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Editorial

Sinal amarelo

Outro setor que acendeu o sinal de alerta foi o automotivo. Os números da produção, em novembro, registraram queda

08 de Dezembro de 2023 às 23:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Setor automotivo
Setor automotivo (Crédito: Divulgação/Volkswagen)

A economia brasileira tem dado fortes sinais de desaceleração do segundo semestre. Os números vêm de diversos setores e mostram um quadro preocupante para 2024. O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, na casa de 0,1%, representou um certo alívio para o mercado financeiro já que muitos analistas apostavam na contração da economia.

No acumulado do ano, o PIB deve ficar pouco abaixo dos 3%. A situação só não é pior graças ao desempenho que a agricultura teve no primeiro semestre. O setor exportou como nunca e surfou nos bons preços pagos pelas commodities agrícolas este ano. O problema é que para o ano que vem esse cenário não deve se repetir, nem nossa safra será tão vistosa como a desde ano.

Segundo os dados do Prognóstico para a Produção Agrícola do ano que vem, divulgado na quinta-feira, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, o País deve colher uma safra menor e, além disso, enfrentar preços menos vantajosos no exterior.

Os números mostram que o Brasil deve colher 77,283 milhões de hectares na safra de 2024, uma queda de 0,7% em relação ao que era previsto para este ano. Trigo, algodão e milho 2ª safra terão redução de área. No total, a expectativa é que a nossa produção agrícola fique na casa dos 306,2 milhões de toneladas em 2024, queda de 3,2% em relação a 2023.

Esse movimento, por si só, representa uma notícia ruim para o Governo. Se o setor agropecuário arrecadar menos, o volume de impostos cai e abre uma brecha no orçamento federal. Vários fatores podem estar contribuindo para essa queda na produção, entre eles problemas climáticos em vários Estados produtores e a baixa remuneração prevista para as commodities no ano que vem. Sem a pujança da agropecuária, o PIB do segundo ano de mandato de Lula pode patinar.

Outro setor que acendeu o sinal de alerta foi o automotivo. Os números da produção, em novembro, registraram queda, apesar de uma ligeira alta nas vendas. Nesse caso específico, a redução das exportações é que provocou maior impacto. A queda na produção do mês passado, comparada com novembro de 2022, foi de 6,1%. Somando a atividade de todas as montadoras, 202,7 mil unidades foram concluídas, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Com esse resultado, a produção de veículos passa a apresentar queda de 1,1% no acumulado desde o início do ano, somando 2,15 milhões de unidades até novembro.

As exportações seguiram em queda em novembro, caindo 44,6% frente ao número de um ano antes e 23% em relação a outubro. No total, 24,1 mil veículos foram embarcados para o exterior em novembro. No mercado interno, as vendas serão melhores que as do ano passado, só que o Governo precisou gastar um caminhão de dinheiro para derrubar o preço de carros chamados “populares” e incentivar as vendas. Mesmo com esse aporte financeiro, a situação só não é pior graças à retomada de compras por parte das locadoras de veículos, essas sim tem ajudado a aquecer as vendas no Brasil.

Se a agropecuária e o setor automotivo colocam em risco as projeções de arrecadação do Governo, uma surpresa pode surgir na exportação de minérios. A China dá sinais que vai voltar a comprar grandes quantidades e as empresas brasileiras seriam bastante beneficiadas com esse movimento. Resta saber como a situação global da economia vai responder a conflitos como o da Rússia com a Ucrânia e de Israel com o Hamas. Fora a confusão que a Venezuela ameaça se meter surrupiando parte do território da Guiana. Por essas e outras, 2024 promete emoções fortes.