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Editorial

As doenças virais

15 de Setembro de 2025 às 21:30
Cruzeiro do Sul [email protected]
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Em um país polarizado politicamente como vive o Brasil atual, alguns assuntos de relevância acabam sendo deixados em segundo plano. Um deles é a saúde pública. A uma semana da chegada da Primavera, praticamente todas as cidades brasileiras vivenciam um problema comum: tempo seco, com baixa umidade relativa do ar e a presença de queimadas. Essa associação faz agravar o comprometimento da qualidade de vida. O clima — com dias quentes e noites frias — também não ajuda.

Nas últimas duas semanas do inverno foi notório o aumento de casos de infecções respiratórias como a gripe, o resfriado, a bronquite, a sinusite e a pneumonia, que se intensificam no outono/inverno devido a condições como o ar seco e a menor ventilação dos ambientes, facilitando a propagação de vírus e bactérias. Outras doenças virais comuns na estação incluem o sarampo e a catapora.

Com a chegada da primavera, em 22 de setembro, o quadro não tende a melhorar, pois a nova estação traz as chamadas doenças de época, que incluem alergias (rinite, conjuntivite, asma), doenças infantis contagiosas, como roséola e catapora, e doenças de pele, como dermatites e urticária, todas ligadas às mudanças climáticas, aumento de pólen, poeira e proliferação de insetos.

Por tudo isso é que se espera melhor resposta do serviço público da saúde. Embora a troca de estação seja iminente, políticas permanentes que ajudam a prevenção de doenças são importantes. E é necessário dinheiro para um trabalho nesse sentido. Portanto, precisa ter planejamento e inteligência para gastar os recursos públicos.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, alerta que casos de Covid-19 no Brasil continuam ocorrendo. “Ela não desapareceu, vivemos um aumento de casos em várias cidades brasileiras”, disse ao informar que, no momento, a Covid-19 atinge populações muito específicas, principalmente crianças abaixo de 2 anos de idade, que não foram expostas ao vírus e que, se não forem vacinadas, serão impactadas de forma semelhante ao que ocorreu na pandemia, aumentando o risco de complicação e de internação hospitalar.

“Hoje, dois terços das crianças internam. Em 2024, por exemplo, foram 82 óbitos de crianças. É um número bastante expressivo, considerando que são crianças acometidas por uma doença que é imune e prevenível por vacina”, alertou. Os idosos acima de 60 anos de idade também são uma população sensível aos riscos da Covid-19, já que com o próprio envelhecimento do sistema imune, o organismo perde a capacidade de resposta e de proteção.

As gestantes também estão no grupo dos mais suscetíveis e sua vacinação é importante porque também protege a criança até que ela tenha a idade para conseguir ser revacinada.

Dados recentes da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar do Brasil, apontam aumento dos casos de Covid-19 no País nas últimas dez semanas de referência. O índice de positividade chegou a 13,2%, o maior desde março deste ano.

Segundo o patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, Alex Galoro, a alta da Covid-19 é explicada pela queda natural dos anticorpos e pelo surgimento de variantes, mesmo em uma população já imunizada. “As infecções respiratórias têm comportamento cíclico, influenciadas pela transmissibilidade e pela imunidade da população”, ensina o especialista.

Além disso, dez estados brasileiros tiveram alta de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, conforme consta no Boletim Infogripe da Fiocruz divulgado no dia 10. E mais: a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu alerta em agosto, após constatar aumento de 34 vezes no número de casos de sarampo em relação a 2024. Dez países das Américas, incluindo o Brasil, registraram ocorrências da doença, somando mais de 10 mil confirmações e 18 mortes.

Há, ainda, o cuidado com a catapora (ou varicela), considerada uma doença de época, pois sua incidência costuma ser maior no fim do inverno e início da primavera.