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Editorial

Ostentação tecnológica

01 de Setembro de 2025 às 22:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
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Nos últimos anos, o roubo de telefones celulares tornou-se um dos crimes mais recorrentes no Brasil, ocupando posição de destaque nas estatísticas policiais. Segundo especialistas em segurança pública, o fenômeno resulta da combinação de fatores econômicos, sociais, tecnológicos e legais, que transformaram o aparelho em objeto de desejo para criminosos e peça central de um mercado ilícito altamente lucrativo.

Primeiro, há a questão do valor agregado. O celular deixou de ser apenas um meio de comunicação e tornou-se um dispositivo multifuncional que concentra dados pessoais, acesso a contas bancárias e identidade digital. Modelos de última geração podem ultrapassar os R$ 10 mil, o que os torna comparáveis a bens de luxo, porém de fácil transporte e revenda.

Além disso, o mercado paralelo de peças e aparelhos roubados se fortaleceu, em parte, pela falta de rastreabilidade eficiente, que pode falhar diante da habilidade das quadrilhas em adulterar códigos e enviar aparelhos para países vizinhos, onde o controle é menor.

Outro fator relevante é a impunidade. Crimes patrimoniais de menor valor raramente resultam em prisão preventiva, e o processo judicial tende a ser lento. Com isso, o risco percebido pelos criminosos é baixo, enquanto o ganho financeiro imediato é alto.

Por fim, há o aspecto social: o consumismo aliado à desigualdade. Em um País onde a ostentação tecnológica é símbolo de status, mas grande parte da população carece de oportunidades, o celular torna-se não apenas objeto de consumo, mas também moeda de troca no submundo do crime.

Em São Paulo, a estratégia do governo paulista para recuperação de celulares furtados ou roubados tem apresentado resultados expressivos neste ano: em apenas seis meses, foram recuperados 44,9 mil celulares, média de 250 todos os dias.

As estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP) sobre roubos e furtos de celulares no Estado apontam tendência de queda. Entre agosto de 2024 e junho de 2025 foram registradas 241,5 mil ocorrências, ante 259,2 mil no mesmo período entre 2023 e 2024.

Os resultados são registrados diante de um conjunto de iniciativas da SSP, sob o comando de Guilherme Derrite e orientação do governador Tarcísio de Freitas. A Polícia Civil intensificou o combate ao comércio ilegal de aparelhos e passou a focar na repressão aos receptadores, considerados elo central da cadeia criminosa. Paralelamente, o programa SP Mobile foi implementado em todo o Estado para analisar registros criminais e definir estratégias de enfrentamento.

O trabalho tem caráter multidisciplinar. A equipe estuda, faz testes e realiza ações não só para combater, mas também conseguir devolver esses aparelhos às vítimas. O sistema cruza informações dos boletins de ocorrência com dados fornecidos pelas operadoras a partir do número de identificação único dos celulares, o Imei.

Quando um aparelho roubado ou furtado é reativado, o usuário é notificado e intimado a comparecer à delegacia. Nesses casos, ele pode devolver o celular e colaborar como testemunha na investigação. Quem não comparece ou se recusa a cooperar pode ser alvo de medidas adicionais, com aprofundamento das investigações.

Outra frente de atuação está na fiscalização de estabelecimentos comerciais que revendem celulares. Mais de 4,2 mil lojas já foram vistoriadas em São Paulo, resultando em 899 prisões em flagrante por receptação.

O processo de recuperação inclui cinco etapas: extração de dados policiais via Imei, articulação com operadoras de telefonia, contato com os usuários dos aparelhos, orientação sobre devolução e formalização do crime em delegacia, além da convocação da vítima para reaver o bem. Esse modelo também serve como recado aos infratores de que o crime de receptação não compensa mais no Estado.

O trabalho de identificação dos donos dos aparelhos apreendidos pela polícia é um processo que depende dos registros de ocorrência. A polícia orienta sempre o registro de boletim de ocorrência para celulares roubados ou furtados, informando dados como o número de Imei e a localização apontada no monitoramento em tempo real do aparelho. Essas informações são cruciais para facilitar o trabalho de recuperação do aparelho.

Quando as autoridades conseguem identificar proprietários de celulares roubados, eles são contatados diretamente pelos oficiais. Para isso, a polícia recomenda que a vítima faça o registro do crime logo após a ocorrência. Não é aconselhável dirigir-se a delegacias buscando informações sobre aparelhos perdidos ou para saber se o seu celular está entre os resgatados pela polícia.