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Editorial

A internet, os adolescentes e as escolas

22 de Outubro de 2025 às 20:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
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O uso de internet por crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos de idade nas escolas caiu em 2025, revelou o estudo Tic Kids On-line Brasil 2025, divulgado ontem (22), em São Paulo. Segundo a pesquisa, a proporção dos usuários dessa faixa etária que acessa a internet nas escolas recuou de 51% no ano passado para 37% este ano.

Uma das explicações para esse recuo pode ser a lei que restringiu o uso de celulares nas escolas, aprovada no início deste ano e o debate político que está muito centrado e muito forte na agenda de proteção de crianças e adolescentes e o ambiente digital.

O estudo — conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) —, apontou, ainda, que o número de crianças e adolescentes com acesso à internet se manteve com certa estabilidade em relação aos dois anos anteriores.

Segundo o estudo, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos de todo o País são usuárias de internet no Brasil, pouco abaixo do que a pesquisa apontou no ano passado (93%) e no ano retrasado (95%). Isso significa que quase 24,6 milhões de pessoas nessa faixa etária acessaram a internet nos últimos três meses no Brasil.

O celular foi o principal dispositivo de acesso usado pela população de 9 a 17 anos, sendo citado por 96% dos entrevistados, seguido pela televisão (74%), computador (30%) e pelo videogame (16%).

Ainda de acordo com a pesquisa, 84% dos usuários dessa faixa etária fazem esse acesso à internet de suas casas, várias vezes ao dia. Nas escolas, 12% reportaram acesso à internet várias vezes ao dia, 13% uma vez por semana e 9% uma vez ao mês.

Entre as atividades mais desenvolvidas na internet estão o uso para pesquisas escolares (81%), pesquisas sobre temas que interessam (70%), leitura ou vídeos com notícias (48%) e informações sobre saúde (31%).

O número de crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos que afirmam nunca terem acessado a internet também cresceu este ano. Se no ano passado esse público somava 492.393 pessoas, agora, chega a 710.343.

A pesquisa ouviu 2.370 crianças e adolescentes de todo o País, com idades entre 9 e 17 anos e 2.370 pais e responsáveis. O estudo foi realizado entre março e setembro deste ano. O Tic Kids On-line Brasil é uma pesquisa feita anualmente desde 2012 e só não foi realizada em 2020 por causa da pandemia de Covid-19.

A queda no uso da internet por adolescentes nas escolas pode, à primeira vista, até parecer um retrocesso tecnológico, mas é sim uma reação necessária a um ambiente virtual que, muitas vezes, expõe mais do que educa. A escola tem, sim, o dever de formar cidadãos digitais, mas também tem o dever de proteger seus alunos de riscos que ultrapassam os muros da instituição.

A internet, embora essencial para o aprendizado e a comunicação, tornou-se terreno fértil para ameaças que vão muito além da distração em sala de aula. Casos de cyberbullying, exposição a conteúdos inapropriados, manipulação emocional e aliciamento virtual de menores têm se multiplicado em todo o País. Diante disso, muitas famílias passaram a rever o acesso livre à rede, priorizando a segurança sobre a conectividade irrestrita.

O desafio, no entanto, é equilibrar proteção e aprendizado. É preciso, portanto, investir em educação digital, com professores capacitados, ambientes controlados e plataformas seguras, capazes de transformar a tecnologia em aliada, não em ameaça.

Proteger a infância não significa isolá-la do mundo, mas prepará-la para enfrentá-lo com consciência e responsabilidade. A queda no uso da internet nas escolas incentiva um debate mais amplo sobre o tema.

A proibição do uso de celulares nas escolas funciona sim com uma motivação essencialmente pedagógica, no sentido de manter o aluno focado em sala de aula. Mas tem um cenário grave a ser considferado. O avanço das redes sociais, o crescimento da criminalidade digital e a atuação silenciosa de predadores virtuais acenturam a necessidade da vigilância e da restrição.