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Editorial

A cidade que cresce

A cidade de Sorocaba, que nesta quinta-feira (15) comemorou 365 anos de fundação, está beirando aos 700 mil habitantes. De acordo com projeção do IBGE, que realizou o último Censo em 2010, o município tinha em julho de 2018 mais de 671 mil habitantes. A nova projeção deverá ser publicada no final deste mês. Reportagem publicada pelo Cruzeiro do Sul na edição de 15 de agosto (Crescimento populacional é acima da média do Brasil, pág. 5, 15/8) traz informações interessantes sobre o crescimento populacional de Sorocaba, principalmente nas últimas décadas.

O texto mostra ainda com destaque alguns períodos de crescimento vertiginoso, muito acima do normal, que provocaram grandes mudanças na cidade, surgimento de bairros, expansão da malha urbana e aumento das necessidades da população cada vez maior. Os dados do IBGE mostram um crescimento muito rápido no período que começa em 1970 e vai até 2010. Nesses 40 anos, a população triplicou. De 175.677 habitantes em 1970, atingiu 586.625 no final do período. Ou seja, saiu da situação de uma cidade pacata, típica do interior, para uma cidade vibrante, com bairros surgindo um atrás do outro.

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Esse surto de crescimento populacional foi proporcional ao rápido desenvolvimento econômico do município naquele período, com a criação da Zona Industrial e a implantação de novas indústrias, que requeriam cada vez mais mão de obra, não necessariamente especializada. Há um fato histórico curioso que ocorreu nessa época e que serve para explicar a composição da população atual de Sorocaba.

Esse momento de crescimento industrial e do setor de serviços do município coincidiu com a chamada “geada negra” que, em julho de 1975, dizimou os cafezais do norte do Paraná. Os produtores resolveram acabar com os cafezais, cultura que exige muita mão de obra e com isso, aquela região registrou o maior movimento migratório em tempos de paz. Os grandes proprietários rurais optaram por plantar soja ou outras culturas altamente mecanizáveis, dispensando os trabalhadores.

Anos depois, circulou pelos corredores do recém-inaugurado Palácio dos Tropeiros (meados da década de 1980), um trabalho que mostrava que somente na zona norte da cidade residiam mais de 30 mil pessoas que haviam se mudado do norte do Paraná em busca de melhores oportunidades. Outro pico de crescimento ocorreu entre 2010 e 2018, período em que o aumento populacional foi de 14,41%, ou seja, em oito anos ganhou mais de 85 mil novos moradores, quase a população de São Roque, que hoje também celebra mais um aniversário. Esse período se caracterizou com o crescimento do setor de serviços e a implantação da primeira indústria automobilística no município juntamente com 14 fábricas de componentes, os chamados sistemistas. Em 2018, a taxa ficou em 1,71% em relação ao ano anterior, mas mesmo assim, mais que o dobro da média nacional, que foi de 0,82% no mesmo período.

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O mundo registrou um crescimento populacional explosivo nos últimos cem anos. Em 1915 tínhamos 1,8 bilhão de habitantes e saltamos para 7,5 bilhões em 2015. Em 2010 a população mundial atingiu a maioridade urbana, com mais de 50% de seus habitantes morando em cidades, com crescimento acentuado nas metrópoles. Essa expansão muitas vezes desenfreada e os problemas que acarretam — de abastecimento de água e saneamento, sistema viário, desenvolvimento da desigualdade social, redução da cultura local, entre tantos outros –, têm levado muitos urbanistas a defender cidades melhores e não maiores.

Como o crescimento em muitos casos é inevitável, o ideal seria ao menos sobrepor esses dois conceitos. Como observou o professor da Uniso entrevistado pelo Cruzeiro do Sul, o crescimento populacional menor é melhor do que um maior número de habitantes sem um planejamento adequado, pois à medida que a cidade cresce, maior é a necessidade de serviços públicos para atender esse contingente populacional maior. Crescer com qualidade, entretanto, não é fácil. Exige esforços nas esferas políticas, econômicas, sociais e ambientais. Cabe à população ajudar na construção das cidades por meio da participação e engajamento, discutindo e participando de audiências públicas sobre projetos de interesse geral, por exemplo, ou se engajando na causa ambiental, para cobrar posturas corretas do poder público. A população precisa ficar atenta ao crescimento e lutar pela melhoria da qualidade de vida da cidade.

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