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Editorial

Eventos climáticos extremos

29 de Dezembro de 2025 às 21:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
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Os fenômenos climáticos dos últimos meses, no Brasil e especialmente na região de Sorocaba, revelam um desequilíbrio, dentro de um contexto maior das mudanças climáticas que afetam o mundo todo. Muito se comenta que as estações do ano não são mais como eram antes. Neste ano houve dias mais quentes que o normal no inverno e dias de temperaturas mais baixas na primavera, já se aproximando do verão.

Se antes, cientistas falavam em projeções para os próximos anos, hoje se vive o impacto direto do clima na economia, na infraestrutura das cidades, na saúde pública e em muitos outros aspectos.

Janeiro de 2025 teve ondas de calor persistentes que elevaram as temperaturas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País, a patamares perto de 40°C em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. E agora, no final de dezembro, o ano termina sob alertas de ondas de calor intensas, com recordes em pleno Natal, mostrando que o ‘verão‘ no Brasil está se tornando um período de estresse térmico extremo e prolongado.

Em contrapartida, os meses de outubro e novembro apresentaram temperaturas amenas para o período, com algumas noites e madrugadas frias, que exigiram cobertas mais grossas para dormir. Era de se estranhar vestir blusa de mangas compridas em dias de temperaturas mais baixas até próximo ao fim de novembro.

Efeitos dramáticos do desequilíbrio se mostram nos danos e prejuízos causados por tempestades. Em 2025, frentes frias avançaram com força incomum. Vendavais provocaram estragos na infraestrutura urbana, inclusive na região de Sorocaba. Quedas de árvores e apagões são os problemas mais comuns. Além dos danos, os temporais provocam mortes, por motivos variados, indicando que o ser humano fica sempre à mercê de fenômenos da natureza difíceis de controlar.

Fato marcante ocorreu em Porto Feliz, na região de Sorocaba, em 22 de setembro, que foi o destelhamento quase completo da fábrica de motores da montadora Toyota. Os ventos chegaram, no município, à velocidade de 90 km/h. Os danos na fábrica interromperam a produção de veículos em Sorocaba e em Indaiatuba, que depois foi normalizada a partir da importação de motores.

Enquanto algumas áreas e regiões sofrem com inundações, o Rio Grande do Sul e partes do Nordeste enfrentam períodos de seca que impactam diretamente o agronegócio. O Rio Grande do Sul, no entanto, sofreu uma de suas piores tragédias na enchente de maio de 2024.

Ou seja, o mundo sente hoje os contrastes e anomalias que têm o poder enorme de um desequilíbrio em muitos aspectos na vida em sociedade, abrangendo a produção de alimentos, surtos de doenças, migrações forçadas e aumentando a desigualdade econômica entre aqueles que possuem mais condições de se proteger e outros que estão mais sujeitos aos impactos diretos, como as enchentes e secas.

A previsão do clima para o trimestre de janeiro a março de 2026 é de que as temperaturas fiquem acima da média histórica na maior parte do Brasil, com os desvios mais significativos previstos para a porção central do País.

As condições de temperatura no Oceano Atlântico Sul em parte da costa brasileira, combinada com o padrão de temperatura em porções do oceano Pacífico Sul e do Índico Sul vão fazer com que o anticiclone (ou alta pressão) subtropical do Atlântico Sul (Asas) atue com mais força e maior frequência sobre o interior do Brasil, conforme previsão da agência Climatempo. Nesse ano, em especial haverá uma situação especial, pois as condições de temperatura do Oceano Atlântico Sul em parte da costa brasileira, combinada com o padrão de temperatura em porções do oceano Pacífico Sul e do Índico Sul, vão fazer com que o Asas atue com mais força e maior frequência sobre o interior do Brasil.

O verão, com essa influência, será mais quente que o normal, com ondas de calor e falta de chuvas em muitas áreas do País. Será um novo desafio em temperaturas extremas. Com mais calor, os temporais tendem a ser mais intensos e os impactos podem ser graves. A história recente, como a tragédia no litoral norte de São Paulo em 2023, alerta para prevenção, planejamento e cuidados que são mais do que necessários neste início de ano, frente às adversidades climáticas que vêm se tornando cada vez mais comuns.