Editorial
A escalada da dívida pública
A dívida pública brasileira atingiu um patamar alarmante em 2025, com projeções da Receita Federal e do Banco Central apontando valores que ultrapassam R$ 9,75 trilhões, o equivalente a mais de 78% do Produto Interno Bruto (PIB), o pior da história. Embora frequentemente relativizada pelo discurso oficial, a trajetória recente das contas públicas aponta para um quadro de deterioração fiscal que tem raízes claras nas escolhas políticas e econômicas adotadas pelo governo Lula. Mais do que números frios, trata-se de uma dinâmica que compromete a capacidade de investimento do Estado, pressiona juros, inibe o crescimento e transfere para as próximas gerações o custo de decisões tomadas no presente.
A expansão da dívida brasileira não é um fenômeno novo, tampouco exclusivo de um único governo. No entanto, sob Lula, ela volta a assumir protagonismo como resultado direto de uma combinação já conhecida: aumento estrutural dos gastos, enfraquecimento das âncoras fiscais e resistência sistemática a reformas que imponham limites reais à expansão do Estado. A retórica social, frequentemente usada como justificativa, não consegue esconder o fato de que o desequilíbrio fiscal se tornou novamente uma opção do lulismo e não uma fatalidade econômica.
Comparações históricas ajudam a iluminar o problema. Nos governos Fernando Henrique Cardoso, apesar do crescimento inicial da dívida, houve esforço claro de institucionalização da responsabilidade fiscal, culminando na Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu parâmetros duradouros para o controle dos gastos públicos. Já nos governos posteriores, do PT, especialmente no segundo mandato de Lula e no ciclo que se seguiu (com Dilma Rousseff), a expansão do crédito público, o uso intensivo dos bancos estatais e a tolerância com déficits recorrentes minaram a credibilidade fiscal construída anteriormente. O resultado foi uma economia mais vulnerável a choques, menos previsível e dependente de juros elevados para financiar seu próprio funcionamento.
O retorno de Lula ao Planalto reacendeu essa lógica. O abandono do teto de gastos, substituído por um arcabouço fiscal mais flexível e repleto de exceções, sinalizou ao mercado e à sociedade que o compromisso com o equilíbrio das contas voltou a ser secundário. As projeções para os próximos anos indicam um cenário preocupante: déficits primários persistentes, necessidade crescente de financiamento e uma relação dívida/PIB em trajetória ascendente. No Brasil, já marcado por uma das maiores taxas de juros reais do mundo, esse caminho cobra um preço alto, sobretudo por meio da inflação e da perda de crescimento.
Nesse contexto, o desempenho das empresas estatais merece atenção especial. Longe de atuarem como instrumentos de eficiência econômica ou desenvolvimento estratégico, muitas delas voltaram a registrar déficits expressivos, resultado direto da ingerência política, da ampliação de subsídios cruzados e da priorização de agendas ideológicas em detrimento da sustentabilidade financeira. Mais um erro de Lula que todos são obrigados a bancar. A história recente mostra que estatais fragilizadas acabam se tornando um passivo oculto para o Tesouro, exigindo aportes bilionários que agravam ainda mais a dívida pública.
A insistência do governo Lula em tratar estatais como extensões de seu projeto político e não como empresas que devem obedecer a critérios técnicos e de governança configura em um desastre para o País, agora e no futuro e as consequências já são conhecidas. A conta, inevitavelmente, recai sobre o contribuinte. Ao mesmo tempo, o discurso oficial evita reconhecer que déficits recorrentes nessas empresas não são fruto do acaso, mas de decisões deliberadas que ignoram sinais de alerta e lições históricas.
O Brasil caminha, assim, para um cenário de restrições crescentes. Quanto maior a dívida, menor a margem de manobra do Estado, maior a dependência de juros elevados e mais distante fica a promessa de crescimento sustentado. Governar ignorando essa realidade pode render dividendos políticos no curto prazo, mas produz um legado pesado e duradouro.
A questão central é fiscal e institucional. Países que desprezam o equilíbrio das contas públicas pagam um preço alto, cedo ou tarde. Ao optar por expandir gastos, tolerar déficits e fragilizar estatais, o governo Lula atrasa ainda mais o País. A dívida que cresce hoje é o limite do amanhã. E esse limite, mais uma vez, está sendo empurrado para frente com pouca responsabilidade e nenhuma garantia de que será possível contê-lo no futuro.