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Editorial

O Natal na Venezuela

04 de Setembro de 2024 às 22:16
Cruzeiro do Sul [email protected]
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Tudo vai muito bem na Venezuela, aos olhos de Nicolás Maduro é lógico. O país está na perfeita ordem e o povo está feliz. O resultado das urnas provaram isso. Assim pensa o presidente ditador que agora, até, decidiu antecipar o Natal do dia 25 de dezembro para 1º de outubro. O anúncio foi feito durante o seu programa “Con Maduro Más”, transmitido pelo sistema nacional de televisão pública daquele país, na última segunda-feira (2).

Ele justificou que a antecipação ocorre por ter fechado o “mês de agosto com boas perspectivas econômicas”. E disse: “Em homenagem a vocês, em agradecimento a vocês, vou decretar o adiantamento do Natal para 1º de outubro”.

Maduro vive uma turbulência política, com questionamentos de diversos países sobre as eleições no país, em que ele foi declarado vencedor pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelos chavistas, e ratificado pelo Tribunal Supremo de Justiça, também dominado pelo regime. Então, qualquer coisa que possa distrair o povo venezuelano é colocada em prática pelo governo ditador.

Além de antecipar o Natal, Maduro conseguiu que fosse expedido, também na segunda-feira (2), o mandado de prisão contra o ex-diplomata e candidato opositor à presidência Edmundo González. Tudo faz parte da festa.

O candidato presidencial da oposição está sendo investigado pela “justiça” venezuelana pelos crimes de usurpação de funções, falsificação de documentos públicos, incitação à desobediência, conspiração e sabotagem de sistemas por denunciar as eleições por fraude. Pelo menos é o que pensa Maduro.

A investigação contra Gonzáles tem como foco o site que a oposição criou para divulgar as cópias das atas das urnas eleitorais, que comprovariam a sua vitória contra Maduro, com 67% dos votos. Do outro lado, instituições alinhadas ao chavismo declararam e ratificaram a reeleição de Maduro, sem que os dados das urnas fossem apresentados até agora, um mês depois da eleição. O pedido de prisão foi emitido após González não comparecer pela terceira vez à sede do Ministério Público para explicar a publicação de supostas atas eleitorais, justificam as autoridades venezuelanas.

Conhecedor do modus operandi de Maduro, é lógico que González não se apresentaria. Ele sabe que sua ida ao Ministério Público era totalmente alheia a qualquer garantia de sua liberdade e integridade física.

Assim, a Justiça da Venezuela atendeu ao pedido do Ministério Público e emitiu na segunda-feira a ordem de prisão contra Edmundo González, candidato da oposição nas eleições de 28 julho que ousou ofuscar o ditador Nicolás Maduro. A ordem de prisão é mais um sinal de recrudescimento da ditadura venezuelana.

As atitudes de Nicolás Maduro não repercutem bem junto à opinião pública internacional e também aqui no Brasil, onde, vira e mexe, o governo Lula é cobrado para se posicionar contra os desmandos do didator.

Na terça-feira (3), o governo brasileiro manifestou “profunda preocupação” com a decisão da Procuradoria-Geral da Venezuela de pedir a prisão de González. Uma nota foi redigida em conjunto com o governo da Colômbia em que afirma que o pedido de prisão de González afeta os compromissos assumidos nos Acordos de Barbados, quando governo e oposição, mediados pela Noruega, firmaram compromissos envolvendo um processo eleitoral democrático na Venezuela “com o fortalecimento da democracia e a promoção de uma cultura de tolerância e convivência. Dificulta, ademais, a busca por solução pacífica, com base no diálogo entre as principais forças políticas venezuelanas”, afirmaram os governos do Brasil e da Colômbia.

Como algum governo democrático poderia apoiar os desejos insanos de Maduro? A atitude de Brasil e Colômbia segue ao que pensam os Estados Unidos, União Europeia, Organização dos Estados Americanos e nove países da América Latina — Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai —, que “rejeitam de maneira inequívoca e absoluta a ordem de prisão”.