredita, que gosta de ler: política, economia, cultura, diversão, esportes, saúde ou qualquer tema que queira.

Não é por acaso que durante os tempos de pouca lucidez fale-se tanto em controle da imprensa, em censura. Ou ainda pior, como acontece hoje em dia, num tipo de pseudojornalismo de texto de aluguel para ataques ou aplausos deste ou daquele personagem, ideologia ou interesses partidários.

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Os tiranos não gostam de liberdade de imprensa. Porque sabem que sem a liberdade de escolher ou onde buscar informação, o cidadão não terá escolha na formação de sua opinião. E um rebanho não tem opinião. Apenas muge.

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