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Editorial

Problemas à vista

Segundo a Organização Mundial de Meteorologia (OMM), órgão ligado às Nações Unidas, a influência do El Niño deve durar até, pelo menos, abril de 2024

08 de Novembro de 2023 às 23:01
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El Niño deve aumentar volume de chuvas nos próximos meses no Sul
El Niño deve aumentar volume de chuvas nos próximos meses no Sul (Crédito: Arquivo/EBC)

O mundo tem enfrentado, nos últimos anos, uma série de desastres naturais. São temporais, acompanhados de ventos fortes, que causam destruição, enchentes e pânico na população. No mês de outubro, por exemplo, Portugal e Espanha enfrentaram a fúria da tempestade “Aline”, que varreu a Península Ibérica de oeste a leste.

A cidade de Madri registrou, durante a passagem do fenômeno, a maior quantidade de chuva das últimas décadas. Vários serviços precisaram ser suspensos e mortes foram confirmadas. Apesar de todos os alertas, foi difícil escapar dos prejuízos causados por “Aline”.

Aqui no Brasil estamos vivendo situações diversas. Enquanto a região Sul e parte do Sudeste enfrentam tempestades e enchentes, a região Norte, principalmente o Amazonas, sofre com a seca. Boa parte desse desequilíbrio foi provocada pela atuação do fenômeno El Niño, nesse segundo semestre de 2023. E o problema está longe de acabar.

Segundo a Organização Mundial de Meteorologia (OMM), órgão ligado às Nações Unidas, a influência do El Niño deve durar até, pelo menos, abril de 2024. No último informe atualizado, divulgado pela entidade, foi emitido um alerta de que os efeitos do fenômeno climático devem impulsionar o aumento das temperaturas, o que tende a agravar eventos extremos, como ondas de calor, inundações e secas.

Além disso, a OMM informou que 2023 se encaminha para ser o ano mais quente já registrado, e que 2024 pode ter temperaturas ainda mais altas. O ano atual pode superar 2016 considerado, até agora, o mais quente já registrado. Na época houve uma “combinação perfeita” de um El Niño excepcionalmente forte e as mudanças climáticas, observou a Organização.

Este ano, o El Niño se desenvolveu rapidamente durante julho e agosto e atingiu força moderada em setembro, provavelmente podendo atingir seu pico como um evento forte de novembro a janeiro de 2024. Pelos dados da OMM há uma probabilidade de 90% de que ele persista durante o próximo inverno do Hemisfério Norte e no verão do Hemisfério Sul.

A notícia não é nada boa para quem vive no Norte do Brasil. Há mais de dois meses, os amazonenses sofrem com a maior seca em 121 anos. O transporte fluvial precisou ser interrompido em várias partes do Estado, há registro de falta de alimentos e de remédios. Não é raro o dia que os moradores de Manaus enfrentam densas nuvens de fumaça provenientes das queimadas da região. Queimadas estas que estão batendo recorde atrás de recorde. Boa parte da Amazônia está em chamas, o que mostra que o discurso do atual Governo Federal é bonito na teoria, mas ineficiente na prática.

O governo Lula, que sempre transformou a pauta ambiental numa de suas bandeiras, bate cabeças e não consegue descobrir uma forma efetiva para responder à crise na região, onde vivem 38 milhões de brasileiros. O próprio Ibama já admitiu que não tem estrutura suficiente para combater o fogo nesses momentos de seca extrema.

O que se vê, na Amazônia de hoje, é uma total transformação do cenário. Os rios, antes com água abundante, deram lugar a paisagens áridas, sem vida. O dano à flora e à fauna vai ser difícil de se recuperar a curto prazo.

O dinheiro enviado pelo Governo para combater a seca tem ajudado muito pouco diante da falta de estrutura e de planejamento na região. E não foi por falta de aviso. A comunidade científica internacional cansou de emitir alertas sobre os efeitos do El Niño este ano.

Como o fenômeno deve continuar bagunçando o tempo até abril do ano que vem, vamos ter que conviver, ainda por um bom tempo, com suas estripulias climáticas. É bom se preparar pois virão nesse verão muito temporal no Sul e no Sudeste e muita seca no Norte. Não importa o discurso que se faça, no fim das contas é a natureza quem manda no Planeta.