Editorial

A formação dos oficiais da PM

A Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB) completou 110 anos de existência no domingo (27). Trata-se de um estabelecimento de ensino superior destinado a formar e aperfeiçoar os oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Localizada no bairro da Luz na capital do Estado, sua missão é “promover com excelência as atividades de ensino aos integrantes da Polícia Militar que se preparam para o exercício do Oficialato tendo por referência ciência pedagógica, técnica policial e relações humanas”.

Responsável pela formação dos futuros comandantes da PM de SP, sua história remete ao ano de 1910, com a implementação do Curso Literário e Científico trazido pela Missão Militar Francesa. Chefiada pelo general Maurice Gamelin, tal missão foi contratada em 1919 para orientar, a partir de 1920, a modernização do Exército Brasileiro. Inicialmente prevista para quatro anos, teve seu contrato renovado, sucessivamente, por 20 anos, permanecendo no Brasil de 1920 a 1940. Consistia em reorganizar, em um primeiro momento, as escolas militares e, em seguida, o próprio Exército. Os termos do contrato estipulavam que oficiais franceses comandariam durante quatro anos as escolas de Estado-Maior, de Aperfeiçoamento de Oficiais, de Intendência, Veterinária, Saúde, Equitação e Educação Física. Entre os feitos de sua trajetória destaca-se o ano de 1913 com a criação do Corpo Escolar, sediado no quartel da Luz, no centro de São Paulo. Neste mesmo ano a escola formou sua primeira turma. Outro marco importante foi o ano de 1932, quando, devido ao movimento constitucionalista, os alunos da instituição foram comissionados a tenentes para liderar as tropas paulistas durante a revolução. Desde o início do século passado, portanto, a academia vem evoluindo e hoje corresponde a um curso de nível superior.

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Durante sua história, a instituição teve mudanças no nome e nos cursos oferecidos, até que, em 1978, passou a ser denominada Academia de Polícia Militar do Barro Branco. É formada por quatro Companhias Escola que atuam com o objetivo de entregar ao povo paulista comandantes conscientes da necessidade de uma tropa qualificada e determinada em garantir a segurança da população. Além das atividades teóricas, os alunos oficiais realizam ações práticas de policiamento e reforço à segurança pública. Por meio das atividades complementares de ensino, são executados estágios operacionais e a Operação Batalhão Acadêmico, que contribuem para a formação e a experiência desses profissionais.

E é justamente esse o ponto que torna a Academia do Barro Branco tão relevante para a sociedade. É dali que sairão os oficiais da PM que irão comandar as tropas em todo o Estado. Portanto, quanto mais qualificados, quanto mais preparados para essa árdua missão, melhor será para a população. Nos últimos anos e décadas, temos visto nas mais diferentes plataformas um costumeiro destaque às ações negativas da polícia ou quando algum de seus membros age fora dos padrões. Raramente vemos em destaque as inúmeras tarefas positivas que os policiais desempenham em prol da população. Não se pode esquecer que a polícia é uma categoria de nossa sociedade, e assim como todas as outras possui bons e maus profissionais. Todas as profissões estão sujeitas a isso e não seria diferente na polícia. Ainda mais diante de uma rotina de pressão. Então é preciso ficar claro que não se pode medir nem julgar a tropa por atos isolados dos maus policiais. Muita gente só se lembra da polícia quando enfrenta alguma situação e tem de discar 190. Pouca gente tem a consciência que os bons policiais saem todos os dias de casa para uma difícil batalha, sem saber se voltarão para o lar no final do expediente.

Com o objetivo de “formar e construir o futuro oficial da instituição, alinhando tradição e inovação”, o curso dura quatro anos ou mais de dez mil horas aula.

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A formatura é uma cerimônia bonita e simbólica. Nela, os cadetes deixam seus espadins de lado e recebem a espada, símbolo do oficialato da Polícia Militar. A arma acompanhará os aspirantes em um estágio de seis meses. Nesse período, os futuros oficiais acompanharão unidades de patrulhamentos de diversas regiões do Estado de São Paulo e, após esse estágio, serão promovidos à patente de 2º tenente PM. As demais promoções ao longo da carreira ocorrerão de acordo com o tempo de serviço e também por meio de abertura de vagas, podendo o oficial chegar até o posto de coronel PM.

Nesse sentido, a importância do papel da Academia na estrutura organizacional da PM e do Estado, em promover e acompanhar a mudança comportamental nos tenentes e capitães da PM, é enorme e fundamental. É primordial que o curso esteja atento e alinhado com as leis, a Justiça e o Estado Democrático de Direito, compreendendo o exercício da atividade de segurança pública como prática da cidadania e da dignidade de todo ser humano. O pressuposto é que todo oficial da PM pode exceder positivamente seu papel atuando também como agente de mudança social, além de protetor da ordem e da Justiça. Não é tarefa fácil, mas necessária. Parabéns pelos 110 anos, Barro Branco!

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