Editorial

A importância da vacina

O Estado de São Paulo atingiu somente 73,2% de cobertura vacinal

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2019, que começou no dia 10 de abril e deveria terminar no último dia 31 de maio, foi prorrogada pelo Ministério da Saúde (MS). O objetivo da prorrogação dessa campanha que mobiliza milhares de servidores e milhões de reais em recursos é atingir ao menos a meta de vacinação dos grupos prioritários. A campanha passa agora a atender a todos os interessados, mesmo que não pertençam aos grupos de maior risco. Não é a primeira vez que a campanha de vacinação contra a gripe — e também contra outras doenças – não atinge a meta estabelecida pelas autoridades da área da saúde. Para especialistas no assunto, além do comodismo de muita gente que simplesmente deixa para a última hora ou mesmo se esquece de tomar a vacina, há uma preocupante tendência da parte da população em evitar a imunização sob os mais diversos pretextos.

Terminado o período previsto de vacinação, o Ministério da Saúde constatou que aproximadamente 11,9 milhões de pessoas do público-alvo estão sem a proteção recomendada neste início de inverno. O público-alvo é composto por idosos, professores, profissionais da saúde, presos, funcionários do sistema prisional, crianças de 1 a 6 anos, grávidas, mulheres com até 45 dias após o parto e profissionais da área de segurança. A escolha desses grupos segue indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Não há data estipulada para o fim da campanha e pessoas pertencentes a esses grupos continuam tendo prioridade segundo o MS, mas quem procurar os postos de vacinação também poderá receber a vacina, uma vez que ainda restam 17,2 milhões de doses em estoque.

O Estado de São Paulo atingiu somente 73,2% de cobertura vacinal, ficando abaixo da média do País. São Paulo está entre os três Estados com pior índice, perdendo apenas para o Acre, que atingiu 73% e o Estado do Rio de Janeiro, com 63,7%. Um fato preocupante é que segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, as taxas mais baixas de cobertura vacinal estão entre gestantes e crianças, considerados os mais importantes grupos prioritários. Até entre os profissionais da área da saúde a imunização ficou abaixo da meta. Em Sorocaba, a cobertura atingiu 81,8%, sendo que somente os professores e idosos superaram a meta estabelecida de 90%, segundo informações da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do município. Foram aplicadas perto de 150 mil doses de vacina nos 32 postos de vacinação da rede de saúde. A vacina oferecida gratuitamente protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no Hemisfério Sul, entre eles o da gripe A (H1N1), que responde pela metade dos casos de gripe neste ano.

Enquanto a campanha registra baixa adesão em algumas regiões, a influenza vai fazendo suas vítimas. No Estado do Rio de janeiro, o que teve menor cobertura vacinal, 20 pessoas tinham morrido até a última terça-feira por conta da gripe e a perspectiva é que esse número ultrapasse o de 2018, quando 30 pessoas faleceram. Informações do Ministério da Saúde mostram que até o dia 11 de maio, último levantamento disponível, foram registrados 807 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por gripe com 144 mortes. Desse total, 407 casos e 86 mortes foram pelo vírus H1N1. Na região de Sorocaba, foi registrada a morte de um morador de São Roque em decorrência da gripe H1N1.

É possível que exista alguma falha na comunicação das campanhas de vacinação no Brasil, especialmente na campanha contra a gripe. Essa doença, embora possa ter consequências graves e levar à morte, é vista por parte da população como uma doença corriqueira, semelhante ao resfriado e que não traz grandes consequências. Há ainda aqueles que criticam os programas de vacinas obrigatórias, um movimento que cresce em vários países do mundo. Mas mesmo entre os militantes desses movimentos, há os que se arrependem. É o caso do político italiano Massimiliano Fedriga, chefe de governo de Roma e principal porta-voz do movimento antivacinas em seu país. Ele sempre se posicionou contra o programa de vacinas obrigatórias contra 12 doenças criado na Itália em 2017, mas mudou de lado depois que teve que ficar internado em um hospital por cinco dias após contrair catapora. A internação hospitalar convenceu o político a não apoiar mais movimentos antivacinação.

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