Editorial
Inaugurada a ‘era de ouro’ nos EUA
Os norte-americanos em especial e o mundo de modo geral assistiram, em espaço de cerca de 70 dias, dois momentos históricos. O primeiro, em 6 de novembro de 2024, quando Donald Trump fez um discurso da vitória nas eleições. Naquele momento, enquanto Trump falava para uma multidão presencialmente e para milhões de pessoas espalhadas ao redor do mundo por meio da televisão e da internet, ele já tinha conquistado 266 delegados no colégio eleitoral, dos 270 necessários para ser eleito. A sua adversária, a democrata Kamala Harris, aparecia com 194 delegados assegurados.
Poucas horas depois, no entanto, a vitória foi oficializada, com Trump conquistando 276 delegados ao obter maioria em Winsconsin e no Alaska. No final da apuração, o resultado final e oficial mostrou que ele havia conquistado 312 delegados e sua adversária, 226. Ao lado de seu vice, JD Vance, Trump afirmou que iria inaugurar uma “era de ouro” nos Estados Unidos.
Ontem — 20 de janeiro — aconteceu o segundo momento histórico, com a posse do republicano como o 47º presidente dos Estados Unidos. Aos 78 anos, Donald Trump reafirmou, sob a cúpula do Capitólio, em Washington, a sua firme intenção de devolver a “Era de Ouro” ao país, após prestar juramento sobre uma Bíblia herdada de sua mãe. O republicano fez um discurso de posse que incluiu uma série de medidas para tornar “os Estados Unidos grandes novamente”, seu lema desde o primeiro mandato (2017-2021).
Ao que parece é exatamente isso que os norte-americanos querem. Após experimentarem o triste governo do democrata Joe Biden, eles decidiram, nas urnas, que o melhor a fazer seria devolver o rumo dos Estados Unidos a forma republicana de governar, com políticas públicas defendidas pela direita.
Trump, já na condição de presidente norte-americano afirmou que “a partir deste momento, o declínio dos Estados Unidos terminou” e prometeu enfrentar o que chamou de “elite radical e corrupta”, que "monopolizou o poder e a riqueza por muitos anos”.
Além do discurso e das reafirmações de campanha, Trump anunciou a assinatura de pelo menos uma centena de decretos, medidas para recolocar os EUA no rumo como anunciou que faria e que os americanos esperam.
Trump disse que seu governo retirará, pela segunda vez, os Estados Unidos do Acordo Climático de Paris e que prepara uma “emergência energética nacional” para ampliar significativamente a exploração no maior produtor de petróleo e gás do mundo.
Outra fala emblemática de Trump envolve a questão imigratória. Ele endurecerá contra a presença de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos e impedirá a entrada de novos.
Nada do que Trump disse ontem, em seu discurso de posse, causou surpresa. Aliás, foram essas propostas que receberam o aval do eleitor norte-americano.
Há muita expectativa em torno desse segundo governo do republicano. A direita de todo o mundo está eufórica e a esquerda preocupada. Líderes de todo o mundo felicitaram Donald Trump o que permite afirmar que total respeito à Presidência dos Estados Unidos. Afinal, o mundo está assistindo ao retorno político mais singular da história recente dos Estados Unidos em razão de todos os ingredientes que envolvem a pessoa de Donald Trump e aquilo que ele defende como sendo o melhor para os Estados Unidos e, consequentemente, para várias outras nações.
Um exemplo dessa observação mundial envolve a questão econômica. O presidente dos Estados Unidos prometeu impor tarifas e impostos a outros países. “Começarei imediatamente a reformular nosso sistema comercial para proteger os trabalhadores americanos e suas famílias. Em vez de tributar nossos cidadãos para enriquecer outros países, cobraremos tarifas e impostos de países estrangeiros para enriquecer nossos cidadãos”, declarou Trump.
Em seu discurso, reiterou o seu plano de criar um “Serviço de Receita Externa” para coletar tarifas e impostos de importação, juntamente com a criação de um “Departamento de Eficiência Governamental” destinado a cortar os gastos públicos federais. O Brasil poderia copiar essa decisão do presidente da nação mais rica do mundo.
Outro ponto que chamou muito a atenção do mundo foi o anúncio do encerramento dos programas de diversidade e as políticas relacionadas à identidade de gênero. “A partir de hoje, a política governamental dos Estados Unidos é que existem apenas dois gêneros: masculino e feminino”, afirmou Trump ao enfatizar que “nós vamos parar com a ideia de inclusão e diversidade e vamos devolver ao nosso país o sistema de meritocracia. Vamos acabar com as políticas destrutivas e divisivas em todo o governo e no setor privado, retornando o país para o sistema meritocrático”.
Três dos homens mais ricos do mundo — os magnatas da tecnologia Elon Musk, Mark Zuckerberg e Jeff Bezos — acompanharam a posse, em que estiveram presentes os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. Todos ouviram atentamente como Trump reconduzirá os Estados Unidos à era de ouro.