Editorial
Prevenção e informação são fundamentais
Para fortalecer essa consciência antidrogas, é necessário investir na educação de nossas crianças
O combate ao tráfico de drogas é um assunto que mobiliza governos do mundo todo. Alguns países, como a Indonésia, adotam políticas de tolerância zero e executam, sem dó nem piedade, quem tenta entrar no país com produtos ilícito. Outras nações, como a Holanda, buscaram medidas mais tolerantes e flexibilizaram a venda de várias drogas, o resultado foi catastrófico. Um mundo de viciados se instalou nas ruas do país causando um grave problema social e de saúde para o Estado. É difícil saber quem está certo nessa questão tão polêmica. O que não resta dúvida é que o combate ao tráfico deve estar cada vez mais presente na pauta dos governantes, principalmente aqui no Brasil.
Há muito a ser feito e só com planejamento e muita estratégia, as rotas que transportam as drogas serão fechadas e grandes quantidades de mercadoria ilegal apreendidas. Só esta semana, a polícia identificou e apreendeu grandes carregamentos de maconha em Capela do Alto e em Salto, cidades que fazem parte da Região Metropolitana de Sorocaba.
O tráfico de drogas só existe por que há um sem número de consumidores ávidos pelo produto. Se toda a sociedade estivesse consciente do risco e deixasse de utilizar produtos tão danosos à saúde, o comércio desse tipo de produto deixaria de existir.
Para fortalecer essa consciência antidrogas, é necessário investir na educação de nossas crianças. Debater o tema e alertar sobre os perigos é dever não só dos pais e da família, mas também dos educadores.
Em pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), com apoio da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), se constatou que os estudantes de escolas públicas estão usando drogas cada vez mais precocemente. Crianças de 10 anos de idade já começam a ter contato com as drogas - e o álcool, na maioria das vezes, é a porta de entrada para o vício.
O estudo enumera uma série de razões para que a criança entre para o mundo das drogas: a curiosidade acompanhada da oportunidade; a necessidade de fazer parte de grupo de amigos, onde todos já tiveram contato com as drogas; um mecanismo de fuga para os problemas do dia a dia; e a baixa autoestima.
A grande maioria dos jovens inicia sua trajetória pelo mundo das drogas por produtos liberados como o álcool e os cigarros. A partir desse ponto acaba procurando as drogas ilícitas mais fracas como maconha até passar para produtos mais pesados como a cocaína e o crack. Aí o caminho de volta fica bem mais difícil.
Analisando esse cenário, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, enviou dois projetos de lei para a Câmara Municipal na tentativa de coibir a disseminação e a apologia das drogas na cidade. Os dois projetos foram aprovados, por ampla maioria, em sessão extraordinária realizada na terça-feira (7) e dependem agora da finalização do texto para sanção do executivo. Um desses projetos proíbe a realização, na cidade, da Marcha da Maconha ou de eventos similares. O outro veda a comercialização de livros, revistas ou artigos que possam fazer ‘apologia às drogas‘.
Se essas futuras leis produzirão algum resultado ou mesmo se serão derrubadas por ações na Justiça, isso pouco importa. O que vale é a preocupação do poder público municipal em implementar, nas escolas, uma campanha permanente de orientação e de combate ao uso de drogas. Com informação de qualidade nas mãos, o estudante vai poder decidir melhor que rumo quer dar à sua vida.
A informação é a melhor arma para formar bons cidadãos. Os dois projetos enviados ao Legislativo pela Prefeitura, embora bastante polêmicos, serviram para despertar a discussão e a curiosidade sobre o tema. É falando sobre as drogas, a violência provocada pelo tráfico, os riscos do vício, as dificuldades do tratamento da dependência química, que poderemos alertar as futuras gerações e, quem sabe, salvar vidas.